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CAOS NA SAÚDE

Com falta de médicos e servidores sobrecarregados no HRA; MPE prevê colapso e aciona a Justiça

28 maio 2020 - 19h56Por Redação

Profissionais que atuam no Hospital Regional de Araguaína (HRA) estão sobrecarregados devido ao desfalque de médicos, enfermeiros e técnicos afastados após serem diagnosticados com o novo Coronavírus. Servidores procuraram nossa reportagem para reclamar dessa situação. Pra complicar ainda mais, a diretoria técnica da unidade já se manifestou em ofício ao Ministério Público do Tocantins afirmando que a partir do próximo mês, a situação deverá ficar caótica no setor de atendimento a pacientes com Covid-19. Diante do cenário hospitalar, o órgão ajuizou uma ação na Justiça para obrigar o Governo do Estado a disponibilizar profissionais suficientes para atender a demanda no HRA. 

A denúncia

Um exemplo do caos enfrentado por profissionais no HRA, é a denúncia encaminhada ao Portal O Norte, relacionada à UTI 2 onde estão internados pacientes em tratamento por outros tipos de enfermidades. Segundo informação repassada ao site, o setor está com sua capacidade de lotação quase no limite. Dos 10 leitos, 9 estariam ocupados sendo que destes, 2 pacientes estariam prontos para receber alta, contudo não haviam médicos para assinar a liberação. 

Conforme um dos servidores que conversou com nossa equipe e preferiu não se identificar, três médicos estariam afastados de suas funções bem como 7 técnicos de Enfermagem, não havendo uma substituição dos membros da equipe, resultando na sobrecarga da escala de trabalho. 

A denúncia também aponta para as precárias condições de trabalho na unidade. "O ar-condicionado não está funcionando de forma eficiente, pacientes conscientes estão se queixando do calor e a gente sabe que num setor de UTI é importante manter uma temperatura moderada, não pode estar quente para evitar a proliferação de bactérias", alerta. 

Sobre as reclamações feitas pelos profissionais, o Portal O Norte procurou a Secretaria Estadual da Saúde (SES) para esclarecimentos, mas até o fechamento desta matéria o governo ainda não havia se manifestado sonbre o assunto. 

Ação Judicial

O caos no hospital também atinge o pacientes diagnosticados com o novo Coronavírus. É o que aponta o MP, que diante da iminente paralisia dos atendimentos nos leitos clínicos e de UTI Covid-19, afirmou hoje que encaminhou nesta quarta-feira, 27, um novo requerimento à Justiça Estadual reiterando o pedido de antecipação de tutela para obrigar a gestão estadual a disponibilizar profissionais de saúde capacitados e em quantidade suficiente para atendimento das demandas na referida unidade hospitalar.

Um ofício da Diretoria Técnica do HRA entregue à 5ª Promotoria de Justiça de Araguaína confirmou que, a partir do mês de junho, haverá desfalque de médicos nos plantões em 10 leitos de UTI Covid-19 atualmente em funcionamento, bem como nos leitos que deverão ser instalados para tratamento dos pacientes infectados com o novo coronavírus. Conforme foi informado, as escalas de plantões 24 horas para os leitos Covid-19 já estão funcionando de forma precária, com somente um plantonista, mesmo o MPTO já tendo reivindicado na ação a adequação das equipes médicas.

Segundo consta no documento da Diretoria Técnica do HRA, alguns médicos pediram exoneração e estavam trabalhando cumprindo aviso prévio, enquanto outros foram afastados por se enquadrarem no grupo de risco, amparados por decreto estadual. De acordo com os promotores de Justiça que atuam no caso, a situação é muito crítica e chegou ao ponto de não haver nenhum médico para a escala de quatro plantões no mês de junho para UTIs Covid.

O desfalque nos plantões também se estenderá no atendimento de outros leitos clínicos, com diminuição da quantidade de médicos na escala e, em alguns casos, até mesmo ausência total, em plantões nas salas Verde, Amarela e Vermelha do HRA.

O Ministério Público ressalta que a situação já foi reportada à SES, para adoção de medidas administrativas como a contratação de novos profissionais ou remanejamento de médicos de outras unidades de saúde para atendimento temporário no Hospital.

Para os promotores de Justiça, a omissão do poder público nesse caso pode gerar a suspensão do atendimento nas UTIs Covid-19 no HRA e a transferência de pacientes para outras unidades de saúde, agravando a situação de atendimento aos pacientes com a Covid-19 em Araguaína.

*Com informações do MP

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