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Por: Zacarias Martins

O primeiro atentado à bomba em Gurupi

06 julho 2011 - 18h12

Era uma bela manhã abril de 2004 e as ruas e avenidas do centro de Gurupi, estavam bastante movimentadas.

Desde aquela época tinha gente que fazia de tudo para aparecer (E não é que conseguia?). E de uma hora para outra, sem mais nem menos, ou mais mesmo, a nossa querida "Capital da Amizade" começava a se "integrar" de vez ao chamado circuito internacional da fama.

Pois bem, não é que a fervilhante indústria do boato forte tomou conta da cidade?

O assunto que dominava as rodinhas de amigos nos bares, na rua, nos salões de beleza e até mesmo na casa de "tolerâncias" de Madame Cotinha era de que Gurupi havia sido invadida por terroristas da Al-Qaeda, liderados por ninguém menos do que Osama Bin Laden.

De repente, a pacata gente de Gurupi foi surpreendida pela notícia de que haviam deixando uma bomba na agência da Caixa Econômica Federal, bem ali na avenida Goiás, no Centro da cidade.

Pânico geral!

A primeira providência tomada foi colocar um anúncio nas rádios de Gurupi, chamando algum corajoso eletricista – um possível especialista em "desligar" bombas -, para tentar resolver o problema. Isso tudo, antes mesmo de se encontrar a tal da bomba.

Minutos depois não tinha mais nenhum eletricista em Gurupi. Misteriosamente, todos haviam se mudado para outras cidades a milhares de quilômetros de distância ou "estavam doentes".

A Polícia Federal e Comando de Operações Especiais da Polícia Militar foram acionados. O local foi imediatamente evacuado. Várias ruas nas proximidades foram interditadas pelos policiais.

O número de curiosos aumentava. Todos queriam saber detalhes sobre a "operação". Foi chamada uma equipe de policiais especializados em lidar com artefatos bélicos. Até um pai de santo que passava pelo local foi consultado para opinar sobre tão delicado caso. Afinal, era a primeira vez que Gurupi vivia em clima de ameaça de atentado a bomba.

Um transeunte chegou a perguntar: - "Será que vai sair no Jornal Nacional?

O tempo ia passando. A procura da tal bomba continuava em todos os cantos da agência bancária e... nada!

Lá pelas tantas, encontraram uma caixa de papelão. A primeira vista parecia uma caixa "suspeita".

Com muito cuidado e devidamente paramentados, os policiais se prepararam para "desativar" o artefato. Quando finalmente conseguiram abrir a tal da caixa, descobriram que dentro dela havia sim, uma bomba, porém, era uma bomba d'água, da marca Anauger, que havia sido esquecida por um correntista distraído.

Segundo apurou-se mais tarde, esse mesmo correntista ao dar pela falta da bomba, apressou-se a ligar para o gerente da agência:

- "Senhor gerente, deixei uma bomba aí na agência!". - Teria dito o correntista - E antes que pudesse se explicar melhor a ligação foi interrompida e isso teria provocado a confusão que se generalizou.

Ao constatar que o caso não passara de um grande equívoco, as pessoas que curiosamente assistiam o desenrolar dos fatos, ficaram visivelmente decepcionadas por tudo não ter passado de muito barulho para pouca bomba.

Zacarias Martins é escritor e jornalista. E-mail: [email protected]

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