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Casos de toxoplasmose passam de 200 no estado e gestantes estão entre as mais afetadas

17 junho 2022 - 15h32Por G1 Tocantins

Mais de 200 pessoas tiveram diagnóstico de toxoplasmose no Tocantins nos primeiros seis meses deste ano e quase metade destes diagnósticos foi em gestantes. A doença, causada pelo protozoário Toxoplasma Gondiie e transmitida através da urina ou fezes dos gatos e outros felinos contaminados, pode causar sequelas em bebês.

De acordo com o infectologista Flávio Milagres, o protozoário causa diversas alterações na criança e é transmitido pela mãe infectada. "O protozoário pode atravessar a barreira placentária e comprometer o feto, trazendo más-formações, debilidades, alterações auditivas e alterações mentais nesse recém-nascido. Por isso, a recomendação extensa de fazer a investigação da toxoplasmose durante a gestação", alerta o médico.

A operadora de caixa Adrielle Lacerda passou pelo susto de ser diagnosticada com a toxoplasmose quando estava grávida. Com o tratamento, felizmente a filha nasceu sem nenhum problema de saúde.

"O começo foi de medo do que poderia acontecer, mas com muita ajuda e informações consegui concluir o tratamento. Hoje ela está com quatro meses e todos os exames mostram que está tudo dentro da normalidade" conta a mãe, explicando ainda que elas fazem acompanhamento no Hospital de Doenças Tropicais (HDT).

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), em 2021 foram 475 pessoas foram diagnosticadas com a toxoplasmose, sendo 221 gestantes. Neste ano, o número de pessoas infectadas passa de 200, com 93 gestantes infectadas com protozoário.

Gravidade em adultos

Segundo o infectologista, em crianças os sintomas são brandos, mas em adultos a doença se manifesta de forma mais intensa. "A criança tem muitas vezes gânglios aumentados no pescoço e um quadro febril arrastado. Na maior das vezes, ela passa a ser benigna e evolui de uma forma boa. Já o adulto costuma ter sintomas mais agressivos e pode ter muita dor no corpo, febre e dificuldade de diagnóstico", reforça o médico.

Sintomas e tratamento

A toxoplasmose é considerada comum e segundo o Ministério da Saúde (MS), pode ser transmitida ao ser humano com a ingestão de alimentos e líquidos contaminados pelo protozoário Toxoplasma Gondii.

Dependendo do estágio da infecção, seja crônico ou agudo, ou se a pessoa estiver com a imunidade baixa, pode apresentar sintomas mais leves, similares aos de uma gripe, ou intensos, como febre, dor de cabeça, confusão mental, falta de coordenação e convulsões.

Nas mulheres grávidas, em alguns casos pode ocorrer o aborto. Algumas crianças também nascem com icterícia, macrocefalia, microcefalia ou crises convulsivas. Em alguns casos, os problemas surgem durante a vida da criança.

Para tratamento, o protocolo do Sistema Único de Saúde (SUS) inclui em medicação para amenizar os sintomas de pessoas que não tem quadro de sequelas. Na gravidez, é necessário que exames sejam feitos durante o pré-natal e os protocolos são administrados dependendo da evolução.

Prevenção

De acordo com o Ministério da Saúde, evitar a consiste em adquirir bons hábitos na hora de tratar os alimentos e líquidos, e ainda em cuidar de gatos de estimação. Veja algumas orientações:

Evite comer carne crua ou malpassada;
Evite beber leite ou produtos lácteos não pasteurizado.
Obedecer normas para congelamento de carnes, a uma temperatura interna de -12º C;
Frutos do mar também precisam ser bem cozidos;
Lavar bem as frutas e legumes com água adequadamente tratada;
Limpar as superfícies de cozimento e os utensílios que tiveram contato com alimentos sem higienização;
Lavar bem verduras e legumes;
Consumir água tratada e 100% potável;
Fazer a limpeza correta de caixas d'água.

Com relação a pessoas que tem contato com felinos, as orientações do órgão incluem:

Cobrir caixas de areia em que crianças brincam, para evitar que gatos as utilizem;
Limpar caixa de areia dos gatos de estimação diariamente;
Mulheres grávidas e pessoas com baixa imunidade devem evitar manusear as caixas de areia de animais. Se precisar trocar, o ideal é que usem luvas e máscara;
Não alimentar gatos com carne crua ou malpassada.