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CRIME DE CONCUSSÃO

Delegado suspeito de cobrar propina para liberar caminhão se torna réu na justiça

21 novembro 2023 - 07h21

O delegado Clóvis César Reis Bueno, investigado por suspeita de cobrar propina de R$ 15 mil de um empresário do Tocantins para liberar um caminhão apreendido no Pará, virou réu em processo que investiga o crime de concussão. A denúncia do Ministério Público foi aceita pela 2ª Vara Criminal de Palmas.

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Clóvis foi preso pela Polícia Civil no início de novembro, em Caseara. A vítima fez a denúncia após conseguir gravar o momento da entrega do dinheiro e da ordem de liberação do veículo. Ele foi afastado das funções pela polícia paraense e está preso em um presídio do Tocantins. O g1 pediu posicionamento da defesa e aguarda reposta.

De acordo com despacho do juiz Luiz Zilmar dos Santos Pires, não houve hipóteses para rejeição da denúncia, que apresentou "elementos indiciários suficientes" para dar início ao processo. O acusado tem dez dias para apresentar defesa.

Na denúncia do Ministério Público aceita pela Justiça e que o Jornal do Tocantins teve acesso, o caminhão da vítima foi apreendido no município de Santana do Araguaia (PA). O veículo estava em trânsito para Palmas com uma carga de silagem.

O motivo da apreensão foi porque um adolescente de 17 anos estava dirigindo o caminhão. Também havia porções de cocaína e comprimidos do medicamento nobésio, conhecido como rebite.

O delegado teria cobrado R$ 15 mil para que o veículo fosse liberado e para isso entrou em contato com pessoas que possivelmente teriam participação no crime. Um homem que se identificou como investigador teria entrado em contato com o empresário e disse que uma terceira pessoa, uma advogada, iria fazer a negociação para a liberação.

Mas o mesmo investigador teria informado para o empresário procurar o próprio delegado, que estava em Palmas na época.

Denúncia do MP

O encontro entre os dois aconteceu no dia 6 de novembro. O próprio delegado procurou o empresário e eles se encontraram em um local na quadra Arse 41 (antiga 403 sul). Clóvis cobrou os R$ 15 mil, mas o empresário contestou o valor, afirmando que a carga não valia isso. O delegado saiu do carro e ligou para uma pessoa. Ao final da 'negociação', o valor ficou em R$ 7,5 mil.

Para o promotor João Edson de Souza, que assina o documento, a situação "demonstra que existe um esquema organizado de extorsão de pessoas, onde temos uma advogada e outros servidores públicos que atuam de forma organizada, sob gerencia de outro um agente público, que ao tudo indica controla a atuação do ora denunciado".

A denúncia também usa imagens de câmaras de videomonitoramento que confirmou o encontro entre a vítima e o denunciado.

A vítima sacou o dinheiro e levou para o delegado em um hotel de Palmas. Quando entregou o dinheiro, a vítima gravou a ação e depois disso registrou um boletim e ocorrência contra o delegado. A Polícia Civil o encontrou em Caseara no mesmo dia e ele foi preso em flagrante.

O promotor enviou a ação penal à 2ª Vara Criminal de Palmas e o juiz aceitou a denúncia contra Clóvis César na quinta-feira (16). O promotor ainda requereu que denunciado e testemunhas apontadas na denúncia sejam intimadas para explicarem o suposto envolvimento no esquema.

Defesa

Na época da prisão, o advogado Arthur Del Bianco Camatio, responsável pela defesa do delegado Clóvis César, informou que o cliente estava em Palmas para fazer uma consulta médica e afirmou que ainda não teria tido acesso integral ao inquérito, mas apresentaria provas da inocência do delegado.

O g1 questionou o advogado sobre a Justiça ter aceitado a denúncia contra o delegado e aguarda posicionamento.

Entrevista

Em entrevista à TV Anhanguera, o empresário vítima da cobrança criminosa afirmou que os vídeos gravados na entrega do dinheiro foram entregues à Polícia Civil do Tocantins. Ele contou que o menor que dirigia o caminhão é seu filho de criação.

O delegado ainda teria tentado se justificar sobre a cobrança do dinheiro ao empresário. "Isso aqui, cara, vou ser sincero. Isso aqui eu não te cobraria nada, é pros meninos lá [sic], entendeu? Eu tô aqui e eles estão lá. Aí não arruma nada e eles começam aquele negócio, achar defeito no teu caminhão. Começa a colocar perícia, isso e aquilo. Resolve assim é a melhor coisa que tem".

A 2ª Vara Criminal de Palmas decretou a prisão preventiva do delegado, que a princípio foi levado para o presídio de Cariri. Uma decisão da Justiça autorizou a transferência para Palmas, no dia 11 de novembro.

*G1 Tocantins