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REPERCUSSÃO

Reportagem sobre par homoafetivo gera polêmica em Araguaína após notas de repúdio de vereadores

12 junho 2021 - 11h59Por Redação

Uma reportagem que faz parte de uma série especial do Dia dos Namorados produzida pela Prefeittura de Araguaína, se transformou em uma grande polêmica nas redes sociais, depois que dois vereadores da cidade se manifestaram com notas de repúdio contra a publicação que conta a história de um casal homoafetivo juntos há 17 anos. 

Após a publicação da chamada para a matéria nas redes sociais da prefeitura, os vereadores Ygor Cortez e Marcos Duarte se manifestaram indignados com a postagem e emitiram notas de repúdio em protesto contra o município. 

Ygor Cortez

Em seu pronunciamento gravado em vídeo e postado em seu perfil no Instagram, o vereador Ygor Cortez questionou a ascom municipal afirmando que, não concorda que o dinheiro público seja usado para pessoas defenderem pautas ideológicas no município. 

Ygor Cortez completou acrescentando que como parlamentar Cristão "repudia" a ação da ascom apesar derespeitar a opinião e opção sexual de todos.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação partilhada por Ygor Cortez (@ygorcortez_aux)

 

Marcos Duarte

Outro vereador que também comprou a briga contra o município foi Marcos Duarte  que também usou suas redes sociais para publicar uma nota de repúdio classificando a reportagem como "apologia à homossexualidade". 

O vereador encerrou a nota afirmando que: "...como cristão, ressalta que defende a família tradicional e os valores cristãos!"

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação partilhada por Vereador Marcos Duarte (@vereadormarcosduarte)

 

Repercussão

Após a manifestação dos parlamentares em seus perfis no Instagram, o assunto repercutiu e eles foram bombardeados por vários internautas criticando a postura dos vereadores diante da questão. 

"Não se trata de ideologia vereador, as pessoas LGBT dessa cidade existem, são pagadoras de impostos assim como os religiosos e todos os outros. As pessoas e suas relações não são ideologia, são materialidade, são gente, são carne... Mais amor, menos ódio e separatismo! Acho que o intuito da prefeitura foi ótimo em mostrar que existem pessoas de diferentes orientações sexuais aqui na nossa cidade e que sim elas tem suas famílias e devem ser respeitadas. Nada além disso", afirmou um internauta em reposta ao vídeo de Ygor Cortez.

Outros internautas entraram na discussão em defesa do posicionamento dos parlamentares: "vereador não faltou com respeito em nenhum momento de sua colocação, ao contrário, quem faltou respeito foi a @nossaaraguaina que está usando nosso dinheiro para enaltecer uma classe", afirmou uma internalta. 

A discussão acalourada continua neste sábado nas redes sociais e a maioria dos comentários tecem críticas ao repúdio manifestado pelos vereadores e classificam a postura dos mesmos como "Discurso de Ódio" marcando órgãos como Defensoria Pública e Ministério Público Estadual para se manifestarem sobre a pauta. 

Advogada Alerta

Sobre o assunto, a advogada Victória Feitosa, especialista em direito Constitucional e Práticas Judiciárias, falou com nossa reportagem destacando que os parlamentares podem responder criminalmente por estas publicações: 

"É lastimável a postura dos vereadores da cidade de Araguaína que, em nome de suas crenças, promovem discursos discriminatórios. O vereador tem papel de representar a comunidade na Câmara e isso inclui representar toda a coletividade e sua diversidade, não somente seus dogmas e religião. Vale ressaltar que não se pode confundir discurso de ódio com liberdade de expressão, pois não são a mesma coisa, sobretudo quando se valem disso para silenciar um grupo que já é historicamente oprimido, violentado e assassinado simplesmente por expressarem suas orientações sexuais. Ademais, praticar, induzir ou incitar a discriminação em razão da orientação sexual da pessoa é crime!" 

A advogada acrescentou ainda que: "Por isso é tão importante que saibamos eleger pessoas que tenham pautas inclusivas, não de segregação. Uma das maneiras de se combater a LGBTfobia é por meio de políticas públicas que visem garantir os direitos de todos. Liberdade de expressão não é liberdade de opressão.", pontuou.

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