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COLUNA

Vitrine Cultural

por Dágila Sabóia

Escola tocantinense disputa o Prêmio de Referência em Gestão Escolar

03 novembro 2011 - 08h40

Ao acompanhar um dia da rotina da Escola Estadual Presidente Costa e Silva, situada em Gurupi, a 230 quilômetros de Palmas, que já é considerada uma das seis melhores escolas do Brasil em Gestão Escolar, foi possível perceber que não existe estratégia única para melhorar o desempenho dos alunos. Mas sim, a soma de fatores que são fundamentais para o bom andamento de qualquer escola: a liderança do diretor, e a confiança dos professores e da família em seu trabalho.

Notamos isso logo de cara. Nos corredores de entrada da escola, murais fixados nas paredes retratam a rotina e a história da unidade, são informações que vão desde os diversos prêmios recebidos, ao controle de recursos e despesas que a unidade tem. No decorrer do percurso do espaço interno observamos também a exposição de uma pesquisa com a opinião de alunos, professores e pais sobre a gestão da unidade, realizada ainda este ano. Ferramenta importante para que ações sejam planejadas a partir das necessidades detectadas nos levantamentos e na opinião da comunidade escolar.

Com essa iniciativa foi possível avaliar, por exemplo, a realidade socioeconômica dos alunos, a visão que eles têm sobre a gestão da escola, as aulas dos professores, o clima escolar, dentre outros aspectos. E foi desta forma, que a equipe da unidade tomou conhecimento de que apenas 53% dos alunos convivem com uma família regular (pai e mãe), os 47% restantes, fazem parte de realidades que podem influenciar no seu entendimento sobre valores humanos e relações interpessoais (pais separados, netos criados por avós, mães que moram no exterior, órfãos de pai ou mãe, moram com outra família para estudar na cidade).

Lan house uma alternativa para diminuir a evasão
A falta de interesse pela escola é o principal motivo que leva o jovem brasileiro a evadir. E na escola de Gurupi, também não era diferente. Lá o número chegou a um índice de 22% de evasão. Conforme uma pesquisa realizada pela unidade de ensino. Grande parte dos alunos estava deixando de estudar simplesmente porque acreditavam que a escola era desinteressante. E atrativos como frequentar lan house para navegar na internet e participar de jogos disponíveis na rede foi apontado como um dos motivos pelo qual os jovens evadiam.

Para diminuir a evasão, a escola passou a desenvolver um rigoroso controle de frenquência. Os professores passaram a fazer a chamada através do diário eletrônico, o que era acompanhado em tempo real pela orientadora educacional, que imediatamente faz o contato por telefone com a família. Não havendo êxito, ou persistindo as faltas, são realizadas visitas domiciliares pelo professor conselheiro para diagnosticar o motivo das faltas. E foi a partir dessa iniciativa que a escola detectou que muitos alunos, saiam de casa para frenquentar lan house no horário de aula, sem o consentimento da família. Para combater esta problemática e ao mesmo tempo permitir que o estudante continuasse tendo acesso à tecnologia, foi adotado o bônus lan house monitorada, um dos projetos que classificou a escola para final do Prêmio Escola Referência Nacional em Gestão.

Como funciona
Quanto menos carimbos negativos o aluno tiver na agenda escolar, mais horas são conquistadas para usar a internet nos laptops do Projeto Um Computador por Aluno (UCA) no horário oposto às aulas.

Para solucionar casos como o do aluno Edy David Feitosa Lima que falta às aulas para usar a internet em lan louse da cidade.

A mãe do aluno Edy David Feitosa Lima, dona Luzineide Feitosa foi avisada pela escola por meio de uma ligação que o seu filho não estava comparecendo às aulas. “Quando as professoras me ligaram dizendo que o meu filho não estava frequentando a escola, eu não acreditei. Foi quando fui atrás para saber onde ele estava, e o encontrei numa lan house”, relatou. De acordo com a mãe de Edy David seu filho passava grande parte do tempo em frente ao computador e ela não sabia. “Depois do nosso acompanhamento, ele mudou o comportamento, tanto em casa, como na escola. Hoje, ele acessa a internet na escola e às vezes em casa, sempre monitorado” , explica.

A responsabilidade da família
Para fortalecer a comunicação entre a família e a escola, os alunos utilizam agendas escolares, de forma que os pais e responsáveis podem acompanhar todas as atividades desenvolvidas e também o rendimento do estudante por meio de carimbos que apontam a realização das tarefas em classe e em casa, entre outros. A agenda é auxiliada pelo “Caderno de Ocorrências Diárias”, no qual conta com um espaço para cada aluno, constando a fotografia, nome, endereço, filiação, data de nascimento e telefone para contato. Neste espaço são registrados os fatos relevantes sejam eles positivos ou negativos ocorridos com o aluno durante as aulas. É um instrumento bastante consultado pelos pais nas visitas à escola.

E para valorizar e intensificar a presença da família na escola adotou-se o Cartão “Fidelidade Costa e Silva”. Nele constam diversas informações da escola (visão de futuro, missão, valores, e-mail da escola, da direção e orientação educacional, telefone, fax e blog da escola) para que os pais possam ter maior número de informações possíveis para facilitar a comunicação entre família e escola.

Cada vez que o pai vem à escola espontaneamente recebe pontuação no seu “Cartão Fidelidade” e concorre a R$ 200,00 em material escolar para o filho no próximo ano letivo, doados por empresários ou pessoas físicas parceiras da escola.

Para intensificar este contato com a família, todas as quartas-feiras, professores e equipe administrativa da escola permanecem na escola no período noturno, para atender os pais que devido ao trabalho não podem comparecer na escola durante o dia. Desta forma, vindo à escola espontaneamente, e com horários planejados, a relação escola e família ficou bem mais agradável. “O projeto nasceu da necessidade dos próprios professores. Foi um momento criado para termos um contato direto com os pais. Eles vêm à escola com mais tempo e disposição para dialogar, receber elogios e orientações sobre seus filhos”, explica a professora Ilciram Ferreira dos Santos.

Salas ambientes atraem os alunos
Como forma de trabalhar o meio ambiente, valor humano, a escola idealizou as salas ambientes. As salas de aula são por disciplina e quem troca de sala são os alunos e não os professores. Os alunos participaram da montagem das salas de aula e desta forma têm mais consciência sobre a conservação do patrimônio público, além da aprendizagem ter sido bem mais significativa.

Ler conta pontos
Outro meio que a escola investe muito para preparar os alunos para a vida, e no incentivo à leitura. “Contamos com uma ampla biblioteca com mais de 5000 exemplares de livros, jornais e revistas disponíveis em diversos espaços da escola (salas de aula, sala de professores, biblioteca, dentre outros). O número de livros lidos por cada aluno é monitorado, mensalmente, pela equipe pedagógica”, pontua a orientadora educacional Jeanes Miranda Custódio Leite. Para devolver o livro na biblioteca, o aluno precisa preencher uma ficha de leitura sobre a obra lida online, evidenciando as principais aprendizagens.

Para os projetos funcionarem, é fundamental ter professores e famílias dispostos a dialogar, relata Adriana Aguiar. Outro fator que explica os bons resultados de sua escola é a participação efetiva dos pais.

Ao caminhar ao lado de Adriana Aguiar pelos corredores da escola, perde-se a conta das vezes em que alunos a saúdam com um “bom-dia ou um oi diretora”, esse envolvimento com a comunidade estudantil leva a escola a disputar o Prêmio de Escola Referência Nacional em Gestão. ( Secom - TO)

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