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SÃO PAULO

Restaurante põe placa polêmica na fachada: 'Não odiamos crianças, é só a sua mesmo'

11 agosto 2022 - 08h27Por R7 Notícias

Um restaurante de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, chamou a atenção por colocar na fachada do estabelecimento uma frase polêmica contra a presença de crianças. Nela, está escrito: "Não odiamos crianças é a só a sua mesmo". O restaurante muda as frases da placa constantemente.

A publicação foi feita pela La Borratxeria nas redes sociais, no último sábado (6), e gerou comentários negativos e outros de defesa sobre o estilo de marketing adotado pelo estabelecimento.

Para o advogado especialista em direitos humanos Ariel de Castro Alves, presidente da Comissão de Adoção e de Direito à Convivência Familiar de Crianças e Adolescentes da OAB-SP e membro do Instituto Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, o restaurante está cometendo incitação à violência contra as crianças.

"É uma estratégia de marketing. Eles criam polêmicas para se promoverem, mas não podem violar direitos fundamentais de crianças e adolescentes, previstos no Estatuto e na Constituição Federal", explica.

Como o estabelecimento alterna as mensagens com regularidade, a última frase foi veiculada nesta quarta-feira (10). Desta vez, a crítica era endereçada aos "lacradores", como uma indireta para quem opiniou negativamente sobre a frase falando das crianças. A mensagem diz: "Lacradores se f* ceis tudo".

Esta não é a primeira vez que o restaurante coloca frases sobre as crianças na placa. Em outras oportunidades, foram postadas os dizeres: "traga seu cão e amarre seu menine no poste" e "quem gosta de criança é creche".

Além disso, em uma outra postagem, eles compartilharam o espaço kids nele, que é uma caixa de papelação escrita: "temos espaço kids: abandone, digo, deixe aqui seu bebê e coma com vontade".

Para Castro, violações estão sendo cometidas principalmente com relação aos direitos ao respeito, proteção integral, dignidade, convivência familiar e comunitária, "além de crianças não sofrerem humilhações, constrangimentos, opressões e situações vexatórias". 

Ainda segundo o advogado, os proprietários podem ser investigados pela Polícia Civil por intolerância e incitação à violência contra crianças.