Impresso em: 23/10/2017 15:47:01
Fonte: http://www.portalonorte.com.br/plantao190-82752-funcionario-da-umanizzare-revela-como-funciona-esquema-ilegal.html

Funcionário da Umanizzare revela como funciona esquema ilegal

10/01/2017 09:24:22

Divulgação

Da Redação

Forças policiais e funcionários da empresa Umanizzare realizaram nesta segunda-feira (09), uma revista geral nas três maiores unidades prisionais do Estado: o Centro de Reeducação Social Luz do Amanhã, em Cariri, a 257 km de Palmas, a Casa de Prisão Provisória (CPP) de Palmas e Unidade de Tratamento Penal Barra da Grota, em Araguaína, Norte do Estado. A operação denominada “Paz nos presídios” resultou na apreensão de uma centena de materiais como facas artesanais, celulares e drogas.

Somente na unidade de Cariri foram encontrados aproximadamente 60 facas artesanais e seis aparelhos celulares. Na CPP de Palmas foram cerca de 40 facas e três celulares. Nas duas unidades ainda foram encontrados pedaços de cordas artesanais, ferro, duas balanças artesanais, um gancho de ferro, duas ceguetas, uma porção de 350 gramas de entorpecentes, 16 garrafas pet com substância em fermentação e cerca de 100 chunchos. 

Os três pavilhões do presídio Barra da grota em Araguaína foram revistados mas a diretoria ainda não divulgou o balanço da operação na unidade.

Em entrevista à TV Anhanguera, um funcionário da empresa Umanizzare Gestão Prisional Ltda revelou como funciona o esquema de entrada no Centro de Prisão Provisória (CPP) de Palmas e os valores para cada objeto.

O funcionário, que administra a CPP de Palmas e o Barra da Grota em Araguaína, contou que os próprios presos oferecem dinheiro para ter acesso a equipamentos e até armas e que muitos funcionários aceitam fazer a troca de serviços. Uma arma de fogo, por exemplo, chega até R$ 6 mil. Um celular pode variar entre R$ 2 mil e R$ 3 mil.

Segundo esse funcionário, a empresa e o governo não têm controle do que acontece nos presídios, uma vez que não fiscalizam o serviço desses empregados da empresa.

O superintendente do Sistema Penitenciário e Prisional da Secretaria Estadual de Cidadania e Justiça (Seciju), Darlan Rodrigues, falou que a movimentação e o acompanhamento são diários e todos os funcionários passam por um processo de investigação. “Vamos abrir uma investigação, junto com a Secretaria da Segurança Pública (SSP) para que possa apurar esses fatos, identificar essa pessoa que está contaminando a unidade prisional e tomar as medidas judiciais de imediato”, afirmou.

Sobre a quantidade de servidores punidos por ato ilícito ou criminoso, Rodrigues não soube explicar, mas disse que esse servidor é encaminhado à Corregedoria da Polícia Civil para os trâmites necessários para as medidas cabíveis. Sobre a questão contratual entre governo e Umanizzare, o superintendente disse que a gestão estadual que vai decidir.

Já sobre uma possível rebelião nos presídios, o superintendente informou que a gestão sabe quais são os presos faccionados, quem são e onde estão. “Estamos monitorando diuturnamente o comportamento desses presos”, afirmou.

Outro questionamento foi em relação às condições estruturais da unidade de Cariri e que podem facilitar para que aconteça uma rebelião entre os presos. Segundo Rodrigues, a previsão é que o presídio passe por um processo de licitação ainda no primeiro semestre deste ano. “Para reforma e adequação do estabelecimento penal”, explicou. Além dessa reforma, há a previsão de construção de dois presídios: Unidade Prisional Feminina em Palmas, e Unidade Prisional Masculina em Gurupi, Sul do Estado, e o Complexo Prisional Serra do Carmo. Os três abrigarão 1.300 presos.

A Umanizzare informou que “reafirma seu compromisso em zelar e cumprir as normas e os procedimentos de boa conduta interna, tanto dos funcionários quanto dos reeducandos”. (Com informações do Jornal do Tocantins)