Cientistas eliminam câncer de pâncreas em testes com camundongos
30 JAN 2026 • POR Da Redação • 08h01
Cientistas da Espanha desenvolveram uma terapia experimental capaz de eliminar completamente tumores de câncer de pâncreas em testes com camundongos. O tratamento combinou três medicamentos e obteve regressão total da doença em poucas semanas, sem sinais de toxicidade.
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O estudo foi publicado em dezembro de 2025 na revista científica PNAS e é liderado por Mariano Barbacid, diretor do Grupo de Oncologia Experimental do Centro Nacional de Pesquisa Oncológica da Espanha (CNIO). Os pesquisadores afirmam que a estratégia também impediu o surgimento de resistência ao tratamento, um dos principais obstáculos da oncologia.
REGRESSÃO TOTAL EM POUCAS SEMANAS
Nos testes realizados, os tumores desapareceram entre três e quatro semanas em diferentes modelos de camundongos.
Mesmo após mais de 200 dias sem qualquer tratamento adicional, os animais continuaram livres da doença e não apresentaram efeitos colaterais relevantes.
COMBINAÇÃO ATACA TRÊS ALVOS DO CÂNCER
A terapia reúne três compostos que interrompem o crescimento das células tumorais por vias distintas.
Um dos medicamentos atua diretamente sobre o oncogene KRAS, principal fator genético associado ao câncer de pâncreas. Os outros dois bloqueiam as proteínas EGFR e STAT3, responsáveis por vias de sinalização que favorecem a progressão tumoral.
POR QUE O CÂNCER DE PÂNCREAS É TÃO LETAL
O pâncreas é um órgão localizado atrás do estômago e é responsável pela produção de insulina e enzimas digestivas.
A doença costuma evoluir de forma silenciosa e, quando apresenta sintomas, geralmente já está em estágio avançado. O adenocarcinoma representa mais de 90% dos casos.
No Brasil, o câncer de pâncreas ocupa a 14ª posição entre os mais frequentes, mas responde por cerca de 5% das mortes por câncer, segundo o Inca.
Em 2020, a doença causou 5.882 mortes entre homens e 6.011 entre mulheres, figurando entre os tumores mais letais do país.
TESTES EM HUMANOS AINDA NÃO COMEÇARAM
Apesar dos resultados expressivos, a terapia ainda está em fase experimental.
Os pesquisadores afirmam que o próximo passo é ajustar as substâncias para que possam ser testadas com segurança em ensaios clínicos com humanos.
NOVA ESPERANÇA, MAS COM CAUTELA
O sucesso da regressão tumoral sem depender do sistema imunológico sugere que a estratégia pode ser eficaz até em pacientes com imunidade comprometida.
A equipe reconhece que a adaptação para uso humano não será simples, mas avalia que os achados abrem novas perspectivas para ampliar a sobrevida em um dos cânceres mais agressivos da atualidade.