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ARAGUAÍNA

Preços dos combustíveis podem ser influenciados por rede de postos

12 agosto 2011 - 09h12

Dágila Sabóia
Da Redação


Araguaína é uma das cidades do Estado que possui o maior número de postos de combustível por habitantes. De acordo com o Sintraposto (Sindicato dos Trabalhadores em Postos de Combustíveis no Estado do Tocantins), são mais de 30 postos em funcionamento na cidade, que conta com uma frota de aproximadamente 80.000 veículos em tráfego.


Teoria X Prática
Na teoria, com uma média de 2.600 veículos por posto, o número expressivo de estabelecimentos ativos na cidade deveria de fato influenciar numa concorrência acirrada entre estes para conquistar clientes, só que na prática, a realidade é bem diferente, como já vem mostrando as reportagens do Portal O Norte baseado nas pesquisas de preços de combustíveis dos últimos dias. (Veja mais clicando aqui).

Monopólio
Desconfiados, os próprios consumidores suspeitam da existência da prática de Cartel em Araguaína. Segundo eles, existem fatores que podem influenciar de forma direta nesta suposta tabelação de preços: “Tem uma rede de postos aqui na cidade mesmo, que é tudo de uma só família, aí meu amigo, fica fácil combinar como é que vai vender o álcool, a gasolina...”, diz ironicamente o assistente Administrativo, Antônio Marques, 39 anos.

O motorista aponta a rede de postos Ipanema que possui aproximadamente dez  postos instalados na cidade.

Novos postos
Outro fator questionável pela população diz respeito à instalação de mais postos de combustíveis na cidade: “Eu não sei direito, mas parece que tem uma lei que proíbe a construção de postos, mas o que a gente vê é inauguração pra todo lado!”, comenta o vendedor Gilvan da Silva, 32 anos.

Novos estabelecimentos deste seguimento continuam sendo instalados na cidade, em detrimento da Lei Municipal nº 2646/2009 que entrou em vigor em 16 de outubro de 2009 e trata da proibição de instalação de postos no município.

Sobre a Lei
Através de ofício encaminhado para a Secretaria de Administração, o Portal O Norte obteve a cópia da referida Lei que foi proposta pelo Executivo e teve aprovação unânime da Câmara Municipal.

Segue abaixo um trecho da lei que trata desta proibição:

"Art. 172. (...)
 §1º. Fica vedada a instalação de postos de gasolina a menos de 2.000m (dois mil metros) de distância de escolas, creches, quartéis, hospitais, casas e centros de saúde, instituições de ensino superior, "shopping centrers", ginásios poliesportivos, estádios de futebol, praças públicas, outros postos de gasolina já instalados, supermercados assim como locais que possam aglutinar grande concetração de pessoas
".

Em entrevista ao Portal O Norte, o vereador e presidente da Câmara, Elenil da Penha (PMDB), afirmou que os parlamentares votaram a favor da Lei “entendendo a relevante preocupação voltada para a questão ambiental bem como da segurança da população” e explica que os postos que hoje estão sendo instalados na cidade tiveram a liberação pra sua construção antes da aprovação da Lei, portanto, estes podem funcionar com inteira legitimidade.

Estranheza
A forma como a Lei foi elaborada e aprovada causa uma certa estranheza, já que a mesma só tem vigor pelo período de quatro anos, o que poderia supor motivações políticas para sua sanção e até mesmo um grupo específico a ser beneficiado com a decisão. A pergunta que fica no ar é: Porque não aprovar por tempo indeterminado, já que o motivo de sua execução seria a responsabilidade social e ambieltal ou será que a sociedade e o meio ambiente só necessita de proteção por quatro anos?

Indignação
Com todas estas questões girando em torno da alta dos combustíveis encerramos a matéria apresentando um dos comentários que refletem a revolta e insatisfação dos araguainenses sobre o assunto:

Absurdo o que esses empresários fazem nesta cidade, uma verdadeira palhaçada com o cidadão, um dia a gasolina está um preço, no dia seguinte R$ 0,10 mais cara. Mas como isso??? Se não houve aumento nos fornecedores??? E ainda combinam os preços. Enganam o cidadão e fica por isso mesmo. É preciso que os órgãos sérios verifiquem o que está acontecendo”. [Valdemi Reis (11/08/2011)]
 


* Cartel
O cartel é uma prática ilegal em que empresas estabelecem acordos entre si para promover o domínio de determinada oferta de produtos e/ou serviços. A forma mais conhecida é caracterizada pela combinação e manipulação de preços que inviabilizam a concorrência leal.

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