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BELÉM

Sete mortos em chacina na região metropolitana de Belém

29 agosto 2011 - 08h23

Um crime brutal chocou moradores do bairro Novo Horizonte, município de Santa Izabel do Pará, na região metropolitana de Belém.

Sete pessoas da mesma família morreram com tiros de escopeta calibre 12, por volta das 4h30 de ontem. Segundo a Polícia Civil, cinco homens encapuzados invadiram a casa pela porta dos fundos, separaram um casal de idosos e três crianças para um cômodo e, em outro, disparam contra as vítimas.

As vítimas foram mortas na frente dos pais. “Quando ouvimos o barulho dos tiros, eu e meu marido só conseguimos abraçar as crianças e gritar para que não matassem nossos filhos”, contou, aos prantos, Raimunda Moraes Sobral, de 48 anos, que presenciou a morte de seus três filhos: Ana Maria Moraes, 28; Franscisco Aurismar, 20, e o irmão de 17 anos. Eles estavam na companhia dos primos, Emerson Moraes Santana, 18, com a irmã de 16 anos.

Também foram mortos, o namorado da adolescente, identificado pelo prenome Leonardo, o “Gereba”, e a companheira de Francisco Orismar, Nildene Cristiana Moraes, de 18 anos. Ela também foi atingida na cabeça e chegou a ser socorrida ao hospital municipal de Santa Izabel, mas não resistiu ao ferimento e morreu.

Invasão
Estávamos todos dormindo, quando Nildene me acordou desesperada dizendo que tinha gente rodeando a casa. Em seguida, já escutamos a porta de trás sendo arrombada e os homens encapuzados gritando: ‘bora, bora, é a polícia! Todo mundo no chão’”, contou Raimunda Moraes Sobral, enquanto ainda tentava fazer policiais compreenderem a chacina.

Eles mandaram eu, meu marido e nossos três netos para um canto da casa e foram nos quartos acordar os meninos, gritando para que fossem todos para a sala, e lá atiraram contra eles. Assim, acabaram com minha família”, relembrava Raimunda, aos prantos.

Vingança teria sido o motivo do crime
A principal testemunha, Raimunda Moraes, agora tem medo de permanecer na residência porque teme que executores voltem ao local para matar os outros integrantes da família. Segundo fontes, dois dos homens envolvidos seriam policiais da Rotam.

Raimunda conta que “por três dias, os vizinhos disseram que os policiais rondavam minha casa de moto querendo saber informações sobre os meninos”.

Os familiares afirmam que o crime teria sido motivado por vingança de um suposto homicídio ocorrido em julho deste ano, na comunidade Carlos Marighella, no bairro do Aurá, em Ananindeua.

De acordo com Lindalva Moraes, tia dos três irmãos que foram assassinados, as vítimas por várias vezes receberam ameaças de morte dos policiais da Rotam. “Os policiais perseguiam meus filhos os acusando de participação no assassinato de um homem conhecido como ‘Manoel’”.

Tereza Figueredo Moraes, mãe de dois filhos mortos, contou que eles se mudaram da casa dos pais em Ananindeua, por medo de morrer. “Esse foi o local mais afastado que conseguimos escondê-los. Eles frequentemente eram ameaçados pelos policiais, por isso acreditamos que os dois policiais estão envolvidos com a morte dos meus filhos e sobrinhos”.

Os arredores do imóvel, sem número, na rua São Francisco, periferia do município, ficou tomado por centenas de moradores, que buscavam informações sobre os brutais assassinatos.

Uma equipe do Corpo de Bombeiros foi deslocada para prestar apoio, caso algum familiar passasse mal. No interior da casa humilde, as cenas de chacina chocavam até mesmo homens das polícias Civil e Militar. “Em todos os meus anos de correria na polícia, nunca tinha visto um crime tão bárbaro como esse”, comentou o delegado Leandro Souza, da Delegacia de Santa Izabel.

Segundo a autoridade policial, as investigações para apurar a identidade dos autores do crime serão feitas em parceria com a Divisão de Homicídios, da Polícia Civil. “Trata-se de um caso de execução, que será instaurado inquérito para investigar o crime, com base nos depoimentos das pessoas da família e dos vizinhos”. (Diário do Pará)

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