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IMPACTADOS PELA UHE

Formação do lago da Hidrelétrica Estreito provoca sérios impactos ambientais

11 março 2011 - 12h17

Alessandro Sachetti
Da redação

 

A cidade de Babaçulândia vem passando por grandes mudanças desde que o grupo CESTE, Consórcio Estreito de Energia, começou as obras para a construção da Usina Hidrelétrica de Estreito (UHE), as obras que foram iniciadas em 2002 previu a inundação de uma área total de 400km² que atingirá várias cidades da região, modificando o dia-a-dia e o panorama das cidades situadas às margens do Rio Tocantins.

Para que a obra da Usina Hidrelétrica fosse levada adiante foi preciso desapropriar uma grande área onde, além de imóveis urbanos e rurais que foram destruídos, atingiu também uma vasta área de mata nativa onde habitavam animais de diversas espécies e também patrimônios históricos tombados pelo IPHAN que é Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Ministério de Cultura. Quatro áreas de tribos indígenas foram atingidas, são elas: Khrikati e Gavião no Maranhão; Apinajé e Krahô no Tocantins.

Sobre vantagens específicas para a região
Mesmo sendo construída na divisa de Tocantins com Maranhão nada da energia produzida pela Hidrelétrica de Estreito será utilizada em nossa região, uma parte da energia produzida vai para o Plano Nacional de Energia e outra parte vai para as empresas do grupo CESTE, que consomem grande quantidade de energia elétrica em suas produções. Além disso, não haverá diminuição de nenhum centavo na conta de energia elétrica dos moradores do Tocantins que pagam uma das taxas mais caras do Brasil, que é o país com o maior valor da energia elétrica no mundo.

Impacto ambiental
Apesar de noticiar amplamente os cuidados com o meio ambiente em seu site e nos veículos de comunicação, o grupo CESTE que é formado pelas empresas: Alcoa Alumínio S.A. , Billiton Metais AS, Construtota Camargo Correa e Vale do Rio Doce, não cumpre exatamente o que declara. Sabemos que é uma vasta área que será inundada, para tanto a CESTE terceirizou empresas para diminuir o impacto ambiental causado pela Hidrelétrica, porém de forma ineficiente. O IBAMA sugeriu que a CESTE colocasse 45 barcos de resgate para cobrir a extensão dos 400km² que serão inundados, porém, existem hoje apenas 22 barcos à disposição.

Prova disso foi o ocorrido na tarde desta quinta-feira, 10, quando a equipe de reportagem do Portal O Norte foi acompanhar o surgimento do lago que foi formado exatamente ao lado da cidade de Babaçulândia e para nossa surpresa encontramos um veado do cerrado tentando atravessá-lo. Como não havia nenhuma equipe da CESTE ou de qualquer outra empresa prestadora de serviços no local, coube a nossa equipe resgatar o animal silvestre.

Depois de resgatado, exausto, o animal foi entregue aos cuidados da bióloga, Juliana Lopes Martins, funcionária da empresa NATURAE que presta serviços ao grupo CESTE e tem como papel acolher e resgatar esses animais que ficaram presos ou ilhados devido às obras da Usina Hidrelétrica. O animal foi encaminhado para a base de resgate de Estreito para cuidados veterinários. Segundo informações da NATURAE já foram recolhidos mais de 35 mil animais nas áreas inundadas pela UHE. Por determinação da empresa NATURAE, a bióloga não pode conceder entrevista.

Extinção de animais do cerrado
Os moradores de Babaçulândia contam que todos os dias vêm animais saindo da água, o que preocupa, pois são todas as espécies, desde tatus, veados, entre outros. Mas o que mais assusta os moradores são as cobras que adentram as residências procurando novos habitats, pois, tiveram suas tocas inundadas pela água. Outros animais acabam capturados pelos moradores e vão direto para a panela, o que pode a médio prazo significar a extinção de algumas espécies do cerrado brasileiro.

Indenizações
Outros moradores reclamam que tiveram suas propriedades desapropriadas e não receberam valor justo na indenização. Alguns perderam seu sustento, pois tinha comércio dentro da área que agora está inundada e por não terem sido indenizados corretamente não puderam reabrir seu negócio. Se para algumas pessoas foi um negócio vantajoso, pois, agora têm o rio passando praticamente no quintal de suas propriedades, para outros foi o começo de um longo sofrimento.

Muitas pessoas lesadas pela empresa recorreram à justiça para que sejam indenizados de maneira justa, mas como se sabe, a justiça no Brasil anda com passado de tartaruga, a exemplo disso, alguns desses processos que foram protocolados há mais de um ano pelos fóruns das cidades atingidas, não tiveram sequer resposta dos advogados do grupo CESTE e nem parecer do juiz responsável ou sequer agendamento de data para audiência de conciliação.

Cidades impactadas
Os municípios interferidos pelo empreedimento são: Carolina e Estreito (MA), e Aguiarnópolis, Babaçulândia, Barra do Ouro, Darcinópolis, Filadélfia, Goiatins, Itapiratins, Palmeirante, Palmeiras do Tocantins e Tupiratins (TO).

As obras dessa Usina Hidrelétrica acabou impactando não só os municípios descritos acima, mas também o município de Araguaína, pois muitas pessoas ficaram desempregadas, pois, tiveram seu meio de sustento retirados, pescadores, ribeirinhos, donos de estabelecimentos comerciais.

Para muitos a solução foi procurar um centro maior e buscar um novo emprego, mudando-se exatamente para a nossa cidade. O que aumentou sensivelmente o desemprego municipal, pois, são novos moradores com famílias inteiras que chegaram em busca de uma nova oportunidade.

 

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