INOVAÇÃO

Startup tocantinense aposta em tecnologia para reduzir casos de dengue

16 JAN 2026 • POR Da Redação • 18h53
Projeto está na fase final do Programa Centelha 2 - Divulgação

Pesquisadores da startup Wasi Biotech, com apoio do Governo do Tocantins por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt), desenvolveram uma solução tecnológica inovadora para o controle do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. O projeto é financiado pelo Programa Centelha 2 Tocantins e une ciência, tecnologia e saúde pública.

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A iniciativa é liderada pelo professor e pesquisador doutor Walmirton D’Alessandro e utiliza impressoras 3D para produzir dispositivos capazes de atrair mosquitos e contaminá-los com um fungo entomopatogênico. Ao entrar em contato com o fungo presente no equipamento, o mosquito se infecta e passa a transmitir o agente a outros indivíduos, contribuindo para a redução gradual da população do vetor.

DISPOSITIVO PODE SER PRODUZIDO LOCALMENTE 

A tecnologia permite que o dispositivo seja fabricado localmente a partir de arquivos digitais, dispensando transporte físico e reduzindo custos logísticos. Segundo o coordenador do projeto, qualquer local que possua uma impressora 3D pode produzir o equipamento.

Além da eficiência biológica, o dispositivo foi projetado para ter design discreto e esteticamente aceito, o que possibilita sua instalação em residências, escolas, unidades de saúde e espaços públicos, ampliando o alcance da estratégia de controle do mosquito.

MONITORAMENTO

Outro diferencial da solução é a capacidade de monitoramento. O dispositivo pode emitir sinais via Sistema Global para Comunicações Móveis (GSM), permitindo a coleta de dados como temperatura, umidade, pressão atmosférica e localização.

Essas informações podem alimentar um observatório digital de saúde, auxiliando gestores públicos na vigilância epidemiológica e na definição de estratégias mais precisas de combate às arboviroses, especialmente em regiões com maior incidência de casos.

TESTES EM CAMPO NO TOCANTINS

O projeto encontra-se na fase final do Programa Centelha 2, com a segunda versão do dispositivo concluída e aprimorada em atratividade e funcionalidade. Testes iniciais confirmaram a eficácia do fungo utilizado, e a próxima etapa prevê validação em campo, considerando as condições climáticas do Tocantins.

O projeto piloto teve início em Paraíso do Tocantins e deve ser expandido para Palmas, Gurupi e outros municípios, conforme o avanço das parcerias institucionais. O modelo de atuação da startup é prioritariamente Business to Government (B2G), voltado para cooperação com governos e secretarias de saúde.

INCENTIVO À INOVAÇÃO

Além do desenvolvimento tecnológico, a iniciativa investe em educação científica e comunicação acessível, com materiais lúdicos voltados para crianças e famílias, explicando de forma simples o funcionamento do dispositivo e sua importância para a saúde coletiva.

O projeto reúne uma equipe multidisciplinar formada por pesquisadores e profissionais de diferentes áreas. Walmirton D’Alessandro responde pela gestão administrativa da startup; o professor mestre Ivo Sócrates Moraes atua na aplicação tecnológica; a professora mestre Sávia Herrera contribui na área de mercado; Iago Figueiredo desenvolve os designs dos dispositivos; e a professora doutora Aline D’Alessandro conduz estudos epidemiológicos nas regiões atendidas.

O coordenador destacou a importância do Programa Centelha para transformar pesquisa em inovação aplicada. As inscrições para novas ideias no Centelha Tocantins seguem abertas até 30 de janeiro, permitindo que pesquisadores, estudantes e empreendedores submetam propostas de soluções tecnológicas. O edital completo está disponível para consulta.