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INVESTIGAÇÕES

Pais usam crianças no Facebook e Instagram para conteúdo direcionado a pedófilos

26 fevereiro 2024 - 10h52

Uma série de investigações revelou que o Facebook e o Instagram, operados pela Meta, estão sendo utilizados por pais que exploram financeiramente seus filhos menores de idade, conhecidos como “influenciadores infantis”.

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Relatos do New York Times e do Wall Street Journal apontam que esses pais gerenciam contas nas redes sociais para seus filhos, predominantemente meninas, que não atendem a idade mínima de 13 anos exigida pelas plataformas. Essas contas têm se tornado um empreendimento lucrativo, com os pais vendendo materiais para uma grande audiência de homens adultos, incluindo fotos das crianças em trajes reveladores e até mesmo seus uniformes de líderes de torcida usados.

Funcionários da Meta descobriram que alguns pais estavam produzindo conteúdo sexualmente sugestivo de seus filhos, direcionado a pedófilos. Embora não apresentem conteúdo ilegal ou explícito, as contas gerenciadas por pais foram encontradas promovendo material que atrairia esse tipo de público.

O Wall Street Journal relata que algumas dessas contas até mesmo permitiam interações sexualmente carregadas entre pais e assinantes, envolvendo as crianças. A Meta, no entanto, não se manifestou sobre o assunto até o momento

Algoritmo da Meta amplia alcance de conteúdo direcionado a pedófilos

Além disso, as investigações destacaram como o algoritmo de recomendação da Meta contribui para a ampliação do público dessas contas, mesmo aquelas não intencionalmente insidiosas. Contas de influenciadores infantis podem ganhar milhões de seguidores masculinos, o que pode resultar em benefícios financeiros significativos, como descontos e incentivos de marcas.

O TikTok, por sua vez, afirmou que proíbe a venda de conteúdo de modelagem de menores em suas plataformas, em contraste com as práticas identificadas no Facebook e Instagram.

Apesar das recomendações feitas pelos funcionários da Meta para lidar com esse problema, como exigir monitoramento de contas que vendem assinaturas focadas em crianças, a empresa não as implementou. Em vez disso, concentrou-se em criar um sistema automatizado para evitar que pedófilos se inscrevessem nessas contas, o que se mostrou pouco confiável. Além disso, as ferramentas de moderação da Meta limitavam os pais que bloqueavam muitas contas, dificultando a proteção contra potenciais predadores.

A falta de resposta eficaz da Meta às preocupações de segurança infantil não é novidade. O The New York Times destaca que, durante um período de oito meses, a empresa respondeu a apenas um dos 50 relatórios sobre conteúdo questionável envolvendo crianças.

Um estudo interno realizado pela empresa em 2020 revelou que 500.000 contas infantis no Instagram tinham interações inadequadas todos os dias. Essas revelações têm contribuído para uma reputação prejudicada da Meta no que diz respeito à proteção infantil em suas plataformas.

*Olhar Digital