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Política

Críticas e troca de farpas marcam eleição de comissões: "Conchavos e panelinhas" acusa Vilmar do Detran

06/02/2019 10h05 | Atualizado em: 06/02/2019 10h45

Foto: Silvio Santos

Ricardo Ayres (d) foi eleito presidente da CCJ.

Os deputados estaduais definiram na sessão desta terça-feira, 5 – a primeira ordinária da 9ª legislatura –, os blocos partidários e os membros das 11 comissões permanentes da Casa. Na prática, a partir de agora, as matérias de autoria do Executivo e as dos próprios deputados podem iniciar sua tramitação normal.
 
Foram mais de duas horas marcadas por acusações, críticas e cobranças de compromissos descumpridos. Às 22h15, os parlamentares suspenderam a sessão para retomar a eleição nesta manhã. 

Em entrevista à imprensa, o presidente da Assembleia, Antônio Andrade (PHS), destacou a agilidade nos trabalhos – já na primeira sessão ordinária –, possibilitando a definição dos blocos e dos membros das comissões, sem os quais os projetos não tramitam. “Agora, definidos os blocos e as comissões, nós vamos dar seguimento aos trabalhos desta Casa, pois temos muitos projetos importantes que precisam de aprovação urgente, a exemplo da Lei Orçamentária Anual (LOA) deste ano”.

A mais disputada foi a Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), para a qual foram eleitos presidente e vice respectivamente, os deputados Ricardo Ayres e Jair Farias. Ela é a primeira Comissão ponde passa todos os projetos que tramitam na Casa. 

A primeira a falar foi Luana Ribeiro (PSDB) que em seu discurso destacou "o tempo da política de cabresto, do coronelismo, já passou...E que fique muito claro, aqui nesse parlamento, que a sociedade acompanha tudo de perto, em tempo real... E eu não tenho medo de enfrentar nenhuma situação ou adversidade.  O plenário sempre é soberano, ele sempre prevalece", disse. 

Zé Roberto Lula (PT) também se manifestou afirmando que a deputada foi excluída de todas as comissões pelo deputado Olyntho Neto (PSDB), seu colega de partido, e acusou que estaria ocorrendo uma articulação entre Olyntho, Eduardo Siqueira e Ricardo Ayres, com o Palácio Araguaia, para excluir deputados e garantir a formação das comissões e o não cumprimento de acordos. O parlamentar petista ainda completou: "Eu não sou palhaço, não sou moleque e não aceito esse tipo de coisa. Se isso foi articulação do governo para excluir mais de 12 deputados aqui...isso vai ter consequência nos trâmites das matérias. Tinha feito acordo com vários deputados e não foi cumprido. Juntou um grupinho, de pessoas que acham que são donos dessa Assembleia e os fatos vão mostrar que não são. Foram excluídos mais da metade dos deputados aqui”, afirmou Zé Roberto.

Eduardo Siqueira (DEM) respondeu ao colega parlamentar. “...Eu lidero um bloco e todas as indicações para os blocos, feitas entre nós, foram discutidas e cumpridas e completou: "O Tocantins tem mais de 30 anos e nós passamos mais da metade na oposição. Eu vivo nesse parlamento, na oposição ou na situação, sem mudar meu jeito de ser. Da minha parte não há Palácio que mude palavra ou posição minha, não fiz compromisso em relação à citada comissão e paro por aí. Tenho por vossa excelência, deputado Zé Roberto, o maior respeito e não seria eu que faria um acordo em seu desfavor, ainda mais se tivesse dado minha palavra”.

Fabion Gomes (PR) comentou toda a situação, citou conchavos e saiu em defesa de Luana. “Estou esses dois dias e essa semana observando como estão funcionando as coisas nessa Assembleia. Vejo coisas que se fazem com conchavos por aqui. Não sei se tem participação do nosso governador, mas não é dessa forma que se consegue a unidade"e continuou "É muito importante que nós deputados tenhamos o máximo de cuidado para fazer uma amizade entre os pares, que não venha causar esse descontentamento como o da deputada Luana, que anteontem era a presidente dessa Assembleia e cumpriu com galhardia a sua presidência. E hoje vemos essa forma muito sacana de se tratar uma deputada, que teve muito voto, tem três mandatos, não é dessa forma que se fazem as coisas". 

Vilmar de Oliveira (SD) também desabafou, denunciou “panelinha” e afirmou, como Zé Roberto, que vários deputados estão sendo excluídos do processo de composição das Comissões. “O que nós estamos vendo aqui são conchavos feitos por uma panelinha que está excluindo os deputados aqui desta Casa. É preciso que se tenha respeito, nós somos iguais, somos representantes do povo. Me sinto envergonhado com o que está se passando aqui. Compromisso tem que ser honrado. Estão criando uma situação que vai causar dificuldades para o governador”.

Eleito para a CCJ, Ricardo Ayres rebateu as declarações, afirmando que na democracia o que existe é a alternância. “Uma hora você aplaude, outra hora você é aplaudido. As pessoas que até bem pouco tempo atrás estavam na liderança da Assembleia Legislativa, e tem todo nosso respeito e admiração, precisam entender que agora estamos abrindo espaço para outros também”.

