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Bilhete ameaçador é encontrado dentro de mochila de estudante indígena da UFT: "Índio não tem vez aqui"

19 junho 2019 - 14h07

Uma jovem indígena que estuda no campus da Universidade Federal do Tocantins (UFT), em Araguaína, Norte do Estado foi alvo de discriminação e ameaça. A denúncia foi encaminhada ao Portal O Norte.

O caso aconteceu nesta terça-feira (18) quando Raiane de Sousa Guarani, estudante do 1º período do curso de Gestão em Cooperativas, encontrou dentro de sua mochila, um bilhete com conteúdo ameaçador.

No bilhete escrito à mão estava descrita a seguinte mensagem: “Índio não tem vez aqui na UFT. Vou tirar todos os índios do meu caminho”.

O bilhete aponta tanto Raiane quando outro estudante indígena como alvos da ameaça: “Primeiro vai ser Raiane e Kaina, fica esperto”.


(Divulgação)

Kainan Kandionan Karajá é acadêmico do 1º período do curso de Gestão em Logística.

Revoltados com a ação criminosa, estudantes indígenas saíram em defesa do direito constitucional e se uniram em um ato de protesto no Hall do Bloco H da universidade no setor Cimba na manhã desta quarta-feira (19).


(Divulgação)

"É lamentável que esse tipo de situação ocorra em nossa sociedade e ainda mais dentro de uma universidade que tem como propósito a pluralidade de ideias, crenças e classes sociais", destacou a professora Elisãngela Melo em entrevista ao Portal O Norte. Ela dá aulas de Matemática na UFT e também atua há mais de 10 anos como tutora do Programa de Saberes Indígena na universidade.

A tutora disse que tomou conhecimento da situação através dos próprios estudantes e decidiram juntos realizar uma manifestação. “O objetivo da iniciativa foi pedir respeito e propagar a conscientização contra o preconceito em todas as suas formas”.

Diante do fato, a estudante acompanhada de outros colegas e da tutora Elisãngela Melo, compareceram até a sede da Polícia Federal em Araguaína para registrar um Boletim de Ocorrência: "Só pedimos respeito às diferenças e esperamos que o caso seja levado às instâncias competentes para que não passe impune".

A professora que também atua como integrante do Comitê de Ações Afirmativas da Universidade representando o campus de Araguaína, entrou com um pedido junto ao comitê para a abertura de um processo administrativo para apurar a denúncia. O grupo de Direitos Humanos da UFT em Araguaína também foi acionado para acompanhar o caso.

A Funai já foi informada sobre o assunto e o cacique da aldeia dos Karajás de Xambioá também está a par da situação, agora esperamos o desfecho no âmbito da UFT”, disse a educadora.

Em nota de repúdio, o Comitê de Ações Afirmativas lamentou o fato manifestando apoio aos indígenas.

A Comissão de Direitos Humanos da UFT manifestou repúdio à ação criminosa e garantiu que atuará junto com a direção do campus na investigação dos fatos.


O Portal O Norte procurou a assessoria de comunicação da UFT em Araguaína para falar sobre o assunto e aguarda esclarecimentos. 

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