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15/12/18

Historiador diz que movimento para criar novo município não tem fundamentação econômica e nem sociopolítica

14/11/2013 11h47 | Atualizado em: 14/11/2013 11h53
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Joselita Matos
Da Redação


Araguaína completa nesta quinta-feira, 14 de novembro, 55 anos de emancipação política. Uma data que requer comemorações em relação ao desenvolvimento alcançado ao longo destas cinco décadas e meia, mas também ponderações para avaliar seus problemas e cobrar soluções do poder público, tanto Municipal como Estadual.

Neste momento festivo, Araguaína enfrenta mais um dilema. A criação de uma nova cidade bem nos limites urbanos, na região Sul. O movimento separatista quer a separação daquela região, alegando descaso e esquecimento por parte da administração pública municipal.

O Portal O Norte entrevistou o historiador e professor Raylinn Barros da Silva para saber quais as avaliações que tem sobre este movimento, em plena época de comemoração dos 55 anos de Araguaína. Logo de início, o historiador afirma, categoricamente, que para se haver uma emancipação daquela região e criar-se um novo município é necessário um tripé: econômico, cultural e sociopolítico, o que não ocorre neste movimento.

Fundamentação
De acordo com o historiador e professor Raylinn, este movimento que defende a emancipação da região Sul, no ponto de vista da História não tem nenhuma fundamentação na história de Araguaína. “Não teria nenhuma leitura, na minha visão, nenhuma fundamentação no ponto de vista econômico, e muito menos cultural”, destacou.

“Porque quando se fala em divisão, em emancipação, precisa haver um tripé: um tripé econômico, cultural, e sociopolítico. Eu não vejo essas situações, neste caso da cidade nova, porque aquela região no ponto de vista econômico, aquela região não consegue se sustentar sozinha. É uma região que não tem a força econômica suficiente para se autoproclamar a separação”, explicou o historiador.

Raylinn afirma ainda que a criação deste novo município seria uma oneração para o poder público, dos cofres e do dinheiro público muito grande. “É uma economia que vai ficar eternamente atrelada ao lado de cá da cidade, iria ficar uma dependência muito grande”, completou.

Do ponto de vista cultural, Araguaína ainda não tem uma identidade formada, esclarece o historiador. “A gente é unânime em dizer que o processo de formação de uma identidade ainda não tem suas bases lançadas para analisar Araguaína. Então, como é que justificaria no ponto de vista cultural essa separação? Eu não consigo ver uma justificativa cultural para esse discurso”, ressalta.

Do ponto de vista social, há uma bandeira levantada de que é uma região abandonada e esquecida, diz Raylinn. “Eu acho que toda cidade, do porte de Araguaína com todos os problemas que ela tem, tem os seus problemas sociais. Eu não estou dizendo que Araguaína não tem. Eu acho que a saída para os problemas daquela região não passa pela emancipação política dela”, pontua o professor.

Ainda segundo o historiador, a população precisa reivindicar sim pelas melhorias de sua região, porque é um direito da pessoa, um direito da sociedade, como rede de esgoto, água encanada, asfalto, escola creche, hospital. “Essas demandas precisam ser entendidas pelo poder público como uma necessidade básica da sociedade, mas a ausência dela, em nenhum momento pode servir da noite para o dia para justificar essa ausência, justificar movimentos de emancipação. Mesmo porque no aspecto econômico, político, social, cultural, não existe”, destacou.

Alerta
O professor e historiador ainda faz um alerta sobre o movimento, apesar de entender que é um movimento é legítimo. “É um movimento legítimo, mas temo que esteja sendo usado por pessoas com outros interesses, até de certa forma interesses obscuros e, inclusive, possa atrapalhar o processo de desenvolvimento de Araguaína”, declarou.

Segundo Raylinn, Araguaína está em pleno processo de desenvolvimento e como cidadãos nascidos na cidade, todos têm que tentar entender que a cidade tem problemas e cobrar do poder público as soluções. “Mas acho que nesse momento não é uma ideia que tem respaldo na história, e nem na questão cultural e socioeconômica”, afirma.

O historiador ainda faz uma comparação do movimento de criação do Tocantins com a Nova Cidade que o movimento deseja criar. “O processo da criação do Tocantins é um processo secular, que remonta o século XVIII, começo do século XIX, e que tinha condições culturais sim, porque o Norte era completamente atrasado, em relação a capital, Vila Boa, que era a sede da capitania de Goiás. E essas condições, não vejo no movimento que está nascendo em Araguaína”, finalizou.

 

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