A falta de concurso público há 27 anos e a existência de apenas um servidor efetivo levaram o Ministério Público do Tocantins (MPTO) a recomendar a regularização imediata do quadro funcional da Câmara Municipal de Alvorada, com a realização de concurso público.
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A recomendação foi expedida após procedimento administrativo instaurado em setembro de 2025, que analisou a estrutura organizacional, a gestão de pessoal e os aspectos financeiros e orçamentários do Legislativo municipal, com apoio técnico do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE/TO).
APENAS 1 SERVIDOR EFETIVO EM UM QUADRO DE 40
Atualmente, a Câmara Municipal de Alvorada possui 40 vínculos funcionais, sendo apenas um servidor efetivo — o equivalente a 2,5% do total.
O restante do quadro é formado, em sua maioria, por cargos comissionados e contratos temporários.
Segundo o MPTO, muitos desses profissionais exercem funções técnicas, operacionais e permanentes, como vigilância, serviços gerais, recepção, motorista e apoio administrativo, o que viola o artigo 37 da Constituição Federal, que exige concurso público para cargos efetivos.
ÚLTIMO CONCURSO FOI EM 1999
O último concurso público da Câmara de Alvorada foi realizado em 1999, com validade expirada há décadas.
Para o Ministério Público, a situação caracteriza omissão prolongada e injustificada do dever constitucional de realizar concursos públicos.
FALTA DE PLANEJAMENTO ORÇAMENTÁRIO
Durante a apuração, também foi constatada a ausência de previsão orçamentária para a realização de concurso, comprometendo os princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade e eficiência da administração pública.
MEDIDAS RECOMENDADAS PELO MPTO
Entre as providências, o MPTO orienta:
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elaboração, em até 30 dias, de estudo técnico para identificar as necessidades permanentes de pessoal;
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envio de projeto de lei criando cargos efetivos, reduzindo cargos comissionados e ajustando a estrutura administrativa;
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adequação orçamentária para viabilizar o concurso público;
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publicação do edital do concurso em até 180 dias após a aprovação da lei;
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nomeação dos aprovados conforme a ordem de classificação.
REGULARIZAÇÃO DO QUADRO FUNCIONAL
A recomendação também prevê:
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exoneração de comissionados em desvio de função;
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extinção de contratos temporários irregulares;
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fortalecimento da transparência;
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envio de relatórios trimestrais ao MPTO sobre o cumprimento das medidas.
PRAZO PARA RESPOSTA
O promotor de Justiça André Felipe Santos Coelho afirmou que a recomendação tem caráter preventivo e busca evitar a judicialização.
“O objetivo é assegurar a observância da Constituição, a profissionalização da gestão pública, a melhoria dos serviços prestados à população e evitar a judicialização”, destacou.
A Câmara Municipal de Alvorada tem 15 dias para informar se irá acatar as recomendações. O descumprimento pode resultar em ação civil pública, com pedido de liminar, multa diária e comunicação ao TCE/TO.


Recomendação do MPTO orienta a realização de concurso público - Crédito: Marcelo de Deus 


