EM ALVORADA

Câmara não realiza concurso há 27 anos e tem apenas 1 servidor efetivo

6 FEV 2026 • POR Da Redação • 18h54
Recomendação do MPTO orienta a realização de concurso público - Marcelo de Deus

A falta de concurso público há 27 anos e a existência de apenas um servidor efetivo levaram o Ministério Público do Tocantins (MPTO) a recomendar a regularização imediata do quadro funcional da Câmara Municipal de Alvorada, com a realização de concurso público.

Participe do grupo do O Norte no WhatsApp e receba as notícias no celular.

A recomendação foi expedida após procedimento administrativo instaurado em setembro de 2025, que analisou a estrutura organizacional, a gestão de pessoal e os aspectos financeiros e orçamentários do Legislativo municipal, com apoio técnico do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE/TO).

APENAS 1 SERVIDOR EFETIVO EM UM QUADRO DE 40

Atualmente, a Câmara Municipal de Alvorada possui 40 vínculos funcionais, sendo apenas um servidor efetivo — o equivalente a 2,5% do total.

O restante do quadro é formado, em sua maioria, por cargos comissionados e contratos temporários.

Segundo o MPTO, muitos desses profissionais exercem funções técnicas, operacionais e permanentes, como vigilância, serviços gerais, recepção, motorista e apoio administrativo, o que viola o artigo 37 da Constituição Federal, que exige concurso público para cargos efetivos.

ÚLTIMO CONCURSO FOI EM 1999

O último concurso público da Câmara de Alvorada foi realizado em 1999, com validade expirada há décadas.

Para o Ministério Público, a situação caracteriza omissão prolongada e injustificada do dever constitucional de realizar concursos públicos.

FALTA DE PLANEJAMENTO ORÇAMENTÁRIO

Durante a apuração, também foi constatada a ausência de previsão orçamentária para a realização de concurso, comprometendo os princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade e eficiência da administração pública.

MEDIDAS RECOMENDADAS PELO MPTO

Entre as providências, o MPTO orienta:

REGULARIZAÇÃO DO QUADRO FUNCIONAL

A recomendação também prevê:

PRAZO PARA RESPOSTA

O promotor de Justiça André Felipe Santos Coelho afirmou que a recomendação tem caráter preventivo e busca evitar a judicialização.

“O objetivo é assegurar a observância da Constituição, a profissionalização da gestão pública, a melhoria dos serviços prestados à população e evitar a judicialização”, destacou.

A Câmara Municipal de Alvorada tem 15 dias para informar se irá acatar as recomendações. O descumprimento pode resultar em ação civil pública, com pedido de liminar, multa diária e comunicação ao TCE/TO.