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COVID-19

Entenda o risco real das variantes do novo Coronavírus: Delta e Delta Plus

03 julho 2021 - 10h31Por r7 Notícias

A variante Delta do novo coronavírus ativou alertas em todo o mundo devido à sua tendência de se tornar global em comparação com outras. Mas qual é seu risco real? Ela é mais letal e desafia as vacinas?

O diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou na sexta-feira (2) que esta linhagem particular do vírus, já detectada em 98 países, está fazendo a pandemia entrar em um momento "muito perigoso".

O biólogo e político etíope afirmou que a Delta "está se tornando rapidamente dominante" porque é mais contagiosa do que as variantes detectadas anteriormente e que "nenhum país é completamente seguro", porque ela pode continuar a sofrer mutações.

Entretanto, de acordo com especialistas consultados pela Efe, o alerta mundial decorre de uma questão de proporções populacionais - que mais uma vez põe em xeque muitos sistemas de saúde vulneráveis e em colapso -, e não do aumento da letalidade do vírus.

De onde vêm as variantes Delta e Delta Plus?

Julián Villabona-Arenas, pesquisador da London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM), disse à Agência Efe que a "variante Delta (B.1.617.2) foi detectada pela primeira vez na Índia em fevereiro", embora a OMS tenha dados sobre ela desde o final de 2020.

Os cientistas nomearam "uma versão ligeiramente diferente da variante Delta" como "Delta Plus", que, segundo Villabona-Arenas, tem "uma mutação adicional - a K417N - que afeta a proteína que se liga às células que infecta".

Sobre esta pequena variação, a Public Health England, a agência de saúde pública do Reino Unido, tem registros desta pequena variação desde pelo menos abril deste ano.

A OMS, como disse Tedros nesta sexta, chamou este conjunto como uma variante de preocupação, ou seja, uma linhagem de coronavírus que precisa de maior vigilância epidemiológica por causa de sua distribuição mundial.

São mais contagiosas? São mais letais?

Especialistas da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), afiliada da OMS nas Américas, responderam em uma transmissão ao vivo várias perguntas enviadas pela Efe sobre a evolução dessas variantes, especialmente em regiões em alerta como as Américas.

Jairo Mendez-Rico, assessor da OPAS sobre doenças virais, disse que "foi visto que as variantes se tornaram mais contagiosas", o que garantiu sua propagação bem sucedida em tantos territórios.

Entretanto, não são mais letais, nem causam sintomas diferentes.

"Não há evidência científica para dizer que é mais agressiva ou que está gerando mais mortes", disse ele, esclarecendo que se trata de uma questão de proporções.

"Se eu tiver mais pessoas infectadas, há uma maior probabilidade de que essas pessoas fiquem gravemente doentes e eventualmente morram, mas é um efeito de proporção, e não um efeito do vírus", acrescentou.

Mendez-Rico também destacou que há "algumas dúvidas sobre se a variante Delta está matando mais jovens, mas é simplesmente uma percepção".

"Como em muitos países começou-se a vacinar a população de maior risco, os idosos, então o vírus está se deslocando. E, nos jovens, que de fato estão relaxados com as medidas, o vírus está em movimento, e lá começamos a ver um grande número de pessoas infectadas. Não é porque o vírus está infectando mais jovens. Ele está se movendo porque estamos protegendo mais outras populações", argumentou.

Qual o risco real dessas variantes?

"A questão das variantes, de que temos ouvido falar há algum tempo, é uma questão normal dentro do processo de evolução e mutação do vírus, que vem acontecendo desde o início da pandemia", afirmou Mendez-Rico na transmissão da OPAS.

Segundo a OMS, este é um processo natural em uma doença viral, como já foi visto anteriormente com dezenas de variantes de outros vírus como a gripe comum, que, embora mais transmissíveis, não geraram mais riscos.

Entretanto, o alerta mundial atual não é infundado. Ele surgiu da incapacidade de múltiplos sistemas de saúde em várias regiões do mundo de suportar uma nova emergência de saúde, pois em muitos casos eles ainda estão em colapso.

Perguntado sobre se o surgimento dessas variantes prolongará a pandemia, Villabona-Arenas acredita que "muito provavelmente" isso acontecerá.

"Estas variantes estão causando uma onda global, aumentando novamente a pressão sobre todos os sistemas de saúde. Acelerar a vacinação é essencial neste momento", advertiu.

Em relação às Américas, segundo ele, existe "um risco significativo devido à parcela de adultos que não receberam sequer uma dose da vacina, portanto, essas variantes representam uma ameaça maior para os países com a menor cobertura vacinal".

Vacinas ainda são eficazes?

"Como (a Delta e a Delta Plus) são as variantes mais transmissíveis, a eficácia das vacinas para evitar contágios pode ser menor, mas não a eficácia na prevenção de internações e mortes, porque, no final é o mesmo vírus", esclareceu Heriberto García Escorza, diretor do Instituto de Saúde Pública do Chile, na transmissão da OPAS.

Mendez-Rico também disse que "a boa notícia é que até agora as vacinas que foram licenciadas são eficazes contra todas essas variantes".

"Algumas protegem melhor que outras, mas todas reduzem a possibilidade de doenças graves", afirmou.

"De qualquer forma, tanto a vacina da AstraZeneca como a da Pfizer geram amplas respostas de anticorpos e parecem ter um bom desempenho em termos de proteção contra doenças graves", disse Villabona-Arenas.

Cientistas sul-africanos relataram nesta sexta-feira que a vacina de dose única da Janssen também mostrou resultados positivos na África do Sul contra as variantes Delta e Beta.

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