A Operação Overclean chegou à nona fase nesta terça-feira, 13, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão no apartamento funcional do deputado federal Félix Mendonça (PDT-BA), em Brasília. A ação é conduzida pela Polícia Federal e apura um amplo esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e convênios federais.
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DESVIO DE R$ 1,4 BILHÃO
Deflagrada em dezembro de 2024, a Overclean investiga contratos firmados com o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e outros órgãos vinculados ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado teria movimentado aproximadamente R$ 1,4 bilhão por meio de fraudes em licitações, corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
TOCANTINS NO CENTRO DO ESQUEMA
O Tocantins passou a ocupar papel central na investigação com a prisão de Claudinei Aparecido Quaresemin, ex-secretário extraordinário de Parcerias e Investimentos do Estado. Ele é sobrinho do ex-governador Mauro Carlesse e foi preso em dezembro de 2024, apontado como um dos articuladores do esquema.
De acordo com as apurações, Quaresemin teria atuado como operador do esquema no Tocantins e recebido mais de R$ 805 mil em transferências ilícitas.
LICITAÇÕES, PROPINA E BLOQUEIO DE BENS
A Justiça Federal aponta que Claudinei Quaresemin teria beneficiado a empresa Larclean em licitações da Secretaria de Educação (Seduc) e da Secretaria de Administração (Secad), utilizando empresas interpostas para movimentar os valores desviados.
As investigações indicam ainda que ele coordenava o esquema no estado, incluindo a articulação de propinas a servidores públicos. Diante disso, houve bloqueio de bens e valores. Em fevereiro de 2025, Quaresemin obteve liberdade após concessão de habeas corpus.
PRISÕES, DINHEIRO ESCONDIDO E STF
Em outubro do ano passado, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em Palmas e Gurupi. Na ocasião, o ex-secretário-executivo da Educação do Tocantins, Éder Martins Fernandes, e o servidor Danilo Pinto da Silva foram presos em flagrante em Palmas, suspeitos de obstrução da Justiça. Segundo a PF, eles teriam tentado monitorar as ações policiais durante o cumprimento dos mandados.
Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal revogou as prisões preventivas, substituindo-as por medidas cautelares, como proibição de contato com outros investigados e restrições de deslocamento.
Ao longo das nove fases da operação, a Polícia Federal encontrou dinheiro em situações consideradas emblemáticas, como valores arremessados pela janela, escondidos em gavetas, escritórios e até dentro de um par de botas. Para os investigadores, o uso recorrente de dinheiro em espécie visava dificultar o rastreamento dos recursos desviados.
Por envolver deputados federais com foro privilegiado, o inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques. Na nona fase, o STF determinou ainda o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas.






