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LEVANTAMENTO IBGE

Cerca de 220 mil pessoas passaram fome no Tocantins entre 2017 e 2018

19 setembro 2020 - 11h39

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que a insegurança alimentar grave esteve presente no lar de cerca de 73 mil tocantinenses (4,8%) ao menos em alguns momentos entre 2017 e 2018. Do total de domicílios do estado, 45,5% estavam com algum nível de insegurança alimentar, atingindo, aproximadamente 750 mil pessoas. É o que retrata a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018: Análise da Segurança Alimentar no Brasil, divulgada nesta quinta-feira, 17.

“Quando um domicílio tem insegurança alimentar grave, há uma restrição maior de acesso aos alimentos, com uma redução da quantidade consumida para todos os moradores, inclusive crianças, quando presentes. E nesses lares pode ter ocorrido a fome, situação em que pelo menos alguém ficou o dia inteiro sem comer um alimento”, explica o gerente da pesquisa, André Martins.

De acordo com a pesquisa do IBGE, 54,4% (cerca de 263 mil) dos domicílios do Tocantins estavam em situação de segurança alimentar entre 2017 e 2018. Os demais (45,6% ou aproximadamente 221 mil) estavam com algum grau de insegurança alimentar, sendo: 30,3% leve, 10,5% moderada e 4,7% grave.

Já em relação a população residente no estado, 51,1% (cerca de 785 mil) eram moradores de domicílios com segurança alimentar, enquanto 48,8% (750 mil) habitavam em lares com alguma insegurança alimentar (IA), assim distribuídos: 32,2% dos tocantinenses estavam em domicílios com IA leve, 11,8% com IA moderada e 4,8% com IA grave.

Na comparação com 2013, a última vez em que o tema foi investigado pelo IBGE, na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), a prevalência de insegurança quanto ao acesso aos alimentos aumentou nos lares tocantinenses. A insegurança aparecia em 37,5% dos domicílios do estado na PNAD 2013. Mas em 2017-2018, houve uma piora, subindo para 45,5%.

Cenário nacional

A POF 2017-2018 estimou a existência de 68,9 milhões de domicílios particulares permanentes no Brasil. Dentre esses, 63,3% (43,6 milhões) estavam em situação de segurança alimentar, enquanto os outros 36,7% (25,3 milhões) estavam com algum grau de insegurança alimentar: leve (24,0%, ou 16,4 milhões), moderada (8,1%, ou 5,6 milhões) ou grave (4,6%, ou 3,1 milhões). Esse cenário foi proporcionalmente mais expressivo nos domicílios na área rural: lá, a proporção de IA grave foi de 7,1% (676 mil domicílios), acima do verificado na área urbana (4,1%, ou 2,5 milhões de domicílios).

A insegurança alimentar aparece de forma desigual entre as regiões. As prevalências no Norte (57,0%) e Nordeste (50,3%) indicam que menos da metade dos domicílios dessas regiões tinham acesso pleno e regular aos alimentos. Os percentuais de insegurança eram menores no Centro-Oeste (35,2%), Sudeste (31,2%) e Sul (20,7%).

Norte (10,2%), Nordeste (7,1%) e Centro-Oeste (4,7%) tinham os maiores percentuais de domicílios onde a fome esteve presente em pelos menos alguns momentos do período de referência de 3 meses. A prevalência de IA grave do Norte era cerca de cinco vezes maior que a do Sul (2,2%).

Entenda a pesquisa

A Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), aplicada na POF, classifica os domicílios de acordo com seu nível de segurança quanto ao acesso aos alimentos em quantidade e qualidade. A condição de segurança alimentar reflete o pleno acesso dos moradores dos domicílios aos alimentos, tanto em quantidade suficiente como em qualidade adequada, de tal modo que a pessoa entrevistada sequer relata preocupação ou iminência de sofrer qualquer restrição alimentar no futuro próximo.

Em relação à insegurança alimentar, os domicílios podem ser classificados em três níveis: leve, moderado e grave. Na insegurança alimentar leve há preocupação com o acesso aos alimentos no futuro e já se verifica comprometimento da qualidade da alimentação, ou os adultos da família assumem estratégias para manter uma quantidade mínima de alimentos disponível aos seus integrantes.

Nos domicílios com insegurança alimentar moderada, os moradores, em especial os adultos, passaram a conviver com restrição quantitativa de alimentos no período de referência. O nível de insegurança alimentar grave significa que houve ruptura nos padrões de alimentação resultante da falta de alimentos entre todos os moradores, incluindo, quando presentes, as crianças.

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