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CELTINS

Sindicato culpa falta de treinamento por mortes de trabalhadores

19 julho 2011 - 09h01

Daniel Lélis
Da Redação

 

Em entrevista exclusiva concedida ao Portal O Norte, representando Sérgio Fernandes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Eletricidade do Tocantins (Steet), Celma Moreira, explicou as razões que levaram os funcionários da Enecol e da Selvat, empresas que prestam serviços a Celtins, a decretarem greve ontem, 18. A representante da entidade contou quais as reinvindicações da categoria e denunciou a falta de treinamento dos profissionais que paralisaram as atividades.

Dimensão da greve
De acordo com Celma Moreira, praticamente todos os funcionários da Selvat e da Enecol no Tocantins aderiram a greve. “Aqui em Araguaína, 88 profissionais paralisaram as atividades, o que corresponde a quase a totalidade dos funcionários das empresas na cidade. Contudo, a paralisação abrange os trabalhadores da Selvat e Enecol das principais cidades do Estado”, contou ela.

Reivindicações
Sobre as reinvindicações formuladas pelos grevistas, Moreira informou: “Estamos pedindo um aumento salarial em torno de 15%, assistência médica para os colaboradores, Vale Alimentação e melhorias nas condições de trabalho”.

Segundo a representante da Steet, em outros estados, funcionários de empresas terceirizadas que prestam serviços a companhias como a Celtins receberiam benefícios que não são oferecidos no Tocantins. “O piso salarial de um eletricista é de R$ 716,00, mais 30% de periculosidade, o que corresponde a uma remuneração que nunca passa dos R$ 850,00 por mês. É um valor muito baixo, que precisa ser revisto”, explica Moreira, que completa: “Em outros Estados, diferente do que ocorre no Tocantins, os funcionários das terceirizadas recebem tratamento semelhante aos daqueles que trabalham diretamente na companhia de energia elétrica”.

Revisão contratual
Ainda de acordo com Moreira, foram realizadas quatro reuniões com o sindicato dos empregadores a fim de buscar uma solução para os problemas enfrentados pelos trabalhadores. Contudo, conta ela, não houve acordo. “Como não chegamos a um acordo com o Sindicato que representa os empregadores e não recebemos qualquer apoio por parte da Celtins, a única alternativa que nos restou para pressionar por mudanças foi cruzar os braços nestes dois dias de greve”, destacou.

Para Moreira, é necessário que seja operado imediatamente modificações no contrato entre as empresas terceirizadas e a Celtins. “É preciso rever algumas de suas cláusulas, uma vez que nos moldes atuais, fica impossível as terceirizadas repassarem os benefícios pleiteados”.

Falta de treinamento e mortes
A secretária da Steet chamou a atenção para um sério problema pelo qual passam os eletricistas das empresas terceirizadas da Celtins. De acordo com ela, de um ano para cá, quatro trabalhadores morreram em serviço no Estado. A culpa, conta, seria da falta de treinamento dos profissionais. “Infelizmente, menos de um ano para cá, quatro profissionais perderam a vida quando estavam trabalhando. Isso prova que as equipes estão em campo sem o devido treinamento”, afirmou.

Perguntada se alguma das mortes teria ligação com a falta de equipamentos de segurança, Moreira informou desconhecer que a ausência de EPI (Equipamento de Proteção Individual) e EPC (Equipamento de Proteção Coletiva) tenha sido responsável pelas fatalidades.

Paralisação por tempo indeterminado
Segundo Moreira, na recusa da Celtins em atender as reivindicações da Steet, a entidade estudará a possibilidade de paralisar as atividades em caráter permanente. “Por enquanto paralisamos apenas durante dois dias. Entretanto, na hipótese de não haver acordo, estudaremos a possibilidade de parar os serviços permanentemente”, ressaltou.

 

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