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MOMENTOS DE TERROR

Mulher busca justiça após ser torturada e baleada pelo companheiro: "ela já cavou a própria cova"

14 janeiro 2021 - 11h44Por Redação

Depois de ser espancada, torturada e baleada pelo marido, uma mulher de 39 anos que mora no Tocantins, busca na justiça que o agressor seja preso e condenado. 

O caso foi registrado no último dia 3, na zona rural de Araguacema, região Central do Estado. Em entrevista à nossa reportagem, a advogada Fernanda Martins da Silveira, contou que a vítima que é natural de Pato Branco no Paraná, tinha um relacionamento de 11 anos com o agressor com quem criou três filhas, sendo uma de 18 anos e outras duas menores de 8 e 4 anos. "as agressões físicas e psicológicas já ocorrem há muito tempo", afirmou Fernanda da Silveira. 

A mulher agredida conseguiu na justiça uma medida protetiva contra o ex-companheiro, mas tem medo de que essa decisão judicial não seja suficiente para manter ele afastado. 

Relacionamento Conturbado

Segundo relatos da pópria mulher, o casal mantinha um relacionamento estável, porém a vítima descobriu que o homem já era casado e tentou terminar o relacionamento com ele, que não aceitou o fim da relação e "há nove anos atrás, o agressor obrigou a vítima a morar na mesma casa que a sua esposa legal", conta a advogada.

Ainda segundo a advogada, o homem alegou não ter condições de manter duas casas e por isso a convenceu de morar com ela e a esposa oficial. "Desde então, ele vivia com as duas mulheres e os cinco filhos dos três. A vítima era apresentada como prima e a esposa como mãe dos quatro filhos menores de idade".

A vítima ainda relata agressões físicas e psicológicas constantes e que elas ocorriam há anos. Contou sobre ameaças de mortes sendo feitas pelo homem e que uma vez, depois de espancá-la, ele fez com que a vítima cavasse a própria cova dizendo que ele a mataria com golpes de machado. Imaginem o terror vivido por essa mulher, "ela já cavou a própria cova", destacou a advogada. 

A agressão

Segundo o relato que a nossa equipe de reportagem teve acesso, a mulher foi espancada a murros e pontapés pelo ex-companheiro que tem 39 anos. As agressões só teriam sido cessadas após interferência da filha mais velha, mas a vítima disse que foi levada para um matagal, onde o agressor tentou matá-la.

Conforme relato do Boletim de Ocorrência registrado sobre o caso, com uma espingarda, ele tentou atirar três vezes contra a mulher, mas nas duas primeiras a arma falhou. Na terceira, o disparo foi feito à curta distância e acertou a cabeça da vítima. Mesmo ferida, a mulher conseguiu fugir do agressor que a perseguia dizendo que iria “terminar o serviço com o facão”.

A vítima caminhou cerca de oito quilômetros pela mata fechada e lavouras da região. Ela contou que estava ferida, descalça e que seus pés ficaram cortados pela vegetação do local. Ela conta que teve que improvisar calçados com o sutiã amarrados nos pés e só foi socorrida quase 24 horas depois, ao encontrar um casal que passava por uma estrada vicinal, quando foi levada para um vilarejo e várias pessoas se mobilizaram para ajudá-la, enquanto esperavam a ambulância.

A mulher disse ainda que o agressor foi até o local, procurando pela companheira, que foi escondida por moradores.

Hematomas das agressões sofridas pelo ex-companheiro. (Fotos: Divulgação)

Estado de saúde

A vítima foi levada para o Hospital de Araguacema e logo em seguida, encaminhada para o Hospital Regional de Paraíso, onde recebeu os primeiros socorros. Segundo avaliação médica, estilhaços de chumbo ficaram alojados em sua cabeça.

"Uma nova avaliação médica será realizada para decidir se ela será submetida à uma cirurgia ou não, já que há uma infecção no local do ferimento", contou Fernanda.

Segurança

Testemunhas relataram para a advogada sobre diversas ligações recebidas nos hospitais de Araguacema e Paraíso, de alguém se passando por um primo da vítima, procurando por informações. "Nas chamadas, ele teria relatado um sumiço da mulher, fingindo preocupação e pedindo para ser informado caso ela desse entrada na unidade de saúde", narra.

A advogada que representa a vítima, contou que a Justiça concedeu medida protetiva à mulher que aguarda a decretação da prisão preventiva do agressor. "Ele até o momento continua solto".

A defesa da mulher disse ainda que também é esperada a prisão da esposa legal do ex-companheiro, já que segundo a vítima, ela esteve presente no momento em que as agressões começaram e não fez nada para ajudá-la. Além disso ela acredita que o crime tenha sido planejado pelos dois.

A advogada disse ainda que pessoas conhecidas contaram que a esposa do agressor teria dito que a vítima havia saído em um carro desconhecido e que estava fazendo uso de medicamentos controlados.

A defesa ainda solicitou ao delegado responsável pelas investigações que sejam apurados o crime de lesão corporal praticado contra a filha mais velha do casal, já que ela também foi vítima de violência praticada pelo homem.

Histórico do Agressor

Conforme relato da vítima à advogada, o autor se apresenta na região como engenheiro agrônomo formado pela Universidade Estadual da Califórnia, nos Estados Unidos. No entanto, a ex-companheira alega nunca ter visto o diploma da universidade nem fotos da época em que ele teria morado fora do país.

Ela disse que ele já foi preso e condenado duas vezes pela Justiça Federal do Rio Grande do Sul por circulação de dinheiro falso na região de Passo Fundo e chegou a ficar preso por sete dias, sendo solto mediante o pagamento de uma fiança de R$ 9.330,00 e que a pena de 4 anos e 1 mês de reclusão foi convertida para a prestação de serviços comunitários. "Ele aguardava a realização da audiência para iniciar o cumprimento da pena, quando o caso ocorreu", disse.

Depois de cometer a tentativa de feminicídio, a Polícia Militar (PM) chegou a realizar diligências em busca do agressor, mas ele fugiu e voltou alguns dias depois se apresentando em uma delegacia da região, acompanhado de um advogado, para prestar depoimento e continua em liberdade.

Acolhimento

A vítima está escondida e desde o ocorrido, não viu mais as filhas, que permaneceram na casa do ex-companheiro. "Ela, quando fugiu, estava apenas com um vestido e deixou tudo para trás", disse a advogada.

Atualmente, a mulher foi acolhida e conta com a ajuda de conhecidos. Ela está recebendo assistência psicológica e jurídica e se encorajou a dar um novo depoimento à Polícia Civil, com detalhes das agressões que sofreu.

Mulheres da cidade se solidarizam à situação da vítima, se mobilizaram e criaram grupos nas redes sociais para realizarem uma manifestação nesta quinta-feira (14), em frente á delegacia e ao Fórum, para pedir a prisão do agressor.

Um desses grupos discutem formas de ajudar a vítima, para que ela possa se tornar financeiramente independente do ex-companheiro e que ela possa reaver a guarda das filhas.

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