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CASA DO IDOSO

Diretora explica trabalho da entidade e faz apelo ao Poder Público

25 junho 2011 - 18h27

Daniel Lélis
Da Redação


Dia 17, o Portal O Norte publicou matéria sobre a situação da Casa do Idoso Sagrado Coração de Jesus, localizada no Bairro São João, em Araguaína. Na ocasião, o repórter Stoff Vieira, que não faz mais parte da equipe do site, pontuou, com base em uma denúncia recebida, supostas irregularidades envolvendo o espaço.

Em entrevista concedida nesta sexta-feira, 25, Adriana Soares Godói, diretora da Casa do Idoso, esclareceu alguns dos pontos abordados na matéria. Ela explicou como funciona a entidade, quais os desafios enfrentados e fez um apelo emocionado ao Poder Público e à sociedade em geral para que contribuam com os trabalhos desenvolvidos pela instituição.

Sobre a entidade
De acordo com Godói, a Casa do Idoso existe há mais de duas décadas e atualmente é mantida apenas com a ajuda da comunidade: “A instituição tem mais de 24 anos de história. Sua atuação é fiscalizada em todos os níveis: federal, estadual e municipal e contamos com visitas freqüentes da Vigilância Sanitária. Atendemos a idosos vindos não só de Araguaína, como de toda a região. São 34 ao todo. Tentamos dar a eles, dentro das nossas limitações, condições para que possam viver com dignidade. Infelizmente, o apoio que temos do Poder Público é insuficiente. Hoje a entidade sobrevive somente em razão da solidariedade da comunidade, que ajuda, doa, faz a sua parte”, explicou.

Orçamento comprometido
Segundo Godói, diferente do que consta na reportagem do dia 17, a Casa não recebe cerca de R$ 18.000,00 mil reais oriundos das aposentadorias dos idosos atendidos. “Na verdade, o valor recebido através das aposentadorias não passa de R$ 15.000,00, uma vez que temos que repassar, como manda a lei, uma porcentagem do valor do benefício para o aposentado”, contou ela, que também ressaltou: “É importante mencionar que nem todos os idosos que atendemos são aposentados e muitos que são tem boa parte do benefício comprometido com empréstimos e afins”.

Sobre o orçamento da entidade, a diretora explicou: “O dinheiro que temos mal dá para custear as despesas contraídas todos os meses. São R$ 10.900,00 gastos com funcionários, cerca de R$ 1.800,00 de energia elétrica, mais de R$ 1.300,00 com medicamentos; fora os gastos com alimentação, já que servimos em média 6 refeições diárias para os idosos, levando em conta a necessidade de cada um”.

Funcionários
No que diz respeito à quantidade de profissionais que trabalham na Casa do Idoso, Godói informou: “Temos 21 colaboradores trabalhando aqui. Diferente do que afirmou Stoff Vieira na reportagem, temos mais de um técnico de enfermagem. Um para cada período do dia: manhã, tarde e noite. E não são os faxineiros que dão banho nos idosos, são os cuidadores. Quatro pela manhã e dois na parte da noite. Além disso, temos uma fisioterapeuta, que é cedida pelo Estado além de um guarda e uma lavadeira, cujos serviços foram cedidos pela Prefeitura. Em termos gerais, dos 21 funcionários, 19 são mantidos com recursos próprios da Casa do Idoso”.

Omissão do Poder Público
A diretora reclama da omissão do Poder Público para com a entidade. “Faz mais de um ano que a Casa do Idoso não recebe um real do Poder Público”, contou ela referindo-se ao convênio que a entidade recebia do governo estadual, que completou dizendo: “Assim que o Gaguim assumiu, o convênio com a Secretaria de Trabalho e Assistência Social (Setas) foi suspenso”, assegurou.

De qualquer maneira, conta ela, “se pegasse o dinheiro repassado pela Secretaria e dividisse pela quantidade de idosos atendidos pela Casa e o número de meses de um ano daria em média R$ 32,00 para cada um, o que é insignificante diante das necessidades de cada um deles”.

Ainda segundo Godói, a Casa teria feito solicitação a Câmara Municipal de Araguaína para que disponibilizasse um veículo a entidade. Todavia, afirmou ela, "até hoje não recebeu nenhuma resposta dos vereadores". Segundo ela, são cerca de RS 400,00 pagos todos os meses para  um táxi fazer o transporte dos idosos atendidos pela entidade.

De acordo com Cristina Fernandes Garcia, conselheira fiscal da Casa, que também falou com a nossa reportagem, a maioria dos políticos só aparecem na instituição em tempo de campanha eleitoral: “É importante que os políticos não venham aqui só em época de eleições, mas abram os olhos para as necessidades destas pessoas e vejam a importância de ajudá-los através de ações constantes e efetivas”, denunciou ela.
 
Apelos
Ao final da entrevista, muito emocionada, Adriana Godói fez um apelo ao Poder Público e à sociedade como um todo para que contribuam, não apenas financeiramente, com os trabalhos da Casa: “Não importa o tamanho, nem o valor da sua ajuda, mas que você o faça de coração e não precisa doar só coisas materiais, não. Doe um pouquinho do seu tempo, vá à Casa do Idoso, colabore oferecendo um pouco de carinho, atenção, amor. Os idosos são muitos carentes e eles vão adorar recebê-lo”.

Valdinei de Araújo, técnico de enfermagem que trabalha na Casa do Idoso, faz outro apelo: “É fundamental que as pessoas antes de criticarem o nosso trabalho, de condená-lo como aconteceu, conheçam-no, percebam o tamanho das nossas dificuldades e o quão grande é a nossa vontade de ajudar, de contribuir, de fazer dar certo”.

 

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