Movimento pró-Dorinha muda cenário, mas Amélio sustenta pré-candidatura Palácio Araguaia
18 JAN 2026 • POR Da Redação • 18h46A declaração pública do presidente da Assembleia Legislativa do Tocantins, Amélio Cayres (Republicanos), de que mantém sua pré-candidatura ao governo do Estado foi recebida, nos bastidores, menos como um gesto de largada eleitoral e mais como um movimento calculado de sobrevivência política diante de um cenário que se redesenha para 2026.
Ao afirmar que o projeto permanece de pé, Amélio responde a leituras internas que já apontavam para a redução de seu espaço na disputa majoritária, após mudanças recentes no tabuleiro político estadual.
MUDANÇA DE VENTO NO PALÁCIO
Antes do afastamento judicial de Wanderlei Barbosa, Amélio era visto como o nome natural do governador para a sucessão. A volta de Wanderlei ao comando do Executivo, porém, reposicionou alianças e abriu caminho para uma aproximação mais sólida com a senadora Dorinha Seabra (União Brasil), hoje colocada como pré-candidata ao governo.
Esse novo eixo inclui ainda o deputado federal Carlos Gaguim (União Brasil) e o senador Eduardo Gomes (PL), que se articulam para a disputa das vagas ao Senado, deixando o presidente da Assembleia em posição periférica no desenho inicial da chapa governista.
PRÉ-CANDIDATURA COMO SINAL
Mesmo com a perda de protagonismo, Amélio evita recuar. Ao reafirmar disposição para o diálogo e manter seu nome em circulação, sinaliza que o Republicanos ainda não fechou questão sobre a sucessão estadual e que mais de uma alternativa segue viva dentro da sigla.
O gesto é interpretado como um recado claro: ainda que não seja o cabeça de chapa, Amélio pretende permanecer como peça relevante na composição final.
PRESSÃO DAS BASES
A decisão de não sair de cena encontra respaldo entre aliados políticos. Deputados estaduais, prefeitos e lideranças regionais têm defendido a manutenção da pré-candidatura como estratégia de fortalecimento interno do Republicanos.
Para esse grupo, o nome de Amélio em jogo amplia o poder de negociação do partido e evita que a legenda entre enfraquecida em uma aliança já bastante encaminhada fora de seus quadros.
ENGENHARIA EM CONSTRUÇÃO
Nos bastidores, o Republicanos chegou a cogitar lançar Wanderlei Barbosa ao Senado, hipótese descartada após o afastamento do governador em 2025, no contexto da Operação Fames-19. O episódio também inviabilizou uma reaproximação com o vice-governador Laurez Moreira (PSD), que comandou o Estado interinamente.
A alternativa construída passa pela possível filiação de Carlos Gaguim ao Republicanos para disputar o Senado, ao lado de Eduardo Gomes, enquanto Dorinha lideraria a chapa ao governo. O arranjo, segundo interlocutores, já conta com aval das cúpulas nacionais envolvidas.
O ESPAÇO DO REPUBLICANOS
Com governo e Senado praticamente equacionados, a vaga de vice-governador tornou-se o principal ponto de disputa — e a tendência é que fique sob controle do Republicanos. É nesse contexto que a insistência de Amélio Cayres ganha sentido estratégico.
Mesmo fora da cabeça da chapa, o presidente da Assembleia se posiciona como ator central na negociação final, mantendo influência sobre o desenho político que começa a se consolidar, mas ainda longe de ser definitivo.