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Por: Dom Pedro Brito

Planeta: um grito pela vida!

11 abril 2011 - 17h46

Até bem pouco tempo atrás, cientistas, ambientalistas, profetas, artistas e tantos outros grupos ensaiavam os primeiros acordes do grito de alerta contra a destruição do planeta terra: "o planeta está morrendo!" Agora este coro engrossou, pois, se junta a eles o grito da própria Igreja nesta Campanha da Fraternidade 2011: Fraternidade e Vida no Planeta! A criação geme em dores de parto!. 


É historicamente sustentável a tese, segundo a qual, desde a Revolução Industrial, por volta de 1730, o planeta terra está em crescente processo de aquecimento, enquanto que nas escolas da vida se ensina a antiga lição: "a natureza é inesgotável". Não é não. A natureza é esgotável como tudo nesta vida. Hoje esta tese está mais do que comprovada.

Paulo previu a criação em dores de parto (Rm 8,22). Hoje se desconfia se é realmente dor de parto ou simplesmente dor de morte. Dor de parto implica vida, enquanto que dor de morte sinaliza morte. O planeta terra não aguenta mais ser desfrutado como está, sem receber nada em troca. Tudo na vida é assim: uma mão dá e a outra recebe, "uma mão lava a outra".

Com a natureza não é diferente. Ela dá, mas quer também receber. Por isto, as ideologias do agronegócio, dos Ruralistas e dos Movimentos dos sem-terra devem ser contrabalançadas com a sabedoria franciscana da irmandade da criação. 
Queremos terras para plantar, colher, morar, comer e beber, mas também queremos terras para contemplar, amar e viver.

Queremos desenvolvimento, mas com sustentabilidade. Quem nada faz pela natureza não tem direito e autoridade depois para reclamar de excesso de chuvas, matos, lamas, buracos nas ruas, pobreza e fome de muitos tocantinenses, secas, poeiras, calor, queimadas, fumaças, piranhas mordendo banhistas... Depois não reclame se as flores do jardim da sua casa morreram todas e se os pássaros não cantam mais na sua manhã para lhe acordar...! 


O certo é que as condições de vida do planeta não são boas. Há gemidos, agonias e lágrimas. Podemos sentir o planeta gemer: aquecimento global, mudanças climáticas, catástrofes, inundações, secas, terremotos, maremotos, tufões, poluições, lixos, falta de esgotamentos sanitários, indústrias poluentes, queimadas, lamas, buracos, desmatamentos, etc, não podem ser considerados temas de canções de bêbados e nem utopias de profetas da desgraça. Interessante é que no meio da palavra "desmatamento", usada acima, está a palavra "mata", do verbo "matar".

Quem desmata, provoca dor, agonia, gemido, lágrima e mata.
Não somente o planeta geme em dores de parto, mas a própria humanidade derrama rios de lágrimas. Somos todos moradores de uma mesma casa. Se ocorrer uma catástrofe, em nível global, para onde iremos fugir?

Não há uma outra casa de reserva para alugar, comprar ou invadir. E para piorar ainda mais a dor de parto do planeta, digo, de morte, ainda assistimos, quase passivamente, a violência crescente, indiscriminação do uso das drogas, descriminalização do aborto, novas espécies de câncer, epidemias, endemias, dengue... "Tudo o que acontecer à terra acontecerá aos filhos da terra".


O que fazer? Qual a saída? Quais os tratamentos e os remédios? Bem, nesta quarta-feira de cinzas, dia 10 de março de 2011, período em que se inicia a Quaresma, nós teremos mais uma oportunidade de ouvir e de aceitar o convite de Jesus: "Convertei-vos e crede no Evangelho" (Mc 1,15).

Queremos um planeta saudável que emita gemidos de amor, alegria e esperança. Para isto, gostaria que este meu grito pela vida se transformasse em uma solene conclamação de todas as Paróquias, Comunidades, Pastorais, Associações e de todos os Movimentos e Organismos da nossa Arquidiocese, bem como da Sociedade civil organizada e de modo geral, a se unirem a nós neste grito para salvar o nosso planeta ameaçado de extinção.


Este nosso grito pela vida tem três ecos: primeiro, viver a Quaresma como um tempo de mudanças de hábitos e de estilos de vida; segundo, participar da abertura da CF-2011, no dia 11 de março; terceiro, colaborar com a Coleta da Solidariedade, inclusive, participando da campanha: Padrinho ou Madrinha da CF-2011. Busquem estas informações na sua Paróquia ou no site: www.arquidiocesedepalmas.com.br 
e juntem-se a nós num grito pela vida. O planeta terra agradece. Lembrem-se: Ser humano é ser solidário!

 

Dom Pedro Brito – Arcebispo de Palmas

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