Autor de 'Vapor Barato' e outros sucessos, morre no Rio aos 82 anos
17 NOV 2025 • POR Da Redação • 20h50
O músico, cantor e compositor Jards Macalé, autor de clássicos como “Vapor Barato”, morreu nesta segunda-feira (17), no Rio de Janeiro, aos 82 anos. A morte foi confirmada por amigos e divulgada nas redes sociais do artista.
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Macalé estava internado desde o dia 1º em um hospital na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, tratando problemas pulmonares. Nesta segunda-feira, sofreu uma parada cardíaca. Segundo a unidade, a causa da morte foi choque séptico e insuficiência renal.
“NÃO QUERO SER MODERNO, QUERO SER ETERNO”
Em comunicado oficial, a equipe do artista escreveu que ele chegou a acordar de uma cirurgia cantando “Meu Nome é Gal”, mantendo o bom humor característico. O texto agradece o carinho dos fãs e afirma:
“Nessa soma de todas as coisas, o que sobra é a arte. Eu não quero mais ser moderno, quero ser eterno”.
Detalhes do funeral serão divulgados posteriormente.
O ‘ANJO TORTO’ DA MPB
Nascido no Rio em 1943, Jards Anet da Silva entrou para a música nos anos 1960. Sua primeira composição gravada foi por Elizeth Cardoso, em 1964. Com postura vanguardista e avessa a padrões comerciais, ficou conhecido como o “anjo torto” da MPB.
O impacto nacional veio em 1969, no Festival Internacional da Canção, com “Gotham City”. Em 1972, lançou seu influente álbum de estreia, misturando rock, jazz, blues, samba, baião e outros gêneros.
Entre suas composições estão “Hotel das Estrelas”, “Mal Secreto”, “Anjo Exterminado” e “Vapor Barato”, imortalizadas também por Gal Costa, Maria Bethânia e O Rappa.
PARCERIAS E EXPERIMENTAÇÃO
Macalé trabalhou com poetas como Waly Salomão, Vinicius de Moraes, Torquato Neto e José Carlos Capinan, e manteve ao longo da carreira a defesa da liberdade artística — seu grande traço.
Foi próximo de Luiz Melodia e outros artistas que também rejeitavam imposições das gravadoras.
LEGADO AO LADO DE CAETANO E GIL
Exilado em Londres com Caetano Veloso, Gilberto Gil e Jorge Mautner, Macalé assinou a direção musical do álbum “Transa”, um dos mais importantes da obra de Caetano.
Em homenagem, Caetano escreveu:
“Sem Macalé não haveria Transa. Estou chorando porque ele morreu hoje. Foi meu primeiro amigo carioca da música”.
ALÉM DA MÚSICA
Ao longo de 60 anos de carreira, Jards Macalé atuou também no cinema, teatro, televisão e artes plásticas.
Participou de filmes como “O Amuleto de Ogum” e “Tenda dos Milagres”, ambos de Nelson Pereira dos Santos, e assinou trilhas de obras como “Macunaíma” e “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”.
Mesmo em idade avançada, manteve vigor artístico: em 2019, lançou “Besta Fera”, considerado um dos grandes álbuns daquele ano.