Palmas
23º
Araguaína
23º
Gurupi
24º
Porto Nacional
24º
DESAFIO FITNESS COMPUTADOR
Supermercados Campelo Agosto
SEM AUTORIZAÇÃO FEDERAL

MP apura por possível funcionamento irregular de cursos de medicina no Tocantins

21 novembro 2025 - 09h50Por Da Redação

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) abriu um Inquérito Civil Público para investigar a criação e o funcionamento dos cursos de Medicina oferecidos pela Universidade de Gurupi (UnirG) e pela Universidade Estadual do Tocantins (Unitins). A apuração foi motivada por uma denúncia que aponta que as graduações estariam funcionando sem a autorização obrigatória do Ministério da Educação (MEC).

Participe do grupo do O Norte no WhatsApp e receba as notícias no celular.

DENÚNCIA PROTOCOLADA

A denúncia, protocolada em novembro, afirma que os cursos foram implantados com base em decretos estaduais e resoluções do Conselho Estadual de Educação (CEE/TO), sem a publicação de portarias federais no Diário Oficial da União — etapa exigida para que instituições públicas e privadas ofereçam Medicina no país.

Segundo o documento, as criações teriam ocorrido por meio dos seguintes atos:

  • UnirG – Paraíso do Tocantins: Decreto nº 6.228/2021

  • Unitins – Augustinópolis: Decreto nº 6.296/2021 e Resolução CONSUNI nº 012/2021

  • UnirG – Colinas: Resolução CONSUP nº 009/2025

Mesmo sem portaria federal, todos aparecem no sistema e-MEC como “em atividade”, mas sem avaliações obrigatórias como Conceito de Curso, CPC ou IDD.

ESTRUTURA DEFICIENTE

O denunciante anexou documentos sobre as condições das instituições. Segundo ele, um relatório do MEC teria atribuído conceito 1 ao curso de Medicina da UnirG, apontando falhas como laboratórios inadequados, prédios improvisados e ausência de hospital-escola reconhecido. A avaliação, segundo a denúncia, indicaria descumprimento de requisitos mínimos previstos para o ensino médico no Brasil.

COMPETÊNCIA DA UNIÃO

A manifestação sustenta que apenas a União pode autorizar cursos de Medicina, citando:

  • Constituição Federal

  • Lei de Diretrizes e Bases (LDB)

  • Lei do Mais Médicos

  • Diretrizes Curriculares Nacionais de 2025

  • Decisão do STF na ADI 7187, que proíbe estados e municípios de autorizarem Medicina sem processo federal conduzido pelo MEC.

MP PEDE DOCUMENTAÇÃO 

Com o inquérito instaurado, o MPTO requisitou ao CEE/TO cópia integral de todos os processos que envolveram criação, autorização, credenciamento e reconhecimento dos cursos investigados. Solicitou também:

  • pareceres

  • atas

  • relatórios técnicos

  • identificação dos avaliadores

  • explicação formal sobre o entendimento jurídico que embasou a oferta dos cursos sem portaria federal

A promotoria destacou que a apuração é necessária devido aos “possíveis reflexos na formação acadêmica dos estudantes e na política de educação superior no Estado”.

SUGESTÕES DE DILIGÊNCIAS

O autor da denúncia recomenda que o MP também acione o MEC e o Inep, além de realizar vistorias presenciais nos campi. Caso irregularidades sejam confirmadas, pede que novas turmas sejam suspensas até que as instituições se adequem às normas federais.

PRÓXIMOS PASSOS

Com o inquérito em andamento, o MPTO aguarda o envio das informações solicitadas para definir novas medidas. As universidades citadas poderão se manifestar durante o processo.

As instituições ainda não se manifestaram oficialmente sobre a questão.