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TOCANTINS

Caminhoneiro com morte suspeita de Covid-19 será cremado sem a presença da família

22 março 2020 - 19h46Por G1 Tocantins

"Não teve como me despedir, não pude dar um abraço". As palavras são do engenheiro agrônomo Derli Müller, de 29 anos, filho do caminhoneiro Ancelmo Müller, de 55, que morreu com suspeita de coronavírus, no Hospital Regional de Porto Nacional, na noite deste sábado (21). Por causa da pandemia que se espalhou pelo pais, o velório não será realizado em Jacutinga, no Rio Grande do Sul, onde a família mora. O corpo deve ser cremado no Tocantins, segundo a família.

Até a manhã deste domingo (22), o governo confirmou dois casos. Outros 79 casos suspeitos eram acompanhados e 17 foram descartados. A morte do caminhoneiro ainda está sendo investigada pela Secretaria Estadual da Saúde. O resultado do exame ainda não foi divulgado.

No dia 12 de fevereiro, Ancelmo pegou o caminhão e saiu de Jacutinga em direção ao Tocantins. O filho lembra que há 10 anos, o pai fazia o mesmo trajeto. Ele tinha amigos em Silvanópolis, no interior do estado, e ia até a região para transportar até os silos a soja colhida nas fazendas.

"Quando eu liguei na quinta-feira [dia 18 de março], ele me falou que estava com febre. Um bichinho tinha mordido ele, pensamos que até era um escorpião e achamos que a febre poderia ter sido por isso. Lá na fazenda onde ele estava, ele tinha pouco acesso à informação, lá quase não pega sinal de telefone. Meu pai não sabia direito o que estava acontecendo, a proporção que a doença tinha tomado. Eu até expliquei para ele", comenta o filho.

Derli disse que falou para o pai ir até uma farmácia comprar remédios para controlar a febre. Ancelmo também tinha diabete e os remédios que ele tomava havia acabado. "Eu conversei com ele na sexta-feira, no momento ele estava comprando remédio, depois não conseguimos mais contato", contou.

 

Derli e o pai, Ancelmo Müller, no Rio Grande do Sul — Foto: Arquivo Pessoal

Depois disso, Derli recebeu telefonema da unidade de saúde de Silvanópolis, onde o caminhoneiro foi internado. Por causa dos sintomas de febre, tosse e desconforto respiratório, ele foi encaminhado para o Hospital Regional de Porto Nacional. "O isolamento foi muito rápido, a gente não conseguiu se comunicar com ele porque o celular dele tinha acabado a bateria. Ficamos angustiados, sem saber muitas notícias".

A notícia da morte foi dada na madrugada deste domingo (22). Derli disse que a família tem esperanças de que não seja coronavírus. "Estamos torcendo para que não seja, justamente porque ele teve contato com muitas pessoas, nos preocupamos com isso".

O engenheiro informou também que um amigo do pai está providenciando os documentos para que o corpo seja cremado no Tocantins, até porque velórios estão proibidos na cidade do Rio Grande do Sul, onde a família vive.

"A gente espera que quando a situação seja normalizada, conseguimos buscar a urna com as cinzas para velar na nossa cidade. Foi uma fatalidade, meu pai não vai voltar, mas podemos contribuir para que a doença não se alastre mais", disse.

Derli era muito apegado ao pai. Lembrou que sempre gostava de viajar com Ancelmo no caminhão. "Meu pai viajou no dia 12 de fevereiro. Por causa disso, ele não participou do dia de campo, que é realizado pela empresa na qual trabalho, no dia 13. Eu não pude me despedir dele, não pude dar um abraço", finalizou.

Secretaria Estadual da Saúde
A Secretaria Estadual de Saúde disse que as amostras do paciente tinham sido colhidas pelo município de Silvanópolis, já que o quadro estava dentro dos critérios para casos suspeitos do novo coronavírus. Além disso, ele já estava dentro da lista do último boletim de acompanhamento divulgado pelo governo.

O município de Silvanópolis fará monitoramento das pessoas que estiveram em contato com o paciente antes da internação e repassará as informações ao Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde, segundo informou a secretaria.

 

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