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MÃES QUE SALVAM

“Minha filha é do grupo de risco, então dobrei minha atenção”, diz socorrista do Samu

08 maio 2020 - 11h09Por Por: Marcelo Martin

Durante os plantões que se tornaram sua atividade Cristiane nunca deixou de manter o contato com a filha. "Quando está tranquilo eu ligo para ela para saber se está tudo bem”, afirmou

 
A técnica em enfermagem Cristiane Garcia, de 33 anos, foi a primeira mulher a pilotar uma moto do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) de Araguaína e fez parte da primeira Equipe de Resposta Rápida contra a covid-19. Mãe da pequena Maria Eduarda, de 11 anos, que tem histórico de doenças respiratórias, ela precisou dobrar os cuidados com a higienização para garantir a segurança da filha. A socorrista é a primeira homenageada da série "Mães que salvam".

Durante os plantões que se tornaram sua atividade Cristiane nunca deixou de manter o contato com a filha. "Quando está tranquilo eu ligo para ela para saber se está tudo bem”, afirmou (Foto: Marcos Sandes/Ascom Prefeitura)

“Uso corretamente todos os equipamentos de proteção individual, quando finalizo o plantão, vou para casa e antes de estar com minha filha, tomo uma ducha no quintal. Eu já tinha o cuidado de não misturar a roupa e calçado, agora reforcei ainda mais limpando com álcool”, explicou Cristiane. Ela contou que Maria Eduarda tem rinite, sinusite, bronquite e adoece facilmente. “Para tirar o tédio dela, eu dou uma volta de carro e deixo ela andar de bicicleta aqui na rua, sempre de máscara”.
 
Exemplo de determinação

Mãe pela primeira vez aos 15 anos, a socorrista também começou a trabalhar bem cedo, como caixa de supermercado. Cristiane cresceu no emprego até a contabilidade, área em que se profissionalizou com curso superior, mas não era que queria. “Em 2013, meu esposo, que é bombeiro, conseguiu perceber mais do que eu essa questão de cuidar e me sugeriu fazer um técnico de enfermagem”, contou.
 
Já formada, conseguiu em três meses um emprego na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e depois no Hospital Regional, onde insistiu em trabalhar na sala vermelha. Ela perseguiu a vaga no Samu até conseguir a chance de uma entrevista, na qual escutou logo que a escolha preferencial era por um homem.
 
Durante os plantões que se tornaram sua atividade Cristiane nunca deixou de manter o contato com a filha. “O meu filho mais velho cuida dela quando eu e meu marido, que é bombeiro, estamos em trabalho, e quando está tranquilo eu ligo para ela para saber se está tudo bem”, afirmou Cristiane.
 
Muitas recompensas na profissão

Dentre os atendimentos que já realizou um foi bastante especial: no plantão do dia 20 de fevereiro, às 2 horas, ela atendeu um chamado em que uma gravida estava dando à luz e precisou fazer o parto de emergência.
 
Ela conta que pensou em chamar um médico, mas não daria tempo. “Quando iria medir a pressão ela deu um grito, fui olhar e a cabeça do bebê já tinha coroado”, detalhou. Antes do momento de felicidade, Cristiane diz que houve tensão porque a criança nasceu com o cordão umbilical enrolado no pescoço. “Meu colega com uma manobra rápida tirou e eu segurei o bebê com a manta, bem quentinho, até chegar no hospital”.

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