Publicidade
Publicidade
:
Sáb
23/09/17
Araguaína

Possibilidade de Chuva

36º 19º

Dimas condena “manobra” para não votar empréstimo; Carlesse defende “compromisso com 139 municípios”

13/09/2017 09h18 | Atualizado em: 13/09/2017 09h39
Texto:
Gostou?
  • (0)
  • (0)
Compartilhe:
Divulgação

Recheada de lideranças políticas, empresariais e imprensa de Araguaína, a longa sessão dessa terça-feira (12), na Assembleia Legislativa se arrastou até a noite mas acabou suspensa sem nenhuma decisão definitiva da votação de dois empréstimos pleiteado pelo Executivo junto à Caixa Econômica Federal que somados chegam a R$ 573 milhões. A votação foi adiada para esta manhã.

A polêmica

Um dos pedidos de empréstimo prevê R$ 120 milhões apenas para a construção da ponte de Porto Nacional mas o ponto mais polêmico da discussão gira em torno do empréstimo de R$ 453 milhões que incluem recursos destinados à duplicação da TO-222 que liga a cidade de Araguaína ao distrito de Novo Horizonte, isso porque no final do mês passado, em uma sessão que se estendeu pela madrugada, as comissões aprovaram uma emenda modificativa que retira R$ 45 milhões de reais que seriam utilizados para as obras, decidindo remanejar os valores para emendas parlamentares que devem beneficiar outros municípios. Com isso, ao invés de R$ 86,5 milhões, a obra deve ser executada com pouco mais de R$ 41 milhões de reais.

Caravana

A notícia ganhou repercussão na imprensa tocantinense nos últimos dias e não agradou a população da região de Araguaína. Representantes da região se mobilizaram em uma caravana para acompanhar a histórica votação na Assembleia, uma forma de pressionar os parlamentares a votarem favoráveis à manutenção do orçamento inicial para a execução da obra.

Ronaldo Dimas

Entre as autoridades políticas de Araguaína que estão em Palmas acompanhando as discussões, está o prefeito Ronaldo Dimas (PR), que em vídeo divulgado nas redes sociais, convocou araguainenses que moram em Palmas a comparecer na Assembleia nesta manhã para acompanhar a votação.

Em entrevista à imprensa logo depois que a sessão foi suspensa, Dimas condenou a decisão de adiar a votação e criticou a condução da Mesa Diretora: “Não sabem nem o que está votando. Diria que é um dia muito triste, ver uma Assembleia que não tem uma pauta clara, não tem a publicação da ata da comissão e vem para um sessão, onde, cheio de manobras, querem não votar o que está em discussão efetivamente. Parece-me que é um golpe contra a cidade e a região toda que, economicamente, é muito importante para o Estado”, disse o republicano garantindo que continua na Capital para acompanhar a votação.

O gestor aproveitou a oportunidade para defender a importância da obra: “Independente da posição de cada um, que defende sua região, o que está em jogo não é somente o Tocantins, é uma cidade que representa todo o norte do Brasil. A zona de influência de Araguaína é maior que a população do Tocantins. Araguaína não compete com Palmas, mas com Marabá, Imperatriz, Balsas. É preciso que o Tocantins reconheça a importância econômica da cidade”, desabafou.

“O melhor para todos”

O presidente da Casa, Mauro Carlesse também falou com a imprensa e tentou justificar o adiamento da sessão: “Houve uma mudança para que essa discussão não prolongue, senão ia ficar muito tarde. Com mais tempo a gente consegue até definir uma situação melhor e de forma mais prática”, disse o presidente, ignorando que a reunião conjunta das comissões que tirou R$ 45 milhões da duplicação da TO-222 seguiu até duas horas da madrugada de uma quinta-feira.

Questionado pela imprensa araguainense se defendia a redução do recurso para a TO-222, Carlesse foi categórico em dizer que “não existe tirar recurso”. “Vocês estão entendendo de uma maneira equivocada. Araguaína quer o dinheiro ou a obra? É isso que pergunto. A obra está garantida. E nós temos compromisso com os 139 municípios, independente de tamanho”, respondeu demonstrando certa irritação.

Mauro Carlesse questionou o valor de R$ 86,5 milhões para a duplicação. “Hoje o Estado não está em condições de fazer nem o embelezamento. Ela [a rodovia] tem que ter condições de trafegar com segurança. Agora, a maioria que decide”, disse. O presidente apontou que a Assembleia fez o estudo que embasou a redução do investimento. “Nós temos um sistema internamente que consegue fazer a mediação de valores. Você pode fazer projeto de R$ 1 mil e de R$ 50 mil. Agora, é hora de fazer projeto de R$ 50 mil? Não sei. Isso é o que os deputados estão discutindo”, finalizou.

Voto em separado

Na sessão, Elenil da Penha (PMDB) foi o responsável por fazer o pedido de destaque para votar em separado a emenda que retirou recursos da TO-222. O requerimento também foi assinado por Valderez Castelo Branco (PP), Valdemar Júnior (PMDB), Nilton Franco (PMDB), Jorge Frederico (PSC), Amélio Cayres (SD), Paulo Mourão (PT) e por Olyntho Neto (PSDB), de última hora. Ao apresentar o texto ao Plenário, o peemedebista citou que, após conversa, o tucano - que já tinha se manifestado favorável pela redução dos recursos para a obra - resolveu assinar o documento, indicando uma mudança de posicionamento.

