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Araguaína

Desabafo em carta: mãe araguainense fala sobre erro que quase tirou a vida de sua filha e deixou graves sequelas

24/04/2019 10h30 | Atualizado em: 25/04/2019 11h53

Arquivo pessoal

"Precisava encontrar forças para estar ao lado da minha filha”, lembra Sharley Paixão.

Um diagnóstico errado e que deixou sequelas mudou para sempre a vida da jovem araguainense, Palloma Carneiro Paixão, de apenas 17 anos, que desde os 15 anos trava uma luta diária.

O Desabafo

Em uma carta enviada ao Portal O Norte, sua mãe Sharley Ferreira Paixão, fez um desabafo como forma de aliviar a dor e sofrimento causados pelo drama que afetou toda a família: “Durante esses anos senti muita raiva, muita angústia e isso tudo estava me corroendo, demorei me abrir mas agora estou preparada e preciso falar para que outras pessoas não passem pelo que minha filha está passando”, diz Sharley.

Palloma era uma adolescente saudável, estudiosa cheia de sonhos que levava uma vida normal: “Ela era uma ótima aluna, chegou a ler quase todos os livros disponíveis na biblioteca da escola. Sempre teve boas notas”, lembra a mãe: “Mas tudo isso foi por água abaixo”.
 


Sharley Paixão encaminhou a carta ao Portal O Norte
contando o drama sofrido pela sua família.
(Reprodução: Portal O Norte)

O Drama

O dia fatídico foi 15 de novembro de 2016, quando Palloma e a irmã Paulla Carolyne caminhavam pelo Parque Cimba e ela começou a passar mal: “Era umas cinco horas da tarde quando ela começou a sentir uma forte dor de cabeça, vômitou e logo começou a perder a coordenação das mãos, não conseguia pegar em nada e chegou até a desmaiar”, disse a mãe que estava de repouso em casa após um procedimento cirúrgico.

Foi a irmã mais velha que a levou às pressas para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). “O médico passou uma medicação para labirintite e mandou ela pra casa”. Incomodada com os sintomas da irmã e sem acreditar no diagnóstico dado pelo plantonista, José Ronaldo Lima de Souza, Paulla consultou por telefone uma médica amiga da família que orientou ela a pedir ao doutor um encaminhamento para o Hospital Regional de Araguaína (HRA) para realizar exames e assim ser possível um diagnóstico mais preciso: “Mas o médico se recusou a encaminhar”, lembra a mãe. 

As irmãs voltaram pra casa mas Palloma só piorava e passou mal toda a noite. Na manhã seguinte a mãe decidiu levá-la novamente à UPA e conseguiu um encaminhamento para o HRA.

O Diagnóstico Certo

Já no hospital, atendida pelo neuro-cirurgião Dr. José Roberto Lopez Rivero, a estudante foi submetida a um exame de tomografia. Horas depois, o resultado caiu como uma bomba na família: Palloma na verdade tinha sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC).


Resultado da Tomografia de Palloma (Divulgação)

A mãe explica que o tempo que a filha demorou para receber o atendimento correto foi um dos principais fatores que contribuiu para a piora do seu quadro de saúde. “Começamos a travar uma verdadeira luta pela sobrevivência dela”.

Desafios

Palloma que estava cursando o 2° Ano do Ensino Médio teve que suspender os estudos por seis meses: “Ela foi voltando a frequentar aos poucos indo três vezes por semana à escola e recebendo acompanhamento especial separado dos outros alunos, mas nunca mais foi a mesma”, lamenta a mãe acrescentando que “As avaliações eram de um nível específico. Algo que ela poderia entender, do tipo: pinte o animal, circule o azul e foi com ajuda do conselho de classe que ela conseguiu concluir o 2° Grau, devido ao histórico de ótima aluna”, explicou.


"Palloma adorava ler livros" (Arquivo Pessoal)

Dificuldades Financeiras

Divorciada e mãe de duas filhas, Sharley viu a vida mudar repentinamente e começou a enfrentar sérias dificuldades financeiras: “Paulla deixou o emprego e trancou a faculdade de Administração para cuidar da irmã enquanto eu continuei trabalhando”, lembra.


Paulla deixou emprego e estudos
para cuidar da irmã (Arquivo Pessoal)

A estudante voltou pra casa mas precisava de repouso e cuidados o tempo todo e ficou de cama por três meses.

Palloma teve que voltar ao hospital e a equipe médica decidiu que ela precisava ser submetida a um tratamento de embolização mas quando o procedimento estava quase pela metade ela sofreu o segundo AVC e precisou ser submetida a uma cirurgia de urgência e emergência na cabeça e foi parar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Meu mundo estava desmoronando. Nenhuma mãe deveria ver um filho sofrendo tanto e o pior de tudo: eu me sentia totalmente impotente”.


Palloma internada após procedimento cirúrgico. (Arquivo Pessoal)

Nove meses depois da cirurgia, Palloma passou a sofrer crises convulsivas. “O desafio ficou maior, mas eu precisava encontrar forças para estar ao lado da minha filha”.