Ivory de Lira (PPL) saiu em defesa dos deputados acusados. “Eu acho que não houve conchavo. Porque eu me sinto honrado de ter sido um dos deputados que chegou nesta Casa com um das menores votações e ainda me deram a condição de ser líder de um bloco onde está o presidente desta Casa e tantos deputados experientes aqui. Da mesma forma, esse conjunto me indicou para compor uma das comissões mais importantes desta casa. Eu vi um gesto desse deputados, que tem até mais de três mandatos, valorizando todos. Eu não imaginava ter um espaço como esse que vocês estão me proporcionando. O que nós precisamos mesmo aqui é debater muita coisa que o nosso Tocantins está precisando”.

Elenil da Penha (MDB) também afirmou que não acredita que houve conchavo ou malandragens. “O que eu acho ruim é quando atiram pedras. Tem gente que para ganhar coisa aqui tem que bater na mesa, gritar. Aqui se ganha no voto. Ganha aqui quem tem mais voto. Aqui nós buscamos convergência. Ninguém é mais honesto que eu aqui e eu nunca descumpri minha palavra com ninguém. Esse chocalho é só bravata de alguns, é só conversa fiada”.


Luana voltou a falar, desta vez se dirigindo, sem citar nomes, ao deputado Olyntho Neto. “Uma coisa de valor que um homem leva é sua palavra. Quem tudo quer, nada tem. Podem me tirar o que quiser, me deixar sem comissão, mas a minha vontade de trabalhar, a minha voz, ninguém vai calar. Tem deputado que quer monopolizar e ter tudo para ele. Temos que respeitar o próximo, ter consideração, principalmente os companheiros de partido. Ninguém pode falar aqui que eu não honrei com a minha palavra, não só na Assembleia, mas na política do Tocantins. É muito feio, principalmente uma pessoa jovem, não honrar com os compromissos, com a palavra, e puxar o tapete. De mim ninguém tira nada no tapetão. O que eu sei fazer é trabalhar, não tenho hora para chegar em casa e não tenho preguiça de trabalhar. E isso, inveja de ninguém vai me tirar”, finalizou.

Cláudia Lelis (PV) pediu harmonia aos pares. “A noite de hoje serve para todos nós refletirmos. Estamos aqui para representar o povo. Se estivermos unidos, se a democracia imperar nessa Casa, só quem ganha é a sociedade”, pontuou.

Encerrando o assunto, Amélio Cayres (SD) falou em seguida. “Quero pedir neste momento, em que não vivemos o melhor momento em nível de município, de Estado, de país, que é necessário que a gente se una aqui dentro para defender os interesses do povo. Vamos trabalhar, vamos votar as matérias, desejo ao Eduardo (Dertins), que ficou na minha vaga, meu amigo, um bom trabalho. Embora sejamos excluídos aqui, vamos dar a volta por cima, vamos nos unir e trabalhar juntos. Vamos parar com essa discussão, sei que todos tem razão, mas temos que trabalhar para a sociedade. Vamos eleger essas comissões, que já está tarde, eu estou com fome, vamos votar”.

Blocos

Os blocos ficaram definidos da seguinte forma:

DEM/MDB, Eduardo Siqueira Campos (DEM) – líder –, Elenil da Penha (MDB), Jorge Frederico (MDB), Jair Farias (MDB), Valdemar Junior (MDB) e Nilton Franco (MDB).

PSDB/PTC/PP, Olyntho Neto (PSDB) – líder –, Cleiton Cardoso (PTC), Luana Ribeiro (PSDB) e Valderez Castelo Branco (PP).

PSL/SD, Vilmar de Oliveira (SD) – líder –, Vanda Monteiro (PSL), Leo Barbosa (SD) e Amélio Cayres (SD).

PSB/PPS/PR/PHS/PROS/PPL, Ivory de Lira (PPL) –líder –, Eduardo do Dertins (PPS), Fabion Gomes (PR), Antônio Andrade (PHS), Ricardo Ayres (PSB) e Professor Junior Geo (PROS).

Bloco PV e PT, Cláudia Lelis (PV) – líder –, Issam Saad (PV), Amália Santana (PT) e Zé Roberto (PT).

Comissões

Foram definidos também os nomes de presidentes e vice-presidentes de quatro comissões permanentes da Casa. Os demais deverão ser eleitos na sessão matutina desta quarta-feira, 6.

Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), para a qual foram eleitos presidente e vice respectivamente, os deputados Ricardo Ayres e Jair Farias.

Para a presidência da Comissão de Finanças, Fiscalização, Tributação e Controle os deputados escolheram Nilton Franco. O novato Issam Saado é o vice.

O emedebista Elenil da Penha é novo presidente da Comissão de Administração, Trabalho, Defesa do Consumidor, Transportes, Desenvolvimento Urbano e Serviços públicos. A vaga de vice ficou com o Professor Junior Geo.

Junior Geo e Leo Barbosa foram escolhidos, respectivamente, presidente e vice da Comissão de Educação, Cultura e Desporto.

(Com ifnormações do T1 Notícias)

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