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ESTADO

Partos normais são maioria no Tocantins

26 novembro 2011 - 08h33

Em 2010, 62% dos nascimentos ocorridos no Tocantins foram fruto de partos normais. Esse dado está bem acima da média nacional, tendo em vista os resultados apresentados pelo Ministério da Saúde no início desta semana, que revelam que o número de cesarianas realizadas no Brasil aumentou de 50%, em 2009, para 52%, no ano passado.

Estudos de âmbito nacional e internacional garantem que o trabalho de parto exerce um papel fundamental para o desenvolvimento dos pulmões das crianças. Além disso, as contrações e a passagem pelo canal vaginal são importantes para o bem-estar do bebê, pois contribuem para a eliminação dos líquidos do pulmão, facilitando o início do processo de respiração. Já na cesariana, muitos bebês nascem sem estar totalmente prontos e os pulmões plenamente capacitados, isso porque, na maioria das vezes, a data é fixada levando em consideração a conveniência do médico e da mãe, independentemente do início do trabalho de parto.

No Tocantins a preocupação do Governo do Estado em incentivar as gestantes a optarem pelo parto normal é demonstrada desde a Atenção Básica. A Secretaria de Estado da Saúde realiza, durante todo o ano, diversas capacitações com profissionais das Secretarias Municipais a fim de desenvolver uma rede de cuidados às gestantes para que elas sejam bem orientadas, sintam-se seguras em relação ao momento do nascimento dos seus filhos. Uma das profissionais que atua na Gerência de Saúde da Mulher da Sesau, Claudete Nunes, explicou que por meio do Programa de Humanização ao Pré-Natal a Secretaria consegue dar suporte a esses municípios e fazer com que as ações de apoio à gestante preconizadas pelo MS cheguem às mulheres de todo o Estado.

Um exemplo desse tipo de ação é desenvolvido em Palmas pelo Setor de Humanização do Hospital Maternidade Pública Dona Regina, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Palmas. Periodicamente gestantes que fazem o pré-natal em diferentes Unidades Básicas de Saúde da Capital visitam o Dona Regina, onde recebem orientações à respeito do nascimento, dos benefícios do parto normal, tiram dúvidas com profissionais da área e passam a conhecer melhor o ambiente no qual elas serão atendidas. A gerente de Humanização da maternidade, Paula Viana, explicou que além das mães virem ao hospital, há também um contato direto com os Centros de Referência de Assistência Social, com o objetivo de promover palestras, ministradas pelos profissionais do HMPDR nessas unidades, levando mais informações à comunidade.

Além disso, o Dona Regina tem atuado de acordo com as boas práticas de humanização ao parto e nascimento seguro, desenvolvendo ações que respeitam as indicações do MS. Mudanças físicas e capacitações dos profissionais possibilitaram grandes avanços no acolhimento. Esse ano, umas das principais conquistas foi estruturação das salas de parto que permitiu a individualização dos leitos, para dar privacidade às gestantes e permitir a presença do acompanhante do sexo masculino.

Outro fator que tem contribuído para essa humanização do atendimento no hospital é a assistência da equipe multiprofissional no trabalho de parto, além do médico, psicólogos, enfermeiros e fisioterapeutas auxiliam as gestantes a tornarem esse momento mais tranquilo. A fisioterapeuta Marta Adorno contou que ao darem entrada na maternidade, as parturientes são orientadas a realizarem técnicas que ajudam a aliviar a dor e diminuir a tensão. “Nós caminhamos com elas, fazemos os exercícios de agachamento com bola e orientamos sobre a melhores posições para o parto e a maneira correta de respirar”, esclareceu a fisioterapeuta, que também acrescentou que são feitas massagens com a técnica do shiatsu e banhos mornos para suavizar a dor.

A estudante Divina Martins Almeida, 20 anos, que deu a luz de parto normal à pequena Geovana, na última quinta-feira, 24, aprovou a atenção dada a ela nesse momento tão especial. “Tudo o que foi feito desde quando eu entrei foi muito importante para mim. Apesar da dor a gente se sente mais segura e também sente que vai dar conta de fazer nosso filho nascer direitinho”, disse a mãe. A fala de Divina revela uma das grandes preocupações dos profissionais que atuam com as boas práticas do parto humanizado: o empoderamento da mulher. “A mulher precisa se sentir capaz de dar à luz e para isso todas as pessoas envolvidas no trabalho de parto devem motivá-la e apoiá-la”, reforçou a fisioterapeuta Marta Adorno.

Ana Cristina Pereira Martins, 18 anos, foi mãe pela primeira vez na quarta-feira, 23. Ela também optou pelo parto normal e disse que essa escolha foi a única cogitada desde quando descobriu que estava grávida. A jovem revelou que quando começaram as primeiras contrações sentiu muito medo por conta das fortes dores, entretanto a presença de sua mãe em todos os momentos de seu parto e os exercícios com a bola a deixaram mais tranquila.

Rede Cegonha
O incentivo ao parto normal e às boas práticas do nascimento seguro e humanizado é uma das diretrizes apoiadas pelo programa federal Rede Cegonha de Atenção à Saúde Materno-Infantil, no qual o Tocantins ingressará oficialmente na próxima segunda feira, 28, durante oficina sobre o “Novo Modelo de Assistência Obstétrica e Neonatal”. A cerimônia de adesão ocorrerá no auditório do Ministério Público Estadual, a partir das 8h, e contará com a presença da coordenadora nacional da Rede Cegonha e coordenadora da Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, Esther Vilela.

O programa é a mais nova estratégia do MS no combate a mortalidade materna e neonatal, que visa implementar uma rede de cuidados para assegurar às mulheres o direito ao planejamento reprodutivo e a atenção humanizada à gravidez, ao parto, ao puerpério, e às crianças o direito ao nascimento seguro e ao crescimento e desenvolvimento saudáveis. (Da Ascom Sesau)

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