Levantamento identifica 173 vítimas de deepfakes sexuais em escolas
11 FEV 2026 • POR Da Redação • 07h34Um levantamento da organização SaferNet Brasil identificou 173 vítimas de deepfakes sexuais em instituições de ensino públicas e privadas de dez estados brasileiros. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (10), em São Paulo, durante evento em celebração ao Dia da Internet Segura.
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As deepfakes sexuais são imagens ou vídeos de nudez criados com inteligência artificial sem o consentimento das pessoas retratadas. A tecnologia manipula o rosto das vítimas em conteúdos falsos, configurando grave violação de privacidade e da dignidade humana.
O estudo começou em 2023, com base no monitoramento de notícias, e conta com apoio do fundo SafeOnline, gerido pelo Unicef. O relatório completo será lançado em março. Segundo a entidade, as denúncias de crimes cibernéticos aumentaram 28% em 2025.
TODAS AS VÍTIMAS SÃO MULHERES
De acordo com a pesquisadora da SaferNet, Sofia Schuring, todas as vítimas identificadas são mulheres, entre alunas e professoras. O estado de São Paulo lidera o ranking, com 51 casos, seguido por Mato Grosso (30), Pernambuco (30) e Rio de Janeiro (20).
O levantamento também identificou 60 autores envolvidos na produção e disseminação dos conteúdos falsos.
CENTRAL DE DENÚNCIAS RECEBEU 264 LINKS
Além do monitoramento por notícias, a SaferNet opera a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos. Desde 2023, o canal recebeu 264 links relacionados a deepfakes sexuais não consentidos e a materiais artificiais de abuso sexual infantil.
Segundo a pesquisadora, 125 desses links continham imagens reais de abuso sexual infantil. Outros 8% apresentavam conteúdos artificiais de exploração sexual, além de ferramentas de criação ou grupos voltados à disseminação desses materiais.
A central também registrou dez casos de deepfakes envolvendo adultos e 20 ocorrências de vazamento de imagens íntimas reais, sem uso de inteligência artificial.
REDES CRIMINOSAS ATUAM DE FORMA ORGANIZADA
De acordo com a SaferNet, os grupos responsáveis por esses crimes operam de maneira estruturada, sustentados por três pilares: bots de notificação, plataformas de mensagens como o Telegram e fóruns na dark web.
Segundo Sofia Schuring, essas redes se aproveitam de falhas na governança das plataformas digitais e da fragilidade do sistema de fiscalização. Para enfrentar o problema, a entidade defende o banimento das ferramentas de notificação e a chamada “asfixia financeira” das redes criminosas.
COMO DENUNCIAR CRIMES CIBERNÉTICOS
Denúncias sobre abuso sexual infantil, deepfakes sexuais e outros crimes de ódio podem ser feitas de forma anônima pela Central Nacional de Denúncias da SaferNet Brasil. O canal recebe informações sobre links, perfis e conteúdos ilegais para análise e encaminhamento às autoridades.