Denúncia aponta condições precárias, desperdício e sobrecarga de profissionais no HRA
28 JAN 2026 • POR Da Redação • 19h31
Uma denúncia anônima feita por servidores do Hospital Regional de Araguaína (HRA) aponta uma série de problemas estruturais, operacionais e de recursos humanos que, segundo os relatos, estariam comprometendo o atendimento a pacientes e a saúde física e emocional dos profissionais da unidade.
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Denunciantes procuraram a reportagem do Portal O Norte e preferiram não se identificar por medo de retaliações. As informações relatadas refletem a experiência de profissionais e pacientes no ambiente hospitalar.
FALTA DE INSUMOS
De acordo com as denúncias, o hospital enfrenta escassez de materiais básicos para atendimento diário, como seringas, soro e entre outros insumos básicos. Uma das servidoras afirma que há disponibilidade apenas de seringas de 5 ml, o que dificulta a administração correta de diversos remédios. Também foi relatada a ausência de soro de 100 ml, utilizado em diluições medicamentosas.
Segundo o relato, em algumas situações profissionais têm recorrido ao uso de frascos maiores, descartando parte do conteúdo para viabilizar a medicação, o que, além de improvisado, pode gerar desperdício de insumos.
SOBRECARGA E ESCALAS
Outro ponto destacado é a sobrecarga de trabalho. Um dos denunciantes afirma que plantões estariam sendo realizados com apenas quatro técnicos de enfermagem para atender até 24 leitos, incluindo pacientes acamados e em estado crítico. Segundo ela, a situação ocorre tanto no período diurno quanto noturno.
Ainda conforme o relato, as escalas estariam frequentemente desfalcadas, o que aumenta o desgaste físico e emocional da equipe e impacta diretamente o cuidado com os pacientes.
ARMAZENAMENTO DE MEDICAMENTOS
As denúncias também apontam falhas no armazenamento de medicamentos sensíveis, como a insulina. Segundo os denunciantes, o hospital não dispõe de frigobar adequado para conservação do medicamento, que estaria sendo mantido apenas em caixa térmica, sem controle rigoroso de temperatura.
A situação, de acordo com o relato, colocaria em risco a eficácia do tratamento e a segurança dos pacientes que dependem do uso contínuo da insulina.
AMBIENTE E CONDIÇÕES DE TRABALHO
Problemas estruturais nas alas do hospital também são relatados pelos profissionais. Segundo eles, os postos de enfermagem estariam deteriorados e sem condições adequadas de uso.
Também foram mencionadas a falta de aventais de proteção, a existência de pacientes em isolamento sem os equipamentos necessários e a presença de ratos e baratas em áreas internas, incluindo banheiros e espaços de descanso dos funcionários. A falta de manutenção em bebedouros e sanitários também foi apontada.
PRESSÃO PSICOLÓGICA
No desabafo, a servidora afirma que profissionais estariam sofrendo pressão psicológica e assédio moral. Segundo o relato, funcionários que adoecem e apresentam atestado médico são convocados para avaliação, sob suspeita de irregularidade, o que, de acordo com ela, agrava o quadro emocional da equipe.
A denúncia também menciona intimidações atribuídas a ordens judiciais, sem que haja esclarecimentos claros sobre a origem dessas determinações ou fiscalização direta das condições denunciadas.
O QUE DIZ A SAÚDE
O Portal O Norte procurou a direção do Regional e da Secretaria de Estado da Saúde (SES) para esclarecimentos sobre as denúncias. Segue abaixo a nota na íntegra:
A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES/TO) esclarece que a gestão do Hospital Regional de Araguaína (HRA) realiza controle contínuo e sistematizado dos estoques de insumos médico-hospitalares e medicamentos, com monitoramento diário, planejamento de compras e reposições regulares, em conformidade com as normas do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Eventuais variações pontuais de consumo são prontamente solucionadas por meio de remanejamento interno e acionamento dos fluxos de aquisição, não havendo, no momento, desabastecimento que comprometa a assistência aos pacientes. Nos dias 27 e 28 de janeiro de 2026, a unidade recebeu materiais e medicamentos necessários para os atendimentos aos usuários.
Sobre as escalas de profissionais e eventual sobrecarga de trabalho, a SES/TO informa que as equipes de enfermagem e multiprofissionais são organizadas conforme o dimensionamento técnico, respeitando a legislação vigente, as resoluções dos conselhos profissionais e a capacidade operacional da unidade.
O Hospital Regional de Araguaína passa por manutenção predial contínua, com acompanhamento das áreas técnicas da SES/TO. As alas assistenciais encontram-se em funcionamento regular, sendo realizadas intervenções corretivas e preventivas sempre que identificadas necessidades, com foco na segurança dos pacientes e dos profissionais.
Quanto ao armazenamento de medicamentos, a SES/TO esclarece que, incluindo os termolábeis, como a insulina, o processo segue rigorosamente os protocolos técnicos e as normas sanitárias vigentes, com utilização de câmaras refrigeradas, controle e registro contínuo de temperatura, manutenção adequada dos equipamentos e supervisão farmacêutica, assegurando a integridade, a qualidade e a eficácia dos produtos.
Palmas – TO, 28 de janeiro de 2026