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REPERCUSSÃO

"Injustiça e traição", deputados de Araguaína se revoltam com fim de rota de voo na cidade

11 setembro 2019 - 11h00

Após repercussão de matéria veiculada no domingo (08), no Portal O Norte falando sobre a suspensão das operações na rota de voo da Passaredo Linhas Aéreas entre Araguaína e Palmas, o os deputados de Araguaína se manifestaram sobre o caso e estão buscado em Brasília reverter essa situação. 

Toma daqui, tira dali

A notícia pegou muita gente de surpresa, logo uma semana depois da Gol Linhas Aéreas iniciar  a operação de um voo com rota direta para Brasília (DF). A inauguração foi no último dia 1º.

Incentivos

Vale lembrar também que em abril deste entrou em vigor no Tocantins uma Medida Provisória que reduziu de 14% para até 3% o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) dos combustíveis para aviação. Na época o governador Mauro Carlesse (DEM) explicou que a alíquota do tributo teria queda progressiva na base de cálculo, conforme investimentos das empresas aéreas na aviação comercial no Tocantins.

A Medida Provisória (MP) assinada pelo governador em fevereiro e aprovada pelos deputados estaduais, com alteração nas faixas de desconto tinha como principal objetivo fomentar o setor de aviação no Estado, além de incentivar a ampliação do número de rotas de voos que contemplem o Tocantins como ponto de partida e chegada, tendo referência não só a Capital, mas também outros municípios como Araguaína, mas parece que o incentivo não foi suficiente para segurar a rota em questão. 

Tiago Dimas

O deputado federal Tiago Dimas se reuniu, no início da noite desta terça-feira, 10, com o diretor da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Juliano Noman, para discutir a decisão da Passaredo Linhas Aéreas de deixar de operar o voo Araguaína-Palmas, com continuação em Goiânia e Ribeirão Preto. O parlamentar busca tentar reverter a decisão, tendo em vista que o voo funciona há cerca de oito anos e sempre com muitos passageiros.

Tiago Dimas, que agendou a reunião, esteve acompanhado do também deputado federal Célio Moura (PT-TO) e do vice-prefeito de Araguaína, Fraudneis Fiomare (PSC). No encontro, os três foram claros em detalhar os prejuízos enormes para a cidade, pois a ligação com Palmas voltará a ser apenas terrestre, em uma viagem de 400 quilômetros.

Para Tiago Dimas, o sentimento é de injustiça e traição. Segundo o deputado, ao que tudo indica a Passaredo opta por tirar os aviões do Estado para reforçar a ponte aérea Congonhas-Santos Dumont (São Paulo-Rio de Janeiro). A empresa foi beneficiada por uma decisão da Anac que permitiu uma melhor distribuição dos slots (autorizações para pousos e decolagens) da Avianca e acabou ganhando o direto de operar nessa lucrativa rota. “Eu fui uma das pessoas que entendia que o modelo anterior, que iria priorizar a latam e Gol, criaria uma concentração ainda maior no mercado, trazendo prejuízos e população. Mas aí, a Passaredo pega e faz isso com Araguaína. Nos sentimos totalmente traídos, ainda mais sabendo que a rota da nossa cidade nunca deu prejuízo”, destacou Tiago Dimas, ao salientar que a Anac precisa verificar o que está ocorrendo.

No mesmo sentido, Célio Moura e Fiomare falaram de injustiça e pediram providências. “Araguaína é principal cidade do Tocantins em atividade econômica privada. A população sempre frequentou o voo e agora está sendo ‘premiada’ por essa injustiça”, destacou Célio Moura. “Nós vamos seguir lutando para tentar restabelecer o voo para Palmas e as outras cidades. A saída do voo prejudica todo mundo, afasta investimentos e futuros negócios, além de dificultar a vida dos empresários que moram na cidade”, ponderou Fiomare.

Tiago Dimas destacou, ainda, que manteve contato telefônico com o presidente da Passaredo, José Luiz Felício Filho. O executivo estava em Brasília por outros compromissos e o deputado tentou uma reunião com ele. No entanto, essa reunião não ocorreu. Nesta quarta-feira, Tiago Dimas e Célio Moura farão um novo contato telefônico com Felício Filho na tentativa de abordar o tema. “Nós vamos seguir tentando esse encontro e vamos lutar para reverter essa decisão”, salientou.

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