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POLÊMICA

"Um grupo manda na prefeitura, eles me isolaram", diz vice-prefeito

16 março 2011 - 11h15

Alberto Rocha
Colaborador

 

Insatisfeito com os rumos que vem tomando a administração da prefeitura de Araguaína na atual gestão, em entrevista concedida ao jornalista, Alberto Rocha, do Correio Evangélico (CE), o vice-prefeito de Araguaína, Amilton Alves Cardoso (Amilton da Caixa). Entre muitos assuntos, algumas das polêmicas citadas pelo vice, é de que ele haveria sofrido ameaças por não permitir desvios no Concurso Público do quadro geral do município e sobre a insatisfação de sempre estar de fora das decisões administrativas afirmando ainda que o próprio prefeito era conivente com o isolamento de sua participação.


Confira a entrevista na íntegra

O entrevistado é Amilton Alves Cardoso, mais conhecido como Amilton da Caixa. O ex-vereador, ex-secretário da administração e atual vice-prefeito de Araguaína abre o coração nessa entrevista e não esconde sua insatisfação com os rumos da administração atual. Amilton vai além. Para ele é um grupo de pessoas quem dá as ordens na prefeitura: “O prefeito Valuar transfere para outras pessoas a responsabilidade de administrar; ele não tem sido, de fato, o condutor da gestão”, declara.

Quando procurado sobre o que acha de corrupção, Amilton fica indignado e dispara: “Corrupção é uma praga que deve ser eliminada do nosso meio. Lugar de corrupto é na cadeia”, desabafa, dizendo ainda que sofreu ameaças por não permitir desvios no Concurso Público do quadro geral do município.

CE - Quem é o Amilton da Caixa?
Amilton - Um cidadão araguainense, um pioneiro preocupado com o destino desta cidade. Vim para cá em 1966 com os meus pais. Desde então contribuo para ver minha cidade cada vez melhor, desenvolvida e comprometida com os seus moradores.

CE -Quais os cargos políticos que o senhor já assumiu?
Amilton –
Fui vereador por um mandato, gerente da Caixa Econômica. Já exerci importantes cargos de confiança, como no Ministério da Agricultura, na Aeronáutica, na Superintendência da Pesca (hoje, Ministério da Pesca) e no Banco Nacional da Habitação. Fui sindicalista, ajudei a criar a Associação dos Funcionários da Caixa. Em 1986 fiz parte de uma Comissão Parlamentar, na época, coordenada por Luis Inácio Lula da Silva, que veio a se tornar o presidente do Brasil.

CE – o senhor foi vereador
Amilton -
Sim, com muita honra e honrei o meu mandato. Sou autor de importantes projetos, dentre eles, o que criou o Conselho Municipal antidrogas, requerimento para a criação do Shopping Popular e a implantação do projeto Método Braile nas escolas do município.

CE- O senhor é um político muito respeitado no meio político e em toda a sociedade araguainense.
Amilton -
Sim, graças a Deus por essa confiança que desfruto entre as pessoas de todos os segmentos da sociedade.

CE- Por que o senhor decidiu ser vice do Valuar?
Amilton -
Naquele momento político vi uma grande oportunidade para contribuir com a gestão pública do meu município. Também, a minha decisão foi em função da minha experiência em gestão no setor público. Dessa forma eu achava que poderia contribuir efetivamente com projetos e ideias na administração dele, Valuar.

CE- Como é ser vice do Valuar?
 

Amilton - Não está sendo como eu esperava que fosse; tenho participado muito pouco ou quase nada das decisões do Executivo.

CE - Por que?
Amilton -
O Valuar não tem sido, de fato, o condutor da gestão. Ele confiou a algumas pessoas do seu secretariado o comando da Prefeitura. Nunca participei das discussões, dos programas, de projetos. Acho que a administração dele está sem rumo. Não fiz parte da gestão do Valuar; sempre fiquei de fora das decisões, mesmo tendo sido secretário da administração por dois anos. Durante esse tempo, procurei o Valuar por 4 vezes para entregar a secretaria, isso porque percebia uma indisposição da parte dele para comigo. Sempre foi assim. Mas procurei ter o melhor relacionamento possível, ser cordial

CE – Então, o senhor não era respeitado?
Amilton -
Eles me respeitam, eles sabem quem é o Amilton da Caixa. O que não existia era um tratamento à altura do cargo que eu exercia como secretário e de vice-prefeito.