Obra sem garantia de segurança

Já Paulo Mourão repercutiu um nota técnica da Agência Tocantinense de Transportes e Obras (Ageto), datado desta terça-feira, 12, que afirma que a redução do custo estimado para a duplicação de trecho da TO-222 vai fazer com que não haja garantias de segurança viária da população no entorno da rodovia ou para os usuários da mesma. “Fatalmente teremos que excluir do projeto o serviço urbanístico, incluindo ciclovia, e de iluminação pública”, alegou o presidente da entidade, Sérgio Leão.

A Ageto explica no documento que a duplicação da TO-222 induzirá o desvio de tráfego da BR-230, aumentando o fluxo de veículos entre Araguaína e o distrito de Novo Horizonte, o que demandaria melhorias na via. A agência alega que, além da terraplanagem e pavimentação, seria necessário gastos com drenagem, projeto urbanístico, sinalização horizontal e vertical, paisagismo e iluminação pública. Sérgio Leão reforça ainda que os R$ 86,5 milhões previstos originariamente está dentro do custo médio calculado pelo Ministério dos Transportes para obras do tipo.

Faixas sem dono

A porta da Casa de Leis estava recheada de cartazes de cidades do interior agradecendo e defendendo a divisão dos recursos, conforme aprovado pelas comissões. Assinaram estes manifestos estranhamente padronizados: Xambioá, Caseara, Sítio Novo, Tocantínia, Peixe, Axixá, Esperantina, Lagoa da Confusão, Araguatins, Barra do Ouro, Dueré, Tocantinópolis, Oliveira de Fátima, Alvorada, Riachinho, Cariri, Crixás, Figueirópolis e até a terceira maior cidade do Estado, Gurupi. Curiosamente, as galerias não tinham representantes de todos estes municípios.

Pressão de Araguaína

Mesmo com as faixas assinadas por diversos municípios, apenas os impactados pela duplicação da TO-222 é que marcaram presença na galeria da Assembleia Legislativa para defender a manutenção dos R$ 86,5 milhões para a obra.

Além da movimentação de moradores dos distritos da Barra da Grota e de Novo Horizonte, também acompanhou a sessão o vice da cidade, Fraudneis Fiomare (PSB), os presidentes da Câmara, Marcus Marcelo (PR), e da União de Vereadores do Tocantins, Terciliano Gomes (SD), bem como a maioria dos legisladores do município.

Sem quórum

Com toda a pressão de Araguaína, a sessão da Assembleia Legislativa foi suspensa a pedido do deputado Olyntho Neto (PSDB). Os trabalhos ficaram paralisados por mais de uma hora. Entretanto, Mauro Carlesse só voltou a Mesa Diretora para encerrar a sessão por falta de quórum, sob vaias dos presentes na galeria. Na hora estavam no Plenário apenas Elenil da Penha, Paulo Mourão, Luana Ribeiro (PDT), Valderez Castelo Branco (PP) e Jorge Frederico (PSC); aparecendo posteriormente Amália Santana (PMDB), Valdemar Júnior (PMDB), Eduardo Siqueira (DEM) e Olyntho Neto.

Elenil da Penha e outros deputados conseguiram usar a palavra antes do fechamento dos microfones. “Esse prejuízo Araguaína não vai tolerar. Preciso afirmar e reafirmar a posição dos tocantinenses daquela região. Vamos até o final acreditando na possibilidade de ter R$ 86,5 milhões, na possibilidade de vitória”, disse o peemedebista defende a destinação prevista no projeto original.

Também do município, Jorge Frederico disse que a redução é como “tirar um filho da cidade”. "Esta matéria pode inviabilizar o financiamento com a Caixa Econômica Federal”, acrescentou ainda. Luana Ribeiro defendeu o entendimento entre os parlamentares. “Compreendo que o melhor que tem acontecer nesta Casa é um acordo para que a cidade não seja prejudicada”, disse.

Mauro Carlesse foi o último a falar, usando a seu favor um discurso municipalista. “Aqui somos deputados de um Estado, não de uma cidade. Entendo que cada um tem suas regiões, seus compromissos, mas sou eleito pelo Tocantins. Defendo todos os municípios. Esse é o trabalho dos deputados e desta Casa. A obra está mantida, só se discutiu valor”, disse fazendo referência a duplicação da TO-222.

(Com informações do Portal CT)

Acompanhe nossas atualizações em tempo real:

Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe via E-mail
Texto:
Gostou?
  • (0)
  • (0)
Compartilhe:

“Os comentários aqui postados são de inteira responsabilidade de seus autores, não havendo nenhum vínculo de opinião com a Redação da equipe do Portal O Norte”

Tem uma reportagem, fotos, vídeos, histórias ou curiosidades?

Mande para nossa redação. Seja você o REPÓRTER.