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Ter
23/10/18

Confira três coisas que favorecem o crescimento

11/01/2018 10h29 | Atualizado em: 11/01/2018 13h05
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O menino é baixinho — ou a menina — e aí chegam os pais no consultório sugerindo se não seria o caso de lhe prescrever um tratamento hormonal. Calma. Antes de mais nada, essa é a hora de baixar a ansiedade.

Toda pressa para ver a estatura aumentar pode ser à toa. Primeiro, é preciso examinar para ver se o adolescente já entrou, de fato, no estirão puberal. Se ainda não entrou, o certo é aguardar. O estirão é a única fase da vida em que o crescimento acelera. Observe: o recém-nascido chega ao mundo com 48, 49, 50 centímetros em média. Significa que ele cresceu de uma maneira espantosamente rápida nos noves meses em que esteve na barriga da mãe. Fora dela, porém, o processo de crescimento é freado aos poucos.

No primeiro ano de vida, em vez de crescer outros 50 centímetros, o comprimento do bebê estica apenas a metade disso, ou seja, uns 25 centímetros. No segundo ano, cresce mais cerca de 12 centímetros. E depois, ao longo da infância, vai crescendo, mais ou menos, de 4 em 4 centímetros por ano. Até que chega o estirão puberal de que falamos. Aí, sim, o organismo volta a pisar no acelerador. E o esperado é que o adolescente retome aquele padrão do segundo ano de vida, aumentando 1 centímetro por mês de tamanho. Mas leia com atenção: isso é sempre uma média.

Existe o que chamamos de potencial genético. O filho de uma mãe com 1,60 metro e de um pai de 1,75 metro dificilmente será um rapaz de 1,90 metro. A matemática da estatura é de fácil dedução. Não há hormônio nem nada que mude pra valer esse potencial.

Mas três fatores podem fazer com que, dentro dele, o adolescente cresça o seu máximo possível:

Alimentação

Criança que não come direito não cresce, já diziam as vovó E, para o adolescente, o conselho vale mais do que nunca. Meninas com mania de fazer dietas rigorosas com medo de engordar podem acabar mais baixinhas do que os que seus genes tinham na programação de sua estatura. 

Sono

Costumo indicar as clássicas oito horas por noite. Claro, tem gente que se dá bem dormindo um pouco menos e outros indivíduos precisam descansar até mais do que isso. Mas, nessa faixa das oito horas de sono, eu garanto repouso suficiente para o organismo adolescente produzir a quantidade necessária de hormônio do crescimento para, digamos, executar o que está projetado por seus genes. 

É que essa substância, conhecida como GH, só é secretada enquanto ele está O jovem que dorme menos do que deveria vê na fita métrica o resultado das noites em claro diante da telinha do celular. 

Exercício físico

E, aqui, esqueça a bobagem de que ele faz crescer. Não faz. Ajuda bastante, só que indiretamente. Na verdade, o esporte ou qualquer outra forma de atividade física abre o apetite e favorece um sono de qualidade. Portanto, contribui para os dois primeiros fatores. 

Esse é o tripé fundamental do crescimento saudável. E, para a maioria dos casos, quando há disciplina, funciona muito mais do que qualquer hormônio. Na verdade, o tratamento hormonal só deveria ser indicado quando o jovem realmente apresenta uma deficiência na produção do GH. Então, sim, o medicamento serve como uma espécie de suplemento. Agora, quando o organismo apresenta dosagens normais de GH, essa terapia não faz o menor sentido.

Talvez se pergunte: mas o tratamento hormonal não ajudará meu filho a crescer? Ajudará, sim. Mas, de novo, baixe as expectativas. Se fosse fácil assim, bastava receitar GH e todo mundo teria a altura de um jogador profissional de basquetebol. A realidade é que, depois de um ano inteiro recebendo hormônios — reforço, quando não há deficiência alguma dessa substância no organismo, confirmada por exames de sangue — , o adolescente só ganhará 2 centímetros. É a média apontada nos estudos e o que se observa na prática clínica. E portanto sou eu que pergunto: vale a pena? Se quer saber minha opinião, não. Porque o sistema endócrino funciona assim: mexeu com um, mexeu com todos. No caso, é bem capaz de a tireoide ser afetada e ficar desregulada para o resto da vida. Dois centímetros não valem esse risco, é o que eu penso.

Sobre o autor

Maurício de Souza Lima é hebiatra, ou seja, um clínico geral especializado na saúde de adolescentes. Doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo, é autor
do livro “Filhos Crescidos, Pais Enlouquecidos” (Editora Landscape), vencedor do Prêmio Jabuti em 2007.

Fonte: Uol/Viva Bem 

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