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Os contribuintes da corrupção

27 setembro 2010 - 11h25

No último domingo, fui à missa e ouvi uma passagem bíblica interessante para os dias de hoje, onde o apóstolo Paulo escreve a Timóteo (1 Tm 2, 1 – 8) e recomenda que façam preces e orações, súplicas e ações de graças por todos os homens; pelos que governam e por todos que ocupam altos cargos, a fim de que possam levar uma vida tranquila e serena, com toda piedade e dignidade.

Precisamos realmente de preces e orações mas, antes de tudo, precisamos de eleitores alfabetizados e críticos, pessoas letradas que façam jus à democracia. Não de uma unanimidade burra que sirva de massa de manobra. Vemos escândalos todos os dias nas TVs e isso já é rotina, faz parte da paisagem diária, nem sequer conduz à reflexão. Aliás, alienados não refletem!

A culpa da corrupção é, antes de tudo, do povo que não tem compromisso com o seu país, com o lugar onde mora. Políticos não são seres alienígenas; são pessoas do nosso meio que escolhemos para nos representar e, infelizmente, escolhemos mal. Se são corruptos é porque a sociedade lhes ensinou, ou esqueceram que somos produto do meio? Reclamamos e ao mesmo tempo, dizemos: “todos roubam”; “rouba, mas faz”; “se fosse qualquer um de nós, também roubaríamos”; “o dinheiro corrompe”. É dignificante a sutileza do pensamento da massa brasileira.

Nada justifica a corrupção! Os agentes políticos e representantes do judiciário são os que ganham os melhores salários no Brasil e é de onde vemos sair às piores mazelas e notícias nos telejornais. Ninguém rouba porque ganha pouco, nem mesmo porque está no meio de ladrões. Roubam porque querem, porque são ladrões desde antes de estarem ocupando essas posições. Um agente público recebe propina porque não tem caráter e não porque seu salário é pouco. Devemos parar de inventar desculpas com a intenção de justificar a nossa desonestidade. Conheço pessoas que ganha salário-mínimo e vivem dignamente sem necessidade de serem corruptos.

Nas empresas particulares o controle financeiro é ferrenho para evitar desvios e tal prática é motivo de demissão por justa causa. Nas empresas públicas em sentido amplo, com tantos “donos”, a roubalheira é desenfreada, chega a R$ 40 bilhões anualmente. Assistimos essa farra de camarote, é claro, somos um país rico, portanto, podemos. A honestidade representa pequenas ilhas em meio a um oceano de corrupção. Dificilmente a encontramos.

É sabido por todos que a raiz da alienação está alojada na péssima educação. No entanto, o trinômio perfeito, que se torna imperfeito, saúde-emprego-educação, é degustado por todos os candidatos em seus programas. Chego a pensar que são palavras com sabor de mel. Falam de maneira tão genérica que nem sequer sabem por onde começar, caso sejam eleitos, ou como diz o adágio: “falam para a boca não feder”. E claro, sabemos que eles não farão nada pela educação, principalmente, porque não é primeiro plano na vida de muitos brasileiros. O que as crianças aprendem com isso é que podem conseguir as coisas, mesmo ficando deitadas em berço esplêndido, simplesmente com o jeitinho brasileiro. Pessimismo meu? Não. Lembro-me do senador Cristovão Buarque, quando candidato à presidência da república, que amargou 2% dos votos do eleitorado brasileiro. É esse o número que expressa a vontade de educar no dizer de Alexandre Garcia. Caro Alexandre, você também não está sendo pessimista? Quem mais estaria, além de nós?



Arnaldo Filho é graduado em Matemática, especialista em Educação e estudante de Direito – FACDO.
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