Cientistas ajustaram o Relógio do Juízo Final para 85 segundos da meia-noite, o ponto mais próximo já registrado desde a criação do marcador simbólico. A atualização foi anunciada nesta terça-feira, 27, pelo Boletim dos Cientistas Atômicos.
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O novo ajuste representa uma redução de quatro segundos em relação ao ano passado e reforça o alerta sobre o aumento dos riscos globais de catástrofes provocadas pela ação humana.
TENSÕES NUCLEARES E FALHA DE LIDERANÇA GLOBAL
A organização destacou o comportamento agressivo das principais potências nucleares — Rússia, China e Estados Unidos — e o enfraquecimento dos acordos de controle de armas como fatores centrais para o avanço do relógio.
Segundo a presidente e CEO do Boletim, Alexandra Bell, o mundo enfrenta uma falha global de liderança. Ela afirmou que tendências neoimperialistas e modelos autoritários de governança elevam de forma direta o risco de uma escalada nuclear.
CONFLITOS ARMADOS E RISCO DE ESCALADA
Os cientistas também apontaram conflitos em curso como agravantes da situação global. Entre eles, a guerra da Rússia contra a Ucrânia, os confrontos no Oriente Médio, as tensões entre Índia e Paquistão e os impasses na Península Coreana.
Além disso, as ameaças da China em relação a Taiwan e o aumento das tensões no Hemisfério Ocidental contribuíram para o cenário de instabilidade.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E DESINFORMAÇÃO
Outro fator citado foi o avanço da inteligência artificial, especialmente quando associada à disseminação de desinformação. A jornalista Maria Ressa, vencedora do Nobel da Paz em 2021, participou do anúncio e alertou para o que classificou como um “apocalipse da informação”.
Segundo ela, plataformas digitais têm espalhado mentiras em velocidade superior à dos fatos, aprofundando divisões sociais e comprometendo decisões políticas globais.
TRATADOS NUCLEARES EM RISCO
O Boletim alertou ainda para o enfraquecimento dos mecanismos diplomáticos. O Novo Tratado Start, último acordo de controle de armas nucleares entre Estados Unidos e Rússia, expira em fevereiro.
Além disso, a possibilidade de retomada de testes nucleares por grandes potências reacendeu preocupações, encerrando um período de mais de 25 anos sem testes explosivos por países com arsenais nucleares, com exceção da Coreia do Norte.


Grupo citou comportamento agressivo das potências nucleares e preocupações com a inteligência artificial como justificativa de novo alerta - Crédito: Divulgação 


