A relação entre o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres (Republicanos), passou por mudanças perceptíveis desde o retorno do governador ao cargo, em dezembro do ano passado. Não houve anúncio formal de rompimento, nota pública ou registro oficial de divergência. O principal sinal observado é a ausência de agendas conjuntas, que passou a se repetir com frequência.
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Antes do afastamento determinado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), Amélio integrava de forma recorrente compromissos oficiais, eventos e viagens do governador. Após o retorno de Wanderlei ao Palácio Araguaia, esse padrão deixou de ocorrer. Ao longo de janeiro, o presidente da Assembleia não esteve presente na maioria das agendas públicas do Executivo.
DISCURSO INSTITUCIONAL SEGUE, PRESENÇA NÃO
Apesar da ausência física, Wanderlei continua citando Amélio em discursos oficiais, com agradecimentos e referências institucionais. O gesto indica manutenção do respeito formal entre os poderes. Na prática, porém, o distanciamento se evidencia pela falta de participação do presidente da Assembleia em eventos do governo estadual.
Interlocutores apontam o recesso parlamentar e a concentração de agendas de Amélio no Bico do Papagaio como justificativas para a ausência. A explicação é considerada plausível, mas não suficiente para explicar todos os casos. Em alguns dias, Amélio manteve despachos em Palmas, no gabinete da Assembleia, enquanto o governador cumpria compromissos oficiais na Capital.
NOVOS ALIADOS NAS AGENDAS DO EXECUTIVO
Paralelamente, Wanderlei Barbosa passou a intensificar agendas ao lado da senadora Dorinha Seabra e de aliados vinculados ao seu grupo político. A presença da senadora tem sido registrada em compromissos recentes, o que não ocorreu com Amélio no mesmo período, apesar de ambos integrarem o Republicanos e ocuparem posições estratégicas no cenário estadual.
O movimento não passa despercebido nos bastidores políticos e é interpretado como um reposicionamento gradual do núcleo mais próximo do governador.
ATUAÇÃO DURANTE O AFASTAMENTO
Durante o período em que Wanderlei esteve afastado, tanto Amélio quanto o grupo político da senadora Dorinha atuaram em frentes distintas de sustentação ao governador. Na Assembleia, Amélio conduziu os trabalhos de forma a evitar o avanço de discussões sobre um eventual impeachment.
Nos bastidores políticos e jurídicos, aliados da senadora atuaram para viabilizar a recondução de Wanderlei ao cargo. Ambos os movimentos são reconhecidos internamente pelo Palácio Araguaia como decisivos naquele momento.
CENÁRIO SUCESSÓRIO EM RECONFIGURAÇÃO
Após reassumir o governo, Wanderlei passou a sinalizar que pretende permanecer no cargo até o fim do mandato, afastando a possibilidade de disputar o Senado em 2026. A decisão altera o desenho sucessório e impede a transmissão do governo ao vice-governador Laurez Moreira, adversário político do governador.
Com esse reposicionamento, o projeto político em construção passou a considerar o nome de Dorinha Seabra para a disputa ao governo, além de composições ao Senado com aliados como Eduardo Gomes e Carlos Gaguim. Nesse novo cenário, Amélio Cayres deixou de figurar de forma central nas agendas do Executivo, o que é observado com atenção no meio político.
Apesar disso, o futuro político do presidente da Assembleia permanece em aberto. Em conversas reservadas, Amélio tem reiterado interesse em disputar cargo majoritário e seu nome também circula em diálogos com outras legendas, como o MDB, caso haja reavaliação de sua permanência no Republicanos.


Presença do presidente da Assembleia deixou de se repetir em compromissos públicos do governador ao longo de janeiro - Crédito: Marcio Vieira 


