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VIOLÊNCIA E MORTE

Número de feminicídios dobram no Tocantins durante a pandemia

01 julho 2022 - 10h41Por G1 Tocantins

Se a quantidade de mortes violentas no Tocantins diminuiu entre os anos de 2020 e 2021, os feminicídios não seguiram a mesma tendência. De acordo com dados do 16º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o número de assassinatos de mulheres dobrou no estado.

Conforme o documento, alimentado por estatísticas das Secretarias de Segurança Pública do Brasil e publicado nesta terça-feira (28), houve 10 mortes dessa natureza em 2020. Já em 2021, o número saltou para 21, um aumento de 110%.

A morte da professora Elisabeth Figueiredo, de 60 anos, está dentro deste aumento nos casos de feminicídio. Em junho de 2021, ela foi encontrada morta dentro de casa, em Pequizeiro, e apresentava lesões na cabeça. O principal suspeito é seu companheiro, que está preso na Unidade de Tratamento Penal Barra do Grota, em Araguaína.

"Hoje nossa vida está incompleta, faltando uma figura muito importante na nossa cidade, na nossa família, que era a minha mãe. Foi um crime que abalou nossa comunidade", relembra o funcionário público Paulo Henrique Tavares, filho da vítima.

No Brasil, segundo o anuário, em 81% dos feminicídios, os supostos autores são os companheiros da vítimas. E assim como na morte de Elisabeth, em janeiro de 2021, Ana Paula Lima, 25 anos, foi morta com golpes de faca pelas mãos de seu companheiro. Vinícius Santos Lacerda foi condenado a 19 anos de prisão pelo feminicídio. O crime ocorreu em Gurupi, região sul do estado.

Ana Paula foi morta com golpes de faca — Foto: Divulgação/rede social

Crimes na pandemia

Segundo o delegado Guido Camilo, que investiga homicídios na capital, explica que a pandemia pode ser uma das causas para o maior registro de crimes contra mulheres.

"Geralmente este crime de feminicício começa com pequenas agressões, pequenos xingamento e vai evoluindo até uma situação onde a vítima não consegue controlar. Por isso a gente orienta as vítimas a sempre procurarem a Delegacia da Mulher", diz o delegado.

Para a advogada da mulher Karol Chaves, é preciso reforçar a rede de proteção e acolhimento às mulheres vítimas de violência. "Por mais que seja um ciclo onde há afetividade envolvida, muitas delas não têm condições de sair porque não tem autonomia financeira para sustentar a si e aos seus filhos", comenta.

O conselheiro do Fórum de Segurança Pública, Cássio Thyone, gestores devem tomar providências partindo dos resultados do Anuário. "Existem ações que podem ser desenvolvidas para tentar abaixar esses índices. Uma dessas iniciativas vai passar obrigatoriamente por questões culturais, educativas e por um investimento que não é só de curto prazo", completa o especialista.