Wall Street começou a identificar um beneficiário inesperado da crescente adoção de medicamentos para perda de peso nos Estados Unidos: as companhias aéreas. A análise é de analistas do banco Jefferies, citados em relatório divulgado recentemente.
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REDUÇÃO DE PESO
A popularização de medicamentos baseados em agonistas do GLP-1 — substância originalmente usada no tratamento do diabetes tipo 2 e hoje amplamente prescrita para emagrecimento — pode levar a uma redução do peso médio dos passageiros. Segundo o estudo, uma queda de cerca de 10% no peso médio por passageiro poderia reduzir em até 1,5% os custos com combustível, que representa uma das maiores despesas operacionais das empresas aéreas.
Menos peso transportado significa menor gasto com querosene de aviação, pois o consumo de combustível está diretamente ligado ao peso total da aeronave no momento da decolagem. Essa redução poderia ainda impulsionar os resultados financeiros das companhias, elevando a lucratividade por ação em até 4%, segundo a projeção dos analistas.
IMPACTO NO SETOR AÉREO NO CONTEXTO ATUAL
A estimativa leva em conta que, só em 2026, as quatro maiores companhias aéreas dos EUA — American Airlines, Delta Air Lines, United Airlines e Southwest — devem consumir cerca de 16 bilhões de galões de combustível, com custo total superior a US$ 39 bilhões. Com a adoção mais ampla de tratamentos para perda de peso, esses custos podem sofrer impacto relevante ao longo do ano.
Além disso, a popularização de versões orais desses medicamentos — que tornam o tratamento mais acessível e confortável do que as injeções tradicionais — pode acelerar o processo de adoção pela população, ampliando o impacto potencial nas operações das companhias aéreas.
EMAGRECEDORES E O MERCADO
Esse movimento evidencia como mudanças em hábitos de saúde e medicina podem reverberar em setores inesperados da economia, como o transporte aéreo. A ligação entre emagrecimento e eficiência operacional mostra que fenômenos sociais e de consumo, inicialmente percebidos apenas sob o ponto de vista clínico ou de bem-estar, também podem ter impactos econômicos e estratégicos mais amplos.


Só em 2026, as quatro maiores aéreas dos EU devem consumir 16 bilhões de galões de combustível, ao custo médio de US$ 2,41 por galão - Crédito: Getty Images 