Sem condições financeiras para manter o custo alto de medicamentos, a família passou a contar com a ajuda de amigos e parentes promovendo rifas para arrecadar dinheiro. “Vendia tudo o que aparecia para comercializar pra não deixar faltar os remédios que ela precisava, era quase R$ 1 mil por mês além disso até a alimentação dela teve que mudar então imagina só a situação?” e completou “Sem Deus e meus amigos eu não teria conseguido”.

Gratidão

Hoje mais de dois anos depois que o drama da família começou, Sharley agradece a todas as pessoas que estiveram ao seu lado: “Primeiro a Deus e aos profissionais que não mediram esforços para tratar minha filha, especialmente a esse médico que Deus colocou na terra para salvar pessoas, digno de ser chamado de DOUTOR, pois honra o juramento que ele fez, um anjo que se chama: Dr. José Roberto Lopez Rivero que foi a peça chave pra minha filha estar viva hoje e que chama Palloma carinhosamente de "Menina do Milagre”", disse acrescentando: “Palloma acabou as crises, mudou os remédios, agora são baratos. Nós somos Abençoadas, Deus é Tremendo”.

Limitações e Tratamentos Suspensos

Mesmo com as melhoras apresentadas, Palloma jamais será a mesma. A menina que amava livros e estudar, hoje já não consegue ler: “São poucas palavras que ela consegue falar, frases curtas como “Eu te amo, obrigada...”. Palloma também não consegue ficar por muito tempo em locais com muito barulho e concentração de pessoas. 

Palloma fazia tratamento fonoaudiólogo, fisioterapia e consultas psicológicas, através do Sistema Único de Saúde (SUS), mas desde dezembro não conseguiu mais e aguarda uma oportunidade de atendimento na fila de espera. “A gente sabe o quanto é burocrático conseguir isso através do SUS e pagar por todos esses tratamentos está fora do nosso alcance financeiro hoje”, lamenta a mãe afirmando que a única atividade que está conseguindo pagar hoje para Palloma é a natação, que ela pratica duas vezes na semana. “Já é muita coisa é o que tenho condições de oferecer pra minha filha hoje. Graças a Deus”.

Diante das dificuldades, Sharley também buscou outras alternativas e conseguiu que a filha realize um tratamento de reabilitação de seis em seis meses no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília. “Consegui através de um cadastro que fiz no próprio site do hospital, apesar do tempo não ser o ideal que ela precisaria é o que conseguimos e não dá pra abrir mão disso porque toda ajuda neste momento é importante para a recuperação dela”, observa.


Palloma em tratamento no Sarah Kubitschek,
em Brasília (Arquivo Pessoal)

A jovem teve os movimentos do lado direito comprometidos e por um bom tempo só andava de cadeira de rodas. Agora com os tratamentos realizados ela já consegue caminhar com a ajuda uma bengala e uma órtese na perna direita.


A evolução dos tratamentos já realizados por Palloma. (Divulgação)

Vida e Sonho

Sharley diz que procura dá o máximo de qualidade de vida para a filha: “Ela adora pic-nic, comer sushi e sempre que podemos a gente proporciona isso pra ela. Além disso, muito amor e carinho que é o mais importante ela saber que é amada”.
 


Paloma, Paulla e amigos no Parque Cimba. (Arquivo Pessoal: BlueBox)

A mãe explica que Ensino Superior hoje está fora de cogitação mas diz que a filha ainda sonha: “Ela quer ser fotógrafa e espero que num futuro próximo ela possa realizar esse sonho”.

Para Sharley, a maior alegria é ver a filha lutando pela vida, mas as "marcas" deixadas pelo drama ainda não cicatrizaram. “Me dá um aperto no coração vê uma menina que tinha toda uma vida pela frente limitada por conta de um diagnóstico errado”, lamenta emocionada.


"Minha maior alegria é ver a Palloma lutando pela vida,
cada passo é uma vitória", Sharley Paixão (Arquivo Pessoal)

Dupla Honra

Ela disse que a filha mais velha, hoje com 24 anos, conseguiu terminar a faculdade - inclusive mãe e filha se formaram juntas - mas Paulla continua sem trabalhar dedicada aos cuidados com a irmã. A família ainda sobrevive com a realização de rifas para ajudar no sustento dos medicamentos, alimentação e tratamento de Palloma.


Mãe e filha se formaram juntas. (Arquivo Pessoal)

Lição de Vida

Pra mim, a carta que escrevi é uma forma de trazer à luz um alerta para as pessoas e principalmente para os médicos: uma decisão precipitada de um profissional mudou vida da minha filha e da minha família para sempre e isso é lamentável, mas sigo firme e forte com muita fé em Deus que mesmo diante de tantos problemas tem suprido nossas necessidades e nos trazido lições valiosas”, concluiu.

O Outro Lado

O Portal O Norte tentou entrar em contato com o Dr. José Ronaldo Lima. Segundo o Instituto Saúde e Cidadania (Isac) terceirizada responsável pela gestão da UPA, o médico não atua mais na unidade onde trabalhou na época em que o Institudo Brasileiro de Gestão Hospitalar (IBGH) era responsável pela administração. 

Nossa reportagem também tentou contato com o profissional através do Conselho Regional de Medicina (CRM) mas não conseguimos falar através do número de contato repassado. O espaço continua aberto para esclarecimentos. 

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