Wanderlei rejeita mudanças no IPVA, benefício a motoristas sem multas e impõe freio no Legislativo
17 JAN 2026 • POR Da Redação • 18h14O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), decidiu barrar integralmente um bloco de projetos aprovados pela Assembleia Legislativa no encerramento de 2025. Os vetos foram oficializados no Diário Oficial desta sexta-feira, 16, e comunicados formalmente ao parlamento estadual.
Participe do grupo do O Norte no WhatsApp e receba as notícias no celular.
As propostas atingidas tratavam de temas diversos, como mudanças tributárias, criação de programas de incentivo, reorganização regional e concessão de títulos simbólicos. Em todos os casos, o Palácio Araguaia sustentou as decisões com base em análises técnicas e jurídicas que apontaram fragilidades legais, riscos fiscais e problemas de iniciativa.
IPVA NA MIRA DO GOVERNO
Entre os projetos vetados está o que previa alterações nas regras de pagamento do IPVA no Estado. A Secretaria da Fazenda avaliou que, embora o texto estivesse formalmente correto, a proposta poderia comprometer o equilíbrio das contas públicas por não apresentar estudos que justificassem o impacto financeiro das mudanças.
O governo alertou que a ampliação das formas de parcelamento atrasaria a entrada de recursos nos cofres estaduais, afetando diretamente o planejamento financeiro anual. Também foi destacado que metade da arrecadação do imposto é repassada obrigatoriamente aos municípios, o que ampliaria o efeito da medida.
A Procuradoria-Geral do Estado acrescentou que a proposta engessaria a gestão tributária ao fixar regras rígidas de exigibilidade e ainda reduziria o prazo para cobrança do imposto, encurtando o tempo de atuação do Estado.
DESCONTO SEM CONTA FECHADA
Outro veto recaiu sobre o projeto que criava o programa “Bom Motora”, voltado a conceder desconto no IPVA a motoristas sem histórico de infrações. Segundo o Executivo, a proposta não trouxe estimativas de renúncia de receita nem indicou como o impacto seria compensado.
Para a Procuradoria-Geral, a ausência dessas informações fere princípios da responsabilidade fiscal e vai contra entendimentos já consolidados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O parecer também criticou a tentativa de impor prazo ao Executivo para regulamentar a medida, o que foi interpretado como interferência indevida entre os Poderes.
MAPA METROPOLITANO CONTESTADO
O pacote de vetos incluiu ainda o projeto que pretendia inserir Chapada da Natividade na Região Metropolitana de Palmas. De acordo com o governo, a legislação atual estabelece critérios geográficos objetivos que não contemplam o município.
Relatórios técnicos apontaram a inexistência de estudos específicos e de audiências públicas exigidas pelo Estatuto da Metrópole, além de problemas formais na origem da proposta. O Executivo argumentou que, pelas características territoriais, Chapada da Natividade se enquadra mais adequadamente em outra região metropolitana do estado.
TÍTULO SIMBÓLICO BARRADO
Também foi vetada a proposta que concedia a Dueré o título de Capital Tocantinense do Agroturismo. A Secretaria da Agricultura informou que não foram apresentados documentos ou estudos que comprovassem a relevância da atividade no município.
Já a Secretaria do Turismo avaliou que a denominação extrapolaria o caráter simbólico e poderia gerar impactos indiretos em políticas públicas e no planejamento do setor. O governo ainda apontou ausência de critérios objetivos e vício de iniciativa na proposição.