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Recuperado da Covid-19, homem desabafa: "Agora o que dói é o preconceito"

13 maio 2020 - 18h05Por Adriana Santana

O auxiliar de cozinha Alexe Pereira da Silva, 48 anos, vive uma mistura de sentimentos após o tratamento e recuperação da covid-19. Ele faz parte dos 76 recuperados da doença, até o momento, em Araguaína.

Se por um lado está feliz e aliviado por ter vencido a doença, por outro, vive a tristeza e o temor da exposição negativa, discriminação e preconceito das pessoas. “Levei um susto quando vi fotos minha sendo compartilhadas nas redes socias e mais ainda, associando meu nome e minha imagem de forma negativa, divulgando com mentiras todo processo que vivi, como se eu fosse uma ameaça para a cidade”, contou Alexe.

Diagnóstico

Alexe começou a sentir os primeiros sintomas no dia 24 de abril, sendo submetido ao teste da covid-19 logo depois. A partir daí, por recomendação da Secretaria Municipal da Saúde, já iniciou o isolamento domiciliar. Com resultado positivo, Alexe seguiu no isolamento e sendo monitorado pela Equipe de Resposta Rápida do Município, compostas por multiprofissionais, entre eles psicólogos.

“Graças a Deus não tive evolução de sintomas, cumpri os 14 dias de isolamento em um quarto aqui de casa e todos os dias a equipe da Prefeitura falava comigo por telefone para saber como estava, até o dia em que recebi a alta”, disse o auxiliar de cozinha.

Tratamento

De acordo com a coordenadora da Vigilância Epidemiológica do Município, Regina Adriana dos Santos, o isolamento domiciliar durante 14 dias é a forma de tratamento indicada para o paciente positivo com sintomas leves da doença. Após a alta, a pessoa não apresenta mais o risco de transmissão da doença.

“Quando o paciente começa a perder os sinais e sintomas da doença, é um indício de que está havendo a diminuição da quantidade de partículas virais. Após os 14 dias, o paciente estando recuperado e cessa o risco de transmissão para outra pessoa, por isso não é necessário o temor, ao contrário, é sinal da vitória dessa pessoa contra o vírus”, destacou a coordenadora.

Exposição

Dias após o recebimento da alta e orientado a seguir o isolamento social, o auxiliar de cozinha recebeu mensagens de amigos informando a divulgação de várias notícias sobre ele, inclusive de que teria fugido de uma unidade hospitalar.

“Eu não tive internado por causa da covid-19, cumpri meu isolamento, conforme o orientado pelo Município e hoje não sinto nenhum sintoma da doença, porém, agora o que dói é o preconceito comigo e a quantidade de pessoas que compartilham mentiras, chega a doer mais que a doença”, concluiu Alexe.

Até o endereço da família foi compartilhado nas redes sociais, aumentando o medo pelo preconceito, discriminação ou outra situação que ponha em risco a vida do auxiliar de cozinha.

Justiça

Alexe registrou um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil que iniciou uma investigação sobre o caso.

“Foi registrado um boletim por difamação e vamos começar a ouvir as pessoas envolvidas na divulgação das informações. Caso fique provado que ele não teve essa conduta divulgada nas redes sociais, caberá as sanções para os crimes identificados além do direito da vítima buscar na esfera civil os danos morais”, explicou a delegada titular da Delegacia de Crimes de Menor Potencial, Sarah Lilian de Souza Rezende.

Canais oficiais

A Prefeitura de Araguaína orienta que a população evite a publicação ou compartilhamento de notícias falsas. Reforça ainda os canais de comunicação e divulgação dos dados e outras informações sobre a doença na cidade, por meio do endereço http://araguaina.to.gov.br/.

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