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“NÃO PODE ME SILENCIAR!“

Agredida pelo marido na frente do filho mulher reage com desabafo em rede social

22 outubro 2021 - 14h40Por Dágila Sabóia

Foi um relacionamento difícil com muitas idas e vindas porque ele dava indícios de infidelidade”, lembra a jovem Jéssyca Lima Soares (27), que essa semana decidiu desabafar em seu perfil de rede social depois de ser violentamente agredida pelo ex-marido de 39 anos, quando estava morando com ele fora do Estado, longe da família e amigos. Em entrevista à nossa reportagem, ela contou em detalhes sobre o sofrimento que passou, o medo e angústia, mas também o alívio em receber o carinho e apoio de pessoas que a encorajaram a falar sobre o assunto. 

Jéssyca conheceu o ex-companheiro a cerca de 1 ano e meio. “Começamos namorar e ele passou a dormir na minha casa todos os dias. Quando a gente se deu conta estávamos dividindo a vida juntos”.

Mas logo nos primeiros meses juntos, Jéssyca conta que os problemas relacionados à infidelidade começaram a acontecer.  “Quando eu descobria ele sempre negava, a gente terminava e ele vinha atrás e conseguia me convencer de voltar. Era muito persuasivo”.

Terapeuta capilar, a jovem trabalha no ramo da beleza desde os 14 anos de idade. E recentemente o então companheiro recebeu uma proposta de emprego no ramo da advocacia em Canaã dos Carajás no Pará.  “Sou uma mulher que sempre busco por crescimento e realização profissional, então diante da oportunidade de ir para uma cidade promissora, larguei meu trabalho aqui em Araguaína e decidi acompanhar ele. Vendi tudo o que tinha e fui”.

O casal então partiu pra uma nova etapa da vida juntos. No dia 19 do mês passado eles chegaram na cidade paraense, mas com apenas 20 dias que estavam lá tiveram uma nova discussão.  “O mesmo motivo de sempre: traição. Quando eu disse que ia embora ele começou a me ameaçar, disse que eu iria me arrepender e que me deixaria com uma mão na frente e outra atrás, mas quando percebeu que não me intimidava ele partiu para agressão física.

Jéssyca, que levou o filho de 10 anos fruto de outro relacionamento para morar com eles, disse que a criança presenciou tudo. “Me senti humilhada e acoada com toda essa situação, não queria que meu filho tivesse visto aquela cena horrível e vergonhosa”, contou emocionada. 

Depois que a confusão cessou, Jéssyca estava ferida, com vários hematomas pelas pernas e braços. “Eu olhava pro meu corpo todo machucado e não conseguia parar de chorar eu só me perguntava como tinha ido parar ali, como pude deixar chegar a esse ponto?”. 

Segundo a vítima, o agressor mandou ela ficar quieta: “Ele argumentou dizendo que tinha amigos influentes, advogados e que se eu não ficasse calada iria me destruir”.

A terapeuta capilar relatou que essa foi a primeira vez que ele partiu para a agressão física contra ela, mas que sempre invalidou seus questionamentos sobre as traições. “Mesmo diante das provas ele negava, dizia que era coisa da minha cabeça, que eu estava procurando isso e que a culpa era minha pelo que tinha acontecido”.

Desempregada, longe da família e sem dinheiro, Jéssyca se viu desesperada e sem chão. Mas depois de passar por tudo isso, tinha certeza que não poderia estar mais com o agressor. Foi quando decidiu pedir ajuda: “Contei tudo pra uma amiga que mora em Araguaína. Ela que está passando por um momento muito difícil enfrentando um câncer, tirou o dinheiro arrecadado de uma rifa para seu tratamento e me enviou pra que eu pudesse vir embora sem olhar pra trás e foi o que fiz.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Angústia

Já no caminho de volta, outra preocupação passava pela mente da jovem: o julgamento das pessoas. “Por conhecer meu ex e o quanto ele era manipulador, até a chegada em Araguaína, tive muito receio de não receber apoio da minha família, amigos mas eu estava enganada. Fui recebida com todo o carinho do mundo e todo o apoio pra conseguir me reerguer. Foi um alívio muito grande pra mim, porque eu tive a certeza de que não estava sozinha, desamparada como me sentia antes de chegar de volta.”

Quando Jéssyca contou para as irmãs o que havia acontecido lembra que elas “surtaram” indignadas com as agressões que ela sofreu: “Tenho um cunhado que é Policial Civil e que trabalha na Delegacia da Mulher e ele me fez perceber, até que ponto nós ficamos vulneráveis e não enxergamos a verdade como ela é. Ele me orientou sobre quais medidas tomar e registrei o Boletim de Ocorrência na delegacia disponível e em seguida passei por exames de corpo de delito devido aos hematomas”.

O julgamento

“Depois da medida protetiva começaram a chegar até mim conversas de pessoas que estavam distorcendo toda a verdade dos fatos, mas eu já não estava mais acoada e tinha toda proteção do mundo, pois minha família estava firme segurando minha mão. Foi quando decidi desabafar, fazer o que muitas mulheres não se sentem encorajadas a fazer. Postei em minha rede social a agressão que sofri, tudo que passei e deixei o alerta a todas as mulheres que passaram ou ainda passam por essa situação.”.

Quando minha história repercutiu, eu sofri mais ataques, inclusive por uma mulher que defendia o agressor. Mas Deus é justo! E meu único pensamento, de acordo com cada passo dado após a agressão que sofri, era para alcançar esse objetivo: JUSTIÇA!

Seguindo em frente

Jéssyca ainda observa: “Olhando para trás, pra tudo que aconteceu, só tenho a certeza de que tomei a decisão certa. Antes do que aconteceu, eu vendi tudo o que tinha e investi em móveis para a casa e materiais de trabalho que ainda não chegaram, mas agora estou me sentindo viva novamente e vou seguir em frente”.

 “As vezes ainda passa pela minha cabeça pensamentos como: O que seria de mim se eu tivesse ficado? Se eu não tivesse vindo embora sem olhar para trás, se tivesse me entregado à minha fragilidade? Talvez, daqui uns dias eu poderia fazer parte das estatísticas das mulheres que perderam a vida pelas mãos dos próprios companheiros”. 

Jéssyca agora segue uma nova jornada só que de cabeça erguida: “Atualmente estou organizando a vida profissional, depois de todo esse estrago. Ainda não voltei a trabalhar. Mas Deus vai encaixar tudo”.

Você não está sozinha!

Jéssyca destaca que seu objetivo ao desabafar em rede, foi o de alcançar mulheres que como ela, são atacadas e violentadas diariamente. “Nós precisamos ter voz, ter apoio porque isso pode sim fazer a diferença. Depois que eu decidi me abrir dessa maneira, recebi inúmeras mensagens no meu perfil. Pessoas que se identificaram com o que passei, profissionais que se colocaram à disposição para me dar o apoio psicológico e jurídico tão necessário nesse momento. Eu não sou advogada, nem psicóloga, mas posso ser o portal para ajudar outras mulheres a reagirem contra os abusadores. Nós temos muito mais força do que imaginados. NÃO SE CALEM!”.

Encerrando entrevista, Jéssyca faz agradecimentos: “Minha gratidão a cada pessoa que se sentiu tocada, sensibilizada com meu depoimento, a cada uma que respotou e apoiou. Minha esperança é que minha atitude possa ecoar a ponto de encorajar outras mulheres a dizer NÃO a relacionamentos tóxicos, NÃO à violência em todas as suas formas”.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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