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"QUERO JUSTIÇA!"

Criança morre após receber medicação na UPA e mãe denuncia provável erro médico

30 maio 2021 - 21h43Por Redação

"Perdi minha única filha e quero justiça!", foi o que clamou em entrevista à nossa reportagem a jovem M.C.N. de 17 anos que viu a própria filha morrer em seus braços horas depois de ser medicada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em Araguaína no Norte do Tocantins. 

Lunna Vitória Nogueira Guedes tinha apenas 10 meses de idade e segundo a mãe, era uma criança saudável, mas há cerca de 4 dias adoeceu. "Ela não estava com febre mas a respiração era fraca e ela tava cansadinha. Como não melhorava resolvi levar ela na UPA pra ver o que estava acontecendo", disse a mulher explicando que a pequena deu entrada por volta da meia noite desse domingo (30), na unidade onde ficou até umas 4h da madrugada. 

Na UPA a mãe relata que a médica plantonista avaliou superficialmente a criança e disse que Lunna poderia estar sentindo dor de dente ou gases. "Ela só colocou um aparelho no ouvido dela, não pediu exame nem  nada", disse a jovem.

Na sequência, a profissional receitou, um remédio para gases e duas injeções sendo uma de dipirona sódica e outra que ela não recorda o nome. A mãe conta que a menina recebeu as injeções no bumbum e em seguida foi liberada para ir para casa. 

A jovem mãe disse que depois de ser medicada ao invés de melhorar Lunna piorou, surgindo manchas roxas nos olhos e pelo corpo e ela começou a vomitar e dar convulsão. Desesperada, ela conta que por volta de 10h, retornou para a UPA com a filha que ela acredita ter falecido antes mesmo de chegar na unidade de novo: "Entreguei ela nos braços dos profissionais de lá e minutos depois recebi a pior notícia da minha vida: que minha menina tinha falecido", disse chorando: "É muita dor, é muita dor, minha única filhinha!".

Com a notícia do falecimento de Lunna, a mãe ficou em desespero e disse que iria chamar a Polícia Militar e a imprensa porque a filha dela morreu depois de ser medicada com a receita passada pela médica que atendeu e por isso ela levantou a suspeita de erro médico, porém ela conta que foi induzida pelos servidores da UPA a não fazer isso, afirmando que a criança apresentava indícios de abuso sexual, fato que foi descartado pela equipe legista do Instituto Médico Legal (IML), para onde o corpo da criança foi levado após a confirmação do óbito. 

A PM chegou a ir até a UPA  após receber a informação de que a família do bebê estava provocando tumulto, mas quando a equipe chegou na unidade não havia mais confusão. Posteriormente a ocorrência foi registrada e os militares ouviram a mãe, servidores da UPA e também do IML.  

De acordo com informações apuradas por nossa reportagem através do IML, a suspeita preliminar do legista é de que Lunna estava com Calazar, fato que só deve ser confirmado após sair o resultado do exame pericial de fragmentos coletados do pulmão, baço e fígado da pequena. 

Depois que o corpo de Lunna foi levado para o IML, a família procurou a Delegacia de Plantão para registrar a ocorrência.

"A médica falou que era só uma dorzinha que podia ir pra casa e eu confiei, eu acreditei, porque era uma médica dizendo e tá aí, minha filha morreu e eu tô sem chão, sem acreditar. Eu quero saber o que aconteceu com minha filha e eu quero que a justiça seja feita!", disse inconsolável.

O corpo de Lunna está sendo velado em uma igreja no setor Itaipú, perto de onde ela morava com os pais. A bebê será sepultada nesta segunda-feira (31), no cemitério São Lázaro. 

O Portal O Norte procurou o Instituto Saúde e Cidadania (Isac), responsável pela gestão da UPA para prestar esclarecimentos sobre o caso. Em nota, a UPA informou que a criança teria recebido alta a pedido da mãe e confirmou que quando a menina voltou para unidade já estava sem vida. 

Sobre a nota da UPA, a mãe de Lunna nega que tenha pedido alta e garante que a decisão e comunicado partiu da própria médica que atendeu sua filha. 

O Isac destacou ainda que o caso será apurado pela Comissão de Revisão de Prontuário.

Confira a nota à seguir: 

Nota UPA

O ISAC- Instituto Saúde e Cidadania, responsável pela gestão da UPA do Araguaína Sul, lamenta profundamente a morte da paciente citada na reportagem e informa que a criança recebeu alta da unidade a pedido da mãe na madrugada deste domingo. E quando retornou no final na manhã do domingo para a UPA, a paciente já chegou em óbito.

O ISAC informa também que já solicitou todos os dados do prontuário para  a Comissão de Revisão de Prontuário faça a avaliação do caso.

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