Crise entre prefeitura e concessionária paralisa transporte coletivo em Araguaína
13 JAN 2026 • POR Da Redação • 09h29
A paralisação do transporte coletivo em Araguaína, no norte do Tocantins, teve início no sábado (10) e interrompeu o funcionamento das 14 linhas que atendem o município. A suspensão ocorreu após os motoristas não receberem os salários, segundo informou a concessionária responsável pelo serviço.
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Atualmente, o sistema opera com 20 ônibus, que circulam diariamente das 5h30 às 23h30, com intervalos médios entre 27 e 30 minutos. A tarifa cobrada é de R$ 4. Com a interrupção, milhares de usuários ficaram sem transporte.
DESEQUILÍBRIO FINANCEIRO
A Araguaína Transportes atribui a paralisação a um desequilíbrio financeiro do contrato. De acordo com o representante da empresa, Umberto Pereira, a tarifa do transporte coletivo não sofre reajuste desde 2018 e o subsídio municipal está congelado desde 2023.
A concessionária afirma ainda que há valores retroativos em atraso, referentes ao período entre setembro de 2023 e junho de 2024, o que teria inviabilizado o pagamento da folha salarial. Segundo a empresa, pedidos de revisão tarifária e de regularização desses valores foram encaminhados ao município, sem resposta.
FUNCIONÁRIOS SÓ RETORNAM APÓS REGULARIZAÇÃO
Segundo a Araguaína Transportes, enquanto a situação contratual não for regularizada, os trabalhadores não devem retomar as atividades. A empresa argumenta que custos operacionais, como combustível, pneus, peças e salários, aumentaram nos últimos anos sem a devida atualização da tarifa ou do subsídio.
A concessionária reconhece que os ônibus em operação têm cerca de 15 anos de uso e informou que os laudos técnicos e o plano de renovação da frota estão em fase de elaboração.
O QUE DIZ A PREFEITURA
A Prefeitura de Araguaína afirmou que enfrenta dificuldades no cumprimento do contrato por parte da concessionária. Segundo a gestão municipal, há diversas reclamações de usuários e problemas relacionados ao estado de conservação dos veículos.
O município informou que está em dia com os repasses financeiros, que somam R$ 351 mil mensais, e destacou que o atraso no pagamento dos salários dos motoristas não tem relação com a administração municipal.
DOCUMENTOS SOLICITADOS
Ainda de acordo com a prefeitura, foram solicitados à concessionária o plano de renovação da frota, laudos mecânicos e de segurança dos ônibus com mais de 15 anos, além de comprovantes de regularidade fiscal e trabalhista.
Até o momento, segundo o município, a empresa não apresentou resposta aos requerimentos. A administração também alertou que o descumprimento de cláusulas contratuais pode resultar em sanções, incluindo a perda da concessão.