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Veneno e bactérias presentes no ferrão das arraias podem causar graves infecções

19 julho 2022 - 08h45Por G1 Tocantins

Ataques de piranhas são mais frequentes durante a temporada de praias e as vítimas relatam que no momento da mordida, além da dor, sai muito sangue da ferida. Mas a preocupação para infecções é maior com relação a ferroadas de arraias que, se não tratado, o ferimento pode causar até necrose na pele.

No domingo (17), três pessoas sofreram ferimentos de arraias na praia do Croá, em Aliança do Tocantins e na praia da Gaivota, em Araguacema. Em Palmas, 18 banhistas da Praia do Prata foram atacados por piranhas.

Segundo o biólogo Anderson Brito Soares, coordenador de Entomofauna da Unidade de Vigilância e Controle de Zoonoses de Palmas (UVCZ), a combinação do veneno e restos do ferrão que podem ficar presos na pele causam graves infecções, que precisam ser tratadas em unidades hospitalares.

“Estudos comprovaram que tem veneno no muco e junto com a ferroada, ficam pedaços de osso na pele, que ajuda mais ainda a ter uma necrose daquele local. Então todo acidente com arraia a pessoa tem que procurar atendimento, para o médico fazer a limpeza daquele local”, alertou o especialista, ressaltando que o local ferido precisa ser bem limpo para evitar infecções. O paciente ainda pode precisar de antibióticos.

Por já ter sido ferroado pelo animal, Anderson relata que no momento do ataque a dor não é intensa, mas assim que a pessoa sai da água, ela dá a impressão que a pele está sendo rasgada. “Para aliviar a dor, as pessoas também indicam que a vítima faça compressas água morna, juntamente com a limpeza”.

Com o Lago, a população das arraias aumentou, e segundo o biólogo, quase não há predadores para esse animal, assim como para as piranhas. “Elas se adaptam muito a esse tipo de ambiente, de água mais parada, não tem predador, as pessoas quase não pescam elas. Por isso aumentou bastante”, afirmou.

Pequenas, mas com dentes afiados

Sobre as piranhas, o especialista explicou que a mordida, apesar de dolorida, tem um risco menor de complicações como infecções. Os animais geralmente são pequenos, entretanto, os dentes afiados podem arrancar pedaço e causar muito sangramento.

Mas diferente da arraia, não há nenhuma toxina na mordida da piranha que cause os mesmos efeitos. “O corte é na hora, mas no caso das piranhas é questão de ferimento e é preciso um curativo normal”, reforçou.

Quando ao motivo do aumento nos ataques, o biólogo explica que os animais estão protegendo seus ovos e que a alimentação na água as atrai para as áreas de banho. “Diferente dos peixes migradores, elas se reproduzem quase que durante o ano todo. Então normalmente esta época elas ficam defendendo os ovos. E o que atrai mais elas é que o pessoal se alimenta dentro da água, por isso tem esses acidentes”.

Como evitar

Com os riscos, maiores agora na temporada de praias, a dica do biólogo é a mesma dos outros órgãos de saúde. Para evitar pisar nas arraias, que é o momento em que ocorre a ferroada, é preciso entrar na água arrastando os pés, já que assim elas se espantam e saem de perto. Essa dica do biólogo vale tanto para região com areia ou em locais com pedras.

Quanto às piranhas, a indicação é evitar jogar restos de alimentos na água, para não atrair os peixes. As redes de proteção das áreas de banho também ajudam, segundo o biólogo, mas dependendo do tamanho da piranha, ela consegue atravessar por buracos na estrutura. Por isso a manutenção e varredura podem evitar os ataques.

Em qualquer tipo de ataque, a vítima deve acionar equipes de guarda-vidas e procurar atendimento mais rápido possível.