CE – O senhor se sentia isolado lá?
Amilton -
Houve uma articulação por parte de pessoas de confiança do prefeito no sentido de me isolar do processo para que eu não participasse das decisões do governo.

CE - O prefeito sabia disso?
Amilton -
Não só sabia como também era conivente. Eu o procurava, mas ele sempre se esquivava. Decisões que são da competência dele, ele passa para outras pessoas decidirem.

CE - Isso representa uma fraqueza administrava?
Amilton -
Eu diria que é desconhecimento de causa.

CE- Não entendi
Amilton -
Isso é transferência de responsabilidade. Ele manda os outros fazerem aquilo que deveria fazer. Ele não tem sido o condutor das ações do executivo.

CE -O senhor seria vice de novo do Valuar?
Amilton -
Foi uma experiência única.

CE - Sua relação com os evangélicos?
Amilton –
É muito boa, das melhores possíveis. Sempre que posso, participo de eventos evangélicos. Os evangélicos são um povo pacífico, trabalhador, que leva a mensagem de Deus às pessoas. O meu respeito e a minha admiração eles vão ter sempre.

CE - E com os servidores municipais?
Amilton -
Excelente. Respeito a todos e eles me respeitam também.

CE -Amilton da Caixa está morto politicamente?
Amilton -
Não. O Amilton da Caixa está é muito vivo. Apesar dos obstáculos que enfrentei nesses dois anos, continuo trabalhando. No momento certo vou me manifestar politicamente.

CE -O senhor conduziu o concurso público para o quadro geral do município. Houve fraude?
Amilton –
Não, ele transcorreu na maior lisura possível.

CE - O senhor pagou algum preço por essa lisura?
Amilton –
Sim. Sofri até ameaças por não permitir desvios na condução do concurso público.

CE- Três desembargadores do Tribunal de Justiça foram afastados acusados de corrupção. O que o senhor acha da corrupção?
Amilton -
Combato todo e qualquer ato de corrupção, lugar de ladrão é na cadeia. Infelizmente, a corrupção é algo constante na política. Essa praga deveria ser eliminada do nosso meio. As pessoas de bem deveriam se manifestar contra os corruptos. As instituições que têm a responsabilidade de fiscalizar, deveriam ser mais presentes, atuando de forma mais precisa no combate à corrupção. Não há perdão para o corrupto.

CE - Na sua opinião, qual a pena que deveria ser aplicada a uma pessoa corrupta?
Amilton -
A sociedade e as instituições responsáveis deveriam eliminar definitivamente da vida pública ou privada os corruptos. O corrupto não deveria ter nenhuma oportunidade e nem representar o povo. Além disso, deveria ser obrigado a devolver aos cofres públicos tudo aquilo que tenha roubado ou desviado

CE – Sua opinião sobre os vereadores?
Amilton -
eles têm uma função das mais importantes, que é fiscalizar o Executivo.

CE -Eles estão fazendo isso?
Amilton -
Eles têm autonomia. Cada vereador tem uma conduta de ser e de agir. O julgamento deve vir da própria sociedade.

CE - Sua opinião sobre Siqueira Campos?
Amilton -
É um homem que tem um nome marcado na história do Tocantins e do Brasil. É uma pessoa capaz, tem uma proposta moderna de administrar o Estado, o que contribuirá para o crescimento e desenvolvimento do Tocantins. Aliás, o Brasil tem os olhos voltados para o Tocantins.

CE -O que o senhor não faria de jeito nenhum?
Amilton -
Roubar, cometer ato de corrupção, desviar dinheiro público...

CE- Sua opinião sobre o Correio Evangélico?
Amilton –
É um novo veículo de comunicação, feito com muito profissionalismo e responsabilidade; é bem editado, independente, com uma proposta nova e desafiadora que vai enriquecer o segmento da comunicação na nossa região. Parabéns.


